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CAIO JR.

Uma parcela dos torcedores defende seu trabalho. Outra parcela acredita que ele é a melhor opção disponível. E outra ainda acha que, seja pelo seu noviciado, seja pelas dúvidas quanto á sua competência, ele não é o técnico mais indicado ao Palmeiras. E se existe um tema polêmico dentre a audiência desse blog é a avaliação do técnico Caio Jr. Então vamos turbinar essa polêmica com informações na fonte!

Desde que chegou em janeiro desse ano ao Palmeiras, Caio Jr. já passou pelo céu e pelo inferno: tanto pelas vitórias bonitas ou sofridas sobre o Corinthians; pelas viradas emocionantes, onde percebeu-se sua influência como treinador; e pelas derrotas amargas e resultados pouco convincentes jogando dentro do Palestra.

Apresentado como um talentoso técnico da nova geração, Caio Jr. – que tem como referências de técnicos na carreira Rubens Minelli, Paulo Autuori, Luis Felipe Scolari e Ivo Wortmann – deixou o ambiente pacato do time do Paraná, com a classificação para a Libertadores já garantida, para assumir um posto que já foi de Oswaldo Brandão, Telê Santana, Vanderlei Luxemburgo, e Felipão. Mas que também teve Jair Picerni, Estevam Soares, Candinho, e outros.

Mas ele sabia o tamanho do desafio! Esse time foi eleito o Campeão do Século XX. Tem quatro títulos nacionais, uma Libertadores e um Mundial reconhecido por nós, o que já é suficiente! Tem 15 milhões de apaixonados e exigentes torcedores! E estava (ou ainda está) passando por um momento de mudanças estruturais, necessidade de renovação do time e com sérios constrangimentos financeiros. E mesmo nessa condição sabia que a cobrança por resultados e títulos iria acontecer rapidamente.

E assim Caio Jr. ganhou de vez a dimensão nacional como técnico do Palmeiras. Com 42 anos de idade, começou no futebol profissional em 84, jogando no Cascavel. Passou pelo Grêmio entre 85 e 87, onde foi artilheiro do Gaúcho. Depois foi para Portugal, onde ficou oito anos. Lá jogou no Vitória Guimarães e Estrela Amadora. Voltou pro Brasil e jogou no Internacional, retornou a Portugal (Belenenses) e voltou em definitivo ao Brasil, pro Paraná, onde foi pentacampeão paranaense, com 31 anos. Encerrou a carreira de jogador no interior de São Paulo, no Rio Branco de Americana, em 1999.

Passou a ser técnico de futebol em 2002. Teve passagens pelo Cianorte, Londrina, Gama, e em 2002, por ironia, assumiu o Paraná nas 10 últimas rodadas do Brasileiro daquele ano e salvou o time do rebaixamento.

O último clube antes de assumir o Palmeiras foi o mesmo Paraná, quando dirigiu o time que se classificou para disputar a Libertadores de 2007.

Na entrevista, que levou uns 40 minutos, pude perceber uma pessoa com fala mansa, calma, que escolhe as palavras que vai usar, mas que tem um comprometimento muito grande com a perpetuidade do seu trabalho e com a honestidade das relações profissionais, seja com o jogador, seja com o dirigente. Entre algumas ligações que interrompiam nosso papo e rápidas conversas com a comissão técnica, Caio Jr. me recebeu no CT para uma entrevista a esse blog um dia depois da vitória de 3×2 contra o Vasco. Basicamente falamos dos seus sete meses de Palmeiras, da torcida e de como ele pretende fazer história nesse time.


3VV: Como começou a carreira de técnico? Foi planejada?

CAIO JR: Não, não foi! Não imaginava ser técnico… minha idéia era ser comentarista. Comecei a me preparar para isso e parei com o futebol porque tinha um convite para ser comentarista em Curitiba na CNT e na Rádio Banda B. E fui comentarista por quase dois anos, ganhei prêmio de revelação e destaque, estava indo muito bem.

