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JOSÉ MARIANO BARRELLA

Nessa segunda entrevista, o 3VV vai começar a mostrar um pouco mais da vida política do clube. O objetivo aqui é não só dar espaço aos bons conselheiros mas apresentar aos leitores deste blog um pouco dos bastidores político do Palmeiras. E para iniciar esse tema escolhi um Conselheiro que já há algum tempo vem sendo uma referência aos palmeirenses que frequentam o Palestra, tanto pela sua paixão pelo Verdão como pela oposição ao antigo Presidente.

Falo de José Mariano Barrella, ou simplesmente Mariano. A família é de Salerno, mas ele nasceu no Brás em 5 de outubro de 1960. Aos seis anos já se sentia palmeirense. Já foi gandula para ficar mais próximos dos jogadores. Acha que Ademir da Guia não foi melhor que Pelé; correção, acha que Ademir não foi o ÚNICO melhor que Pelé! Além dele – Ademir – outros estão na frente do ex-camisa 10 do Santos: Tupãzinho, Chinesinho, Leivinha, … passional o Mariano?

Mariano é sócio do Palmeiras desde 1966. Trinta anos depois se aproximou da outrora oposição e foi um dos que combateram a gestão de Mustapha Contursi. Tornou-se conselheiro em 2001. Agora, no seu 2º mandato, Mariano fala pro 3VV como se tornou palmeirense, quem são seus ídolos, a final de 74, e sobre a política atual.

3VV: Como começou essa paixão pelo Palmeiras?

Mariano: Começou naturalmente, lá por 66, 67, no Brás. Era o convívio com os amigos, que na grande maioria eram palmeirenses. Eu já me sentia palmeirense mas um dia, eu estava dentro do clube (minha família era sócia do Palmeiras), era um feriado, e meu pai me levou num jogo que tinha no Palestra. Palmeiras 1 x 1 Juventus, gol do Gallardo, um peruano. Eu fiquei alucinado!

3VV: E aí virou torcedor…

M: Pois é, ao contrário do que acontece, um filho passa a ser fanático por futebol por causa do pai, comigo aconteceu o inverso: meu pai se tornou fanático por minha causa. A partir daquele jogo eu pedia para ele me levar em todos os jogos. E eu insistia… “me leva, me leva”, em todos os jogos eu queria ir. E prá gente era uma dificuldade muito grande, porque a gente morava no Brás e vir para o Palestra era uma viagem, uma hora e meia de ônibus.

E naquele final de ano em dezembro de 67, foi a final da Taça Brasil. Palmeiras e Náutico no Maracanã! Esse jogo foi ao vivo pela TV Tupi. E o Palmeiras foi campeão, 2 a 0, gols de Cesar e Ademir da Guia. E o Palmeiras deu a volta olímpica no Maracanã carregando a bandeira do Palmeiras e a bandeira do Brasil!!

Eu fui à loucura com aquilo! Fazia dez dias que o Santos tinha sido campeão paulista. E logo depois o Palmeiras ganhou o campeonato nacional daquela época, onde o campeão era classificado para a Libertadores. Fiquei maluco!

3VV: participou de alguma torcida organizada?

M: Fui da TUP! A TUP foi fundada em 70. Tinha o pessoal da Pompéia, de Perdizes, e tinha um grande bloco lá do Brás, da Moóca. E eu frequentava a TUP com o pessoal do Brás desde a fundação, eu tinha uns 10 anos. Quando eu ia em jogos eu ficava com eles. E quando eu tinha 14 anos, mudei para perto do Parque Antarctica e fiquei sócio da TUP. Eu tinha carteirinha e tudo… eu era sócio ativo, guardava bandeira e instrumento em casa.

3VV: E o que mudou daquela período até hoje na relação da torcida com o time?

M: A torcida do Palmeiras não muda! Ela é aquela coisa extremamente passional. Isso é desde 1914 até hoje. A paixão do palmeirense é fervorosa, extremista. Numa derrota um torcedor quer derrubar do gandula ao Presidente, numa vitória endeusa a todos.

A torcida do Palmeiras não é composta por modismos. Ela independe da fase do time. Ela não aumenta nem diminui por conquistas ou ausência de conquistas de títulos. Ela passa de avô prá neto, de pai prá filho, de tio prá sobrinho… o palmeirense é palmeirense, independente se o time é campeão do mundo ou se está na 2ª divisão. Ele não demonstra a falta de interesse pelo seu time por causa de mal resultado.