Até que voltei como supervisor técnico do Coritiba no ano 2000, que era um clube que eu não tinha jogado. Tivemos um bom ano lá! Fomos semi-finalistas da Copa do Brasil, semi-finalistas da Copa dos Campeões, finalistas da Sul-Minas. Em termos nacionais foi muito legal!


Só que eu não estava muito satisfeito com essa posição de Supervisor e o Ivo Wortmann, que tinha sido meu técnico quando eu era jogador, foi pro Cruzeiro e me chamou para ser seu auxiliar. Depois, em 2002, fui convidado para ser treinador de juniores no Paraná. Logo depois assumi o time principal no lugar do Bonamigo. E aí começou. Passei por alguns clubes, como o Gama, Cianorte – cheguei a duas vezes na semifinal com o Cianorte, ganhei do Corinthians, gerou repercussão. E depois retornei ao Paraná!


3VV: Como os técnicos mais badalados recebem os mais jovens? Recebem bem ou o ambiente é muito competitivo?

CJR: Primeiro que existe pouca possibilidade de encontro. Eu tenho poucos amigos, mas a vida é muito corrida. O contato é sempre no jogo e lá você está a trabalho e é difícil prá você trocar uma idéia… No final do ano existe um evento coordenado pelo [Carlos Alberto] Parreira, onde todos os técnicos se encontram, e aí você tem oportunidade de encontrar os amigos.

3VV: Qual sua referência como técnico?

CJR: eu tive no início o Rubens Minelli, que foi meu treinador quando eu era jogador no início e no final da minha carreira…

3VV: [interrompendo] Rubens Minelli que foi um dos primeiros técnicos que eu me lembro a ser chamado de estrategista…

CJR: Exato, o Minelli trabalhava muito a parte tática. Mas tive outros treinadores em que eu me espelho. Por exemplo o Paulo Autuori!

Eu sempre falo que o Paulo Autuori me inspirou muito quando foi meu treinador por dois anos… e me baseio muito nele, gosto muito dele. Gosto também muito do Felipão, por ser um cara verdadeiro, pelo seu estilo motivador mas também muito inteligente na parte tática. Converso muito com ele e gosto muito dele! Foi meu treinador no Grêmio, em 87.


3VV: Felipão foi seu técnico?

CJR: Foi no tri-campeonato Gaúcho do Grêmio! [ clique aqui e veja o gol de Caio Jr. em uma decisão gaúcha ] E tem o Ivo [Wortmann] que foi quem me deu a oportunidade… basicamente são esses!

3VV: De fora percebe-se uma característica muito forte sua de ser um técnico que gosta de unir o grupo, motivador. Como é esse estilo? Que tipo de problema pode se criar em um grupo com jogadores muito jovens e outros mais experientes?

CJR: Eu vejo assim, primeiro é o seguinte: eu não acredito em treinador que gosta de fazer tipo. Eu não sou ator! Eu acho que eu tenho que ser autêntico. Então dentro da minha autenticidade eu tenho que ter meu estilo. Então eu não acredito em treinadores que procuram imitar um modelo. Por exemplo, eu me espelho em treinadores mas eu tenho que ter a minha maneira de trabalhar. Mas eu acho que eu não tenho problema nenhum com o grupo… pelo contrário. A minha forma de trabalhar é a mais correta, ou seja, conhecer a personalidade do jogador e saber lidar com cada um de acordo com sua personalidade. Cada um tem reações diferentes, posturas diferentes, pensa de forma diferente, e você tem que saber dividir e que tem momentos de falar individualmente e momentos de falar com o grupo.

Esse respeito, com o tempo, isso não é de 2, 3 meses. Leva de 6 a 7 meses… hoje os jogadores sabem o que eu penso, como eu penso e que eu tenho um respeito muito grande por cada um e que eles podem vir conversar comigo. Isso caracterizou meus trabalhos anteriores e está caracterizando a relação aqui no Palmeiras.