É diferente por exemplo da torcida do São Paulo. Por causa do resultado da 4ª feira [São Paulo havia empatado na Libertadores no Morumbi e tinha ficado em 2º lugar no grupo] eles não “encheram” o Pacaembu no sábado [dia do 1º jogo da semifinal do Paulista; essa entrevista aconteceu na 2ª feira seguinte]. E se perder do São Caetano no próximo sábado [santas palavras] no domingo o sãopaulino vai dizer que não viu o jogo, que está ligado em tênis, essas coisas.

3VV: E qual o grande momento nessa história de torcedor?

M: A final do Campeonato Paulista de 74! Sem dúvida!!
Em 74 o Palmeiras fez 28 jogos prá ser campeão paulista. Eu fui em 25 jogos! Nesse campeonato teve um jogo, Palmeiras e Noroeste em Bauru, que é o recorde de público no estádio Alfredo Castilho. Tinha mais de 24 mil pagantes. O 2º tempo eu assisti na pista de atletismo do estádio. A Polícia Militar colocou o ônibus que tinha vindo de São Paulo dentro de campo. O Edu Bala marcou o gol da vitória no 2º tempo por cima do goleiro. Eu quase fui prá dentro do gramado! [risos] Eu não fui prá São José do Rio Preto… foi uma 4ª feira à noite! E nos dois jogos da final contra o Corinthians. Eu fui cercado e vigiado pelo meu pai e pela minha mãe e eles não deixavam eu nem sair de casa.

3VV: E como era o clima daquela decisão?

M: Tinha se criado um clima pro Corinthians ser campeão. Eles estavam há 20 anos sem ganhar um campeonato. Ganharam o primeiro turno e o Palmeiras ganhou o segundo. Foram prá final! O 1º jogo da decisão foi no Pacaembu no dia 18 de dezembro. O mando era do Corinthians! Foi 1 a 1. O Palmeiras marcou um gol aos 50 segundos de jogo. O Edu marcou após jogada e cruzamento do Ronaldo. Três minutos depois o Lance empatou.

O 2º jogo foi no Morumbi, no domingo. Jornais de São Paulo publicaram no sábado a foto de campeão paulista de 74 do Corinthians. A foto que devia sair na 2ª já tinha saído no sábado. Eu já morava aqui perto do Palestra, que tinha mais torcida do Palmeiras. Mas a torcida do Corinthians passava em carreata por aqui comemorando antes do jogo. Claro, eram outros tempos! Hoje acontecia uma desgraça se fizessem isso. Tinha o programa do Silvio Santos no domingo, era o dia inteiro, e ele dizia: “olha vocês fiquem assistindo o programa que a gente vai entrar com flash ao vivo do Morumbi”. Aí entrava o repórter: “olha Silvio, a grande festa da torcida do Corinthians. A cada 60 carros que passam aqui, 52 estão com a bandeira do Corinthians. Só 8 são do Palmeiras”. Isso às 10 da manhã. E eu já pegando a minha camiseta e minha mãe falando… “olha ele, não deixa ele ir, vão matar ele lá”.

E se você olhasse como amanheceu aquele dia… era exatamente o tempo do dia 12 de junho de 1993 [campeão Paulista sobre o Corinthians, depois de 17 anos]. Aquele tempo fechado, um pouco de garoa, chuva. E todo mundo falando. “Olha o tempo, está pro Corinthians… é um time mais raçudo, mais guerreiro. É um time que se mata em campo, que dá carrinho. O Palmeiras é um time de classe, que toca a bola, vai se dar mal nesse campo hoje.”

Só que o Palmeiras se preparou! Tinha uma gestão que defendia seus interesses! Naquele tempo, o Palmeiras tinha o grande e saudoso Presidente Paschoal Giuliano e o técnico Oswaldo Brandão. O primeiro jogo era mando do Corinthians e foi pro Pacaembu. E o Corinthians queria jogar a segunda partida no Pacaembu.

O Morumbi não tinha recebido jogo do campeonato paulista daquele ano. Tinha sido fechado para reforma do gramado. A grama tinha sido plantada recentemente e estava alta, fofa. O Brandão falou: “leva o jogo pro Morumbi; a grama está alta e eles vão se dar mal”. O Palmeiras tocava a bola! O Giuliano mudou o campo do 2º jogo. Exigiu o Morumbi!