E isso gera coisas positivas… por exemplo eu sinto que os jogadores fazem de tudo para não pisar na bola comigo. É como uma relação de respeito de pai prá filho, onde o filho se sente constrangido quando erra. Eu não preciso ser radical nem linha dura e nem bonzinho. Na hora do treino, tem que ter profissionalismo. Saber diferenciar a brincadeira e o trabalho…


3VV: Esse é na sua opinião o motivo da atual união desse grupo do Palmeiras?

CJR: Eu acho…

3VV: Você percebe que ontem [Palmeiras 3×2 Vasco], os jogadores estavam “pilhados” no jogo… havia muita motivação, muita integração. Isso já é conseqüência dessa integração e respeito mútuo?

CJR: Acho que sim… como quando foram abraçar o Diego no jogo contra o Santos. Comigo mesmo, já vieram me abraçar no banco, na hora do gol. Na véspera do jogo contra o Corinthians tiveram manifestações públicas por parte deles… e quando o jogador fala publicamente coisas que você não pede, é porque tem alguma coisa diferente. Isso é um grande motivador meu no futebol. Se eu tiver que mudar a forma de ser, se não tiver essa confiança, esse entendimento por parte do grupo… as únicas vezes que eu não tive isso os resultados não apareceram.Como aconteceu no Gama e no Londrina!

3VV: E o que aconteceu lá?

CJR: A minha filosofia não batia com a dos dirigentes. E se não tiver um dirigente trabalhando de forma transparente comigo, eu não admito.

3VV: Você está há sete meses no Palmeiras. Um time de tradição, uma torcida enorme, exigente, que há tempos não ganha um título importante. Como é que você lida com essa pressão de fora. Quanto isso atrapalha e como é que você transforma essa energia em motivação pro time.

CJR: Acho que são fases, assim como num casamento, tem momentos bons e tem momentos ruins em que você precisa gerir, administrar. Nesses sete meses nós tivemos várias situações: muita pressão, tranqüilidade, motivação, uma série de coisas que com o tempo acabou fortalecendo o grupo. Repetição do trabalho, manutenção do treinador, dirigentes transparentes e honestos, uma série de coisas que acabam resultando num ambiente diferente em que a gente passa isso pro torcedor.

Mas por exemplo, existem pressões diferentes: na rua, eu sou muito assediado no aspecto positivo. 99% das pessoas que me param nas ruas, é para me motivar, para pedir autógrafo, para conversar. Desde janeiro… Isso independentemente do resultado imediato do jogo. Isso é uma coisa que me motiva diariamente a continuar trabalhando no Palmeiras e acontece de forma impressionante.

Há a pressão da imprensa, porque depende muito do resultado. Criam-se fatos novos sempre e a imprensa precisa de fatos novos para gerar notícia e eu tenho que saber o que está passando, ler as coisas, para tentar gerir as conseqüências do que é noticiado.

E a terceira pressão é a pressão do jogo que é diferente! Tudo é em função do que acontece lá dentro. Mesmo quando as coisas estão correndo bem! Por exemplo, tem torcedores que conhecem pouco as coisas que estão acontecendo, não sabem os detalhes… não entendem e vão ali e ficam desestabilizando o grupo. Esses torcedores passam o tempo todo xingando, reclamando…


3VV: E você ouve de lá do banco?

CJR: Ouve, claro… e isso irrita profundamente.

3VV: O jogador ouve também?

CJR: Ouve! E irrita… não que atrapalhe o meu trabalho, mas irrita, porque você ouve coisas absurdas, fora do contexto. Tira fulano, põe sicrano, você é burro, filho da puta… e parece que está contra e não está vendo o que está acontecendo. E isso vai irritando… pô, parece que vem torcer contra!

Mas ao mesmo tempo, o que eu levo em consideração, é a manifestação geral. Em todos os jogos também tem que apóia!


3VV: Ontem [ Palmeiras 3 x 2 Vasco ] foi legal… a torcida apoiou muito!

CJR: Pode escrever que o jogo de ontem vai ficar na história do Palmeiras como um dos jogos mais emocionantes, principalmente para quem veio no estádio. Com a vibração da torcida e da equipe, com a raça, jogando com um a menos, a forma como nós viramos o jogo. Foi inesquecível!

3VV: No jogo com o Santos também teve esse apoio, essa raça, essa superação dos jogadores, mas você bateu boca com alguns torcedores no final!

CJR: Esse foi outro jogo, em que houve um apoio muito grande até o final. Mas depois do jogo ficaram uns 4 ou 5 xingando… pô o time jogando bem, pressionando o Santos, aí os caras ficaram xingando… aí eu acabei batendo boca com eles, até me arrependo, vou procurar não fazer mais isso … mas eu não também tenho sangue de italiano… [risos]

3VV: Olhando em perspectiva quais são seus maiores desafios no Palmeiras?

CJR: Bom a meta mais difícil a gente já passou que foi a renovação. Foi uma fase difícil, com disputa política, falta de caixa, e a gente conseguiu fazer essa renovação, inclusive vender jogadores que ajudaram no caixa.

3VV: Inclusive com a alavancagem do Michael, que foi para uma nova função no time com a sua orientação…

CJR: Exatamente, e isso me orgulha bastante e foi consequência de um projeto organizado com a Diretoria! A gente conseguiu algumas contratações, através de parcerias, e com isso a gente conseguiu mudar o perfil do grupo, ter uma equipe jovem, com potencial.

Qual é a próxima meta: ter estabilidade no Campeonato Brasileiro, ter uma equipe regular para disputar os primeiros lugares. A gente está conseguindo também!

E a meta final para esse ano é disputar o título, chegar na reta final, ou no mínimo levar o clube na Libertadores. O que seria muito bom em termos de projeto pro ano que vem, pro Clube, em termos de receita, e também prá comissão técnica. Poder disputar uma Libertadores no ano que vem e ter a oportunidade de dar sequência a esse trabalho… Aí sim, com a possibilidade de disputar a Libertadores, nós teríamos um elenco mais experiente, com uma base que nós formamos, que nós conhecemos, e aí com equipe formada por nós, poderíamos reforçar com uma ou outra peça! Aí começaria uma segunda etapa…


3VV: O que mudou no futebol da época que você era jogador para hoje?

CJR: Bom, eu acho que basicamente duas mudanças claras. Um é a preparação física! Hoje o condicionamento físico é muito superior, o jogador tá muito mais preparado, muito mais forte, as condições do clube são diferentes, você trabalha diretamente com a fisiologia… o jogador é quase um robô! Você pode deixá-lo numa condição muito forte, muito preparado. E isso influencia a parte técnica… os jogos são muito mais pegados, com muito mais força.

E o outro problema é que com isso violentou muito a característica daqueles que são essencialmente técnicos. Desde as categorias de base o jogador é orientado prá marcar. Então aquele jogador que é muito técnico às vezes não consegue evoluir, ele é trocado por aquele que marca mais, que marca melhor!


3VV: Que loucura, perde-se um talento já logo cedo…

CJR: É verdade… então está mais difícil surgir jogadores só técnicos. O jogador de hoje além de ser técnico tem que ser bom e tem que ter velocidade. Pode ver jogadores como Roger [ex-Corinthians], que é técnico, e não consegue se firmar. Às vezes você vê um garoto muito técnico nas categorias de base mas que não sabe marcar, ou que não tem velocidade. Ele fica no banco de reservas e um outro menos técnico mas mais marcador ou veloz ganha a posição.

Já o Valdívia é um pouco diferente, ele já puxa mais a parte física, apesar de ser bastante técnico. Mas um dos problemas da questão física é que mexe com a característica técnica do jogador.