O jogo foi prá lá e o Palmeiras foi cozinhando, tocando a bola. Naquele dia o Brandão fez uma mudança no time: ele colocou o Jair Gonçalves no lugar do Eurico [lateral direito]. A torcida não entendeu, porque o Eurico era ídolo! E no meio do 2º tempo, lá pelos 20 minutos, o Brandão ia fazer uma substituição clássica: ele sempre colocava o Fedato: ou no lugar do Edu ou no lugar do centroavante [na época era o camisa 9]. E ia entrar o Fedato no lugar do Ronaldo que era o camisa 9.

E foi justamente minutos antes da substituição, no cruzamento do Jair Golçalves, que saiu o gol. Era uma jogada ensaiada. O Leivinha ajeitou de cabeça e o Ronaldo bateu de sem pulo e fez o gol. Na hora o Brandão chamou o Fedato e falou: senta. Esse gol foi aos 24 minutos!

O que todo mundo apostava: nas grandes viradas corintianas. Que nada! O Palmeiras continuou tocando a bola… Aos 40 do segundo tempo, uma jogada de linha de fundo, o cruzamento prá trás, Ronaldo fez o 2º gol. O bandeirinha anulou…

Acabou o jogo… aquele título foi uma das maiores demonstrações de grandeza que o Palmeiras deu, como clube e instituição. Ele não enfrentou só o Corinthians: ele enfrentou o país inteiro! Todo mundo que não era palmeirense, ou por dó do Corinthians, ou por raiva do Palmeiras, torceu prá eles.

E pro Palmeiras era só mais um título. Naquele ano, em fevereiro, o Palmeiras tiha sido bi-campeão brasileiro (1973). Tinha sido campeão do Ramon de Carranza, ganhando do Barcelona na Espanha, do Rinus Michels dando o maior baile, 2 a 0. O Campeonato Paulista era só mais um naquele ano…

3VV: Quem foi seu primeiro ídolo?

M: O meu primeiro ídolo do Palmeiras foi o Tupãzinho! Você quando se torna torcedor logo grava o nome daquele jogador que sempre faz gol. E eu ouvia: gol do Tupãzinho, gol do Tupãzinho. Teve um goleiro do Corinthians – Barbosinha – que foi mandado embora por causa do Tupãzinho. E ele saiu e o Tupãzinho continuou marcando gol neles.

3VV: E qual o jogador mais importante na história do Palmeiras?

M: Ah, foi o Ronaldo… foi o que deu a maior alegria… nem 93 supera! O 1º ídolo foi o Tupãzinho, mas o maior foi o Ronaldo. Mas existiram outros: o César foi formador de torcida… ele era diferenciado. Ele era diferente do estilo da academia, com aquele cabelo comprido, jeito de amarrar a camisa, aquele jeito de abraçar torcedor no alambrado… a grande maioria dos torcedores do Palmeiras foi se formando com o César. Naquela época não se vendia a camisa com o número. E a garotada comprava o número 9 para costurar na camisa… e teve ainda o Divino Ademir da Guia…

3VV: Diz a lenda que você acredita que se o Pelé tivesse ido pro Palmeiras, ele ficaria no banco de reservas!

M: Eu não falei isso, que o Pelé ficaria no banco… O Pelé não poderia ficar no banco porque na época que ele começou a jogar não tinha banco de reservas. [risos]

Dos times que o Palmeiras teve, e desde a época que ele começou a jogar, não tinha lugar prá ele. Pergunte a quem viu jogar o time de 59, quem tiraria o Chinesinho para colocar o Pelé. Eu não vi, mas pergunte a quem assistiu!! Na 2ª fase da Academia, eu não tiraria o Ademir para colocar o Pelé. Eu não tiraria o Leivinha para colocar o Pelé.

E acima de tudo, o Ademir não é só melhor que o Pelé dentro de campo; é também fora! As declarações, o comportamento… O problema é que o Ademir nunca teve marketing pessoal. É caladão… mas sem dúvida que o Ademir é melhor!

E não é só ele: tem o Tupãzinho! Eu lembro de uma declaração do Carlos Bilardo. É um ídolo nacional na Argentina, foi campeão como treinador e como jogador. Jogou contra o Palmeiras nas finais da Libertadores de 68 pelo Estudiantes de La Plata. Quando ele foi perguntado sobre aquela polêmica entre quem era o melhor, Pelé ou Maradona, ele falou: “enquanto eu estive em atividade no futebol, o maior jogador que eu vi jogar foi o Tupãzinho”. Isso dito pelo Carlos Bilardo. Ele dizia: “o Rubio [Ademir] era fantástico mas o negro era fenomenal”.