3VV: O Brasil importa ou exporta técnicas para preparação do time? A gente mais exporta ou importa metodologias? Recentemente esteve visitando aqui um dirigente do Tottenham…

CJR: O que eu vejo é que nos últimos 10 anos cada vez mais estão saindo jogadores do Brasil, e esse intercâmbio, essa troca de conhecimentos tem mudado o comportamento do futebol brasileiro.

Um jogador que sai do Brasil muda muito. Ele fica mais disciplinado taticamente, ele se desenvolve taticamente!


3VV: [interrompendo] Mas o Valdívia, sempre que sai para jogar pelo Chile, quando volta parece que volta diferente, leva um tempo prá engrenar. É correta essa percepção?

CJR: Em amistosos não tivemos problemas… aconteceu nessa Copa América, onde ele teve problemas de saúde, de contusão, aí ele perdeu condição física. Mas quando um jogador vai prá seleção é sempre um pouco complicado para os clubes…


3VV: Com você lida com um jogador como o Valdívia que apanha tanto em campo e depois ainda toma amarelo? Ontem você quase entrou em campo para reclamar…

CJR: Eu tenho falado com o Valdívia sobre isso! Ele precisa ter um pouco mais de firmeza física para ele cair menos, porque senão o juiz acha que ele está cavando falta e começa a não dar aquelas que são. Mas a gente já está trabalhando isso nele!

3VV: Numa análise do 3VV nós identificamos que o Palmeiras (junto com o Santos) era um time que mais utilizou jogadores até a rodada 11. O Palmeiras usou 31 jogadores. O Botafogo e o São Paulo, pelo contrário, tinham usado menos (cerca de 25). Por que isso? Você demorou para encontrar a base ideal pro time?

CJR: Nosso caso é bem claro! Nós tivemos situações anormais. Nós perdemos 12-13 jogadores no período e eu tive que puxar jogadores do time B. Por isso que nossa lista é maior. Mas foram situações como Copa América, campeonato sub-20, lesões, … e chegou a ter 7, 8 jogadores no time que eram do time B. Agora as coisas vão voltando à normalidade e a tendência é que a gente mantenha 70%-80% do time jogando.

[ Nesse momento Caio Jr interrompe para saber o resultado do jogo do Botafogo com o Juventude, próximo adversário. E pede a escalação do Juventude e um relatório, e avisa que vai ver o VT do jogo em casa. Finelli informa que foi 3×1 para o Botafogo ]

3VV: Pensando em uma perspectiva de longo prazo, qual a sua visão da importância em se integrar o Planejamento da gestão do Clube (fora de campo) com o Planejamento do futebol (dentro do campo)…

CJR: Eu acho que eu me surpreendi aqui quando cheguei. Não havia um planejamento geral. O que se queria, o que o Palmeiras queria, qual a filosofia de trabalho. Eu via muitos setores divididos! As categorias de base lá em Guarulhos, o time B desfigurado, o time principal sob pressão por resultados …

Então a gente começou a trabalhar. A gente conseguiu ir arrumando algumas coisas, integrando os diversos departamentos. E também a gente teve a sintonia e entendimento que tinha a necessidade de lançar e comercializar alguns jogadores para recompor o caixa. E a gente conseguiu fazer isso [caso Michael]. Agora pode-se pensar em outros projetos.

O time B excursionou prá Europa… outras excursões estão programadas. Nós fazemos reuniões semanais com as categorias de base. A gente faz coletivo do juvenil, juniores, B. O Carlão [Pracidelli] uma vez por semana treina os goleiros todos juntos! Ontem [no dia do jogo com o Vasco] o técnico do juvenil ouviu a minha palestra pros jogadores. Então estamos trabalhando na integração das coisas…

Mas tem coisas ainda a serem feiras: por exemplo, fizeram o CT com uma grama e a do Palestra é outra. As gramas têm que ser iguais! Então vamos trocar a grama do Palestra no final de ano. Se você for ver, muitas coisas aconteceram aqui nesses 7 meses que não dá nem para expor.