3VV: Sobre política: quando você se tornou Conselheiro?

M: Sou Conselheiro desde 2001. Estou no 2º ano do 2º mandato. Fui empossado pela 1ª vez em março de 2001.

3VV: Quantos votos?

M: Na 1ª eleição 43 votos, na 2ª 46 votos.

3VV: Bastante alto…


M: Bastante! Foi o maior número de votos da oposição!

3VV: O que te motivou a ser conselheiro?

M: Apesar dos resultados to time em 99, e até mesmo em 2000 [vice-campeão da Libertadores], o Palmeiras vinha de uma gestão catastrófica desde 1996, quando foi feita aquela coisa absurda da reforma estatutária, que dava direito a reeleições sucessivas para o Presidente… isso é um grande mal para qualquer instituição. Quando foi feita aquela mudança, a gente percebia que só poderia ser usado para algumas pessoas se perpetuarem no poder. Foi justamente nesse ano de 1996 – e eu não era conselheiro ainda – onde teve aquela assembléia de reforma estatutária que dava o direito de reeleições suvessivas ao Presidente. Foi lá que o Gilberto Cipullo, Seraphin del Grande, Pescarmona, Dr. Nigro, o seu Gilto Avalone, eles foram um dos poucos que se colocaram contra a essa absurda reforma estatutária e passaram a fazer oposição. A partir dessa época eu comecei a me aproximar deles.

E veja, naquela época ainda vigorava a parceria com a Parmalat. Mas já haviam algumas desavenças. Por exemplo, o primeiro semestre de 1997 foi péssimo pro Palmeiras. A Parmalat tinha tirado o pé do acelerador… aí no 2º semestre houve uma retomada, a Parmalat contratou o Luis Felipe [Scolari] e começou a haver um reforço do time. As contratações que aconteceram eram um pouco mais modestas em comparação com 93/94, mas mesmo assim para a época eram boas: veio o Alex, o Oséas, o Arce… o Luis Felipe começou a estruturar o time que depois seria o campeão da Copa do Brasil e da Libertadores. E você sabe que quando o time vai bem, a parte política é um tanto esquecida…

O time ganhou em 98 a Copa do Brasil e ganhou a Copa Mercosul. Em 99 entrou com tudo na Libertadores e ganhou. E ainda foi vice-campeão Paulista pela falta de defesa dos interesses do Palmeiras nos bastidores.

Se você lembrar, naquele ano o Palmeiras disputou a Copa do Brasil, o Paulista e a Libertadores. O Palmeiras jogava de 2 em 2 dias. O Palmeiras ficou sujeito a disputar uma semifinal da Copa do Brasil contra o Botafogo no Rio de Janeiro numa sexta à noite, disputando pênaltis de madrugada. No domingo foi obrigado a disputar a final do Paulista contra o Corinthians. Por lei o Palmeiras não era obrigado a jogar essa partida e teve que jogar com time misto para preservar o time que ia disputar a final da Libertadores.

E não teve nenhuma defesa do time nisso! O Palmeiras no primeiro jogo contra o Corinthians foi prejudicado como se fosse um time pequeno. O jogo estava 1×0 prá eles e foi dado um pênalti aos 41 do 2º tempo. O jogo foi até os 52, 55 minutos. O Palmeiras com 2 a menos em campo tomou o 3º gol. E graças ao planejamento do Luis Felipe, o time titular ficou preservado e disputou a final da Libertadores e ganhou. Aí depois o time entrou em campo com a desvantagem do primeiro jogo.

Aí teve a disputa contra o Manchester. Se formos ver quando o Boca Juniors disputou a final no Japão, o árbitro era colombiano. O do Palmeiras e Manchester era alemão. Se você for ver o Palmeiras teve logo de cara um gol do Alex anulado, o bandeirinha deu impedimento. E logo em seguida teve o gol do Manchester. O gol anulado do Palmeiras foi uma coisa absurda e passou batido…

Ainda nessa época foi criada o que teria sido o primeiro mundial da FIFA. Lá nós vimos de novo a absoluta falta de defesa dos interesses do Palmeiras. Não havia nenhum critério que justificasse a ausência do Palmeiras naquele torneio. O Manchester era o campeão europeu de 99 e veio jogar. O Palmeiras era o campeão da América de 99 e não podia jogar?? Que absurdo!

Então foi uma sucessão de coisas… desde 1996 com a reforma estatutária; depois a falta de defesa dos interesses do clube…

3VV: E como era ser oposição à gestão naquela época?