E tem a parte da gestão. Eu vejo assim, você tem que ter cabeças pensantes. O Dr. Cipullo, o Belluzzo, Saverio … que trocam informações constantemente. A gente conseguiu ir arrumando as coisas e surgiram alguns projetos. A Cesta de Atletas, por exemplo. E existem vários planos, a curto, médio e longo prazo.

Mas isso leva tempo! Vai precisar de muito tempo para integrar… Todos do Palmeiras têm a tranqüilidade de chegar aqui e serem bem vindos. Eu não tenho melindres. Ninguém está querendo o lugar de ninguém. Eu quero trabalhar para o Clube. Eu quero que, quando eu sair daqui, eu seja reconhecido pelo que eu fiz também aqui dentro. Que falem: “o Caio fez isso, isso e isso”. E as coisas têm que ter continuidade.


3VV: Usa ferramentas para apoiar a gestão do time?

CJR: Uso algumas. Temos uma ferramenta, de uma empresa chamada FOOTSTATS [ clique aqui e veja o que já foi postado no 3VV sobre essa ferramenta ]. A ferramenta dá várias coisas! Uma visão tática do adversário, a movimentação dos jogadores, % de movimentação dos jogadores, onde ele se coloca mais no campo, tudo isso jogo a jogo. Bem legal, eu uso muito… tenho isso antes do jogo, depois do jogo.

3VV: Você que trouxe pro Palmeiras essa ferramenta?

CJR: Fui, fui eu! Eu usava no Paraná… Tenho ainda a estatística dos jogos (que a comissão técnica coleta), que dá as informações de todos os jogadores em todos os jogos…

3VV: Quem é o melhor passe do Palmeiras?

CJR: Martinez… e o Pierre o melhor desarme. E ainda tem o Tático 3D, que a gente usa durante a palestra pros jogadores, que é um programa que tem todos os jogadores com o nome e você, através do computador, faz toda a movimentação tática do time, como num jogo do vídeo game, só que planejado. É espetacular… Depois que eu comecei a trabalhar com essas ferramentas, há três anos, eu nunca mais deixei de usar porque ajuda a trabalhar muito bem pros jogadores o que eu quero no campo.

3VV: Alguma mensagem final pro torcedor?

CJR: Eu queria mandar um recado pros torcedores… queria agradecer ao apoio que eu sempre tive de forma geral, de todas as idades… eu sempre senti um apoio muito grande, um carinho muito grande por parte dos torcedores.

E que aquele torcedor que vai pro estádio só prá agredir, cobrar, xingar, que isso não ajuda ao time! Eu acho que o verdadeiro torcedor do Palmeiras deve cobrar prá gente sempre melhorar… mas tem que ajudar e apoiar o time… acho que se a gente tiver da torcida sempre o clima que a gente teve nesse jogo contra o Vasco, vai ajudar bastante o time a conquistar os resultados.



E assim terminou a entrevista! Naturalmente que para um palmeirense seria muito bom continuar falando e especulando sobre as coisas dentro das quatro linhas. Mas o nosso jogo lá tinha acabado! Fiz a habitual foto e ficamos mais um pouco nas amenidades.

Dizem que temos 180 milhões de técnicos de futebol no Brasil. Se estou certo, desses 180 devemos ter um 14 milhões que são técnicos do Palmeiras. Além deles, temos um, Caio Jr., que é pago prá isso e portanto sofre a cobrança dos outros 14 milhões.

E por ser assim, deixo aqui para uma pequena porém seleta parcela desses técnicos não remunerados essa entrevista para reflexão e para dar um pouco mais de conhecimento e fundamento nos elogios e nas eventuais críticas ao técnico Caio Jr.

Saudações Alviverdes!