M: Muito difícil! Foi um período muito triste no Palmeiras! Dentro do clube existiam pouquíssimos associados que se manifestassem. Mesmo entre os conselheiros não se manifestavam livremente. Tivemos punições, suspensões, pessoas que eram proibidas de se associar ao clube.

3VV: E como foi mudando essa situação?

M: Com muita persistência! As pessoas que acreditam em algo têm que persistir! As pessoas que se identificavam com nossas idéias foram se aproximando. Existiram grandes baluartes nesse período, pessoas que se opuseram frontalmente, alguns poucos conselheiros, outros colaboradores.

Fazíamos reuniões fora do clube, porque dentro do clube as pessoas poderiam ser punidas. O grupo foi se avolumando, até chegar onde nós estamos hoje. E nós sabemos que ainda falta muita coisa para se atingir o ideal do Palmeiras mas foi dado um grande passo para isso.

3VV: E o que mudou com a nova gestão?

M: Por exemplo, uma pessoa que se posicionar contra a administração atual tem total liberdade de se manifestar sem o risco de ser punido como sócio ou perseguido…

3VV: E o que falta mudar?

M: Acho que falta uma reforma estatutária! É uma das promessas de Campanha do Sr. Seraphin [Seraphin Del Grande, atualmente Presidente do Conselho Deliberativo]. É necessário abrir espaço para novas pessoas poderem ajudar o clube. Hoje o estatuto deixa as coisas muito “fechadas”. Por exemplo, hoje novos associados só podem votar depois de três anos e se tornar conselheiros depois de mais cinco anos de sócio. [veja a lista de Conselheiros do Palmeiras clicando aqui]

Mas tem que tomar cuidado! O Palmeiras é um clube de bairro e tem muito sócio que não é palmeirense. O Palmeiras deu no passado muita facilidade para torcedores de outros clubes se tornarem sócios. Inclusive houve época que havia um desrespeito por parte de outros torcedores. Por exemplo, tinha sócio que vinha com camisa de outro clube! Isso é um absurdo! E isso com a conivência da antiga administração. Eles diziam que essas eram “pequenas coisas”.

Por exemplo, o Palmeiras era o único clube que tinha um Parque Aquático com suas cores. As pastilhas da piscina eram verdes! Aí passou alguém por lá e inventou de fazer uma reforma na piscina e deixou o Parque Aquático azul. Não tem cabimento! E aí diziam que eram “pequenas coisas”. Outro exemplo: o ginásio do Palmeiras foi o primeiro dentre os clubes a ter o símbolo colocado bem no centro da quadra. Aí outro passou por lá, fez uma reforma para trocar o piso e tirou o distintivo. Dizendo que era porque a federação de vôlei não permitia e sei lá mais o que…

Então foram destruindo as coisas ligadas ao Palmeiras. Foram disassociando a necessidade de você ser palmeirense e ser sócio do Palmeiras. E isso indo contra o Estatuto. Porque o Estatuto é claro em seu artigo 150 e 151: só poderão fazer parte dos 4 poderes pertencentes ao clube palmeirenses autênticos. Isso já não funciona assim… você percebia pessoas ligadas ao Conselho, à vida política do clube, e essas pessoas achavam que estava tudo bom. Queriam a piscina bonita e não se importavam com o Palmeiras na 2ª Divisão.

E isso é um risco político muito grande! Se você não tiver um Conselheiro que se sente doído, incomodado com o desempenho do futebol do Palmeiras, então prá onde vai isso?

3VV: E o futuro? Aspira outros cargos no Palmeiras?

M: Não! Eu sou torcedor, quero me sentir torcedor! No papel de Conselheiro é mais fácil para apresentar projetos. Hoje em dia eu defendo um projeto para pagamento de meia entrada para o torcedor, com desconto direto no boleto. Mas o meu negócio é torcer no campo!

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Ficamos por aqui! Esse é o perfil do Conselheiro Mariano… ao longo dos próximos meses vamos apresentar outros conselheiros à torcida.

Saudações Alviverdes!

Agradecimentos e referências:– Revista Placar: As 100 Maiores Fotos da História do Palmeiras – Editora Abril
– Revista Mundo do Futebol: 1974 A Inesquecível Conquista em cima do Corinthians – Editora On Line
– Site gazetaesportiva.net
– Site do Estudiantes – http://www.clubestudianteslp.com.ar/
– Nilson Quadros, torcedor colorado que digitalizou as imagens