Entrevista no Cidade do Futebol

Por indicação do Danilo Cersosimo, palmeirense e frequentador do blog, li a entrevista abaixo, postada no site Cidade do Futebol. Fla sobre construção de estádios e arenas esportivas no Brasil para a Copa do Mundo.

O site é http://cidadedofutebol.uol.com.br/cidade07/Default.aspx . Precisa se cadastrar para acessar conteúdo restrito.

Saudações…


Entrevista: o arquiteto Eduardo de Castro Mello
Especialista na construção de estádios e praças desportivas fala sobre as expectativas para a Copa do Mundo de 2014
Gabriel Codas


À medida que o dia 31 de outubro se aproxima, cresce a expectativa da oficialização do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014. O anúncio é o que os interessados em construir, reformar e investir em estádios esperam para iniciar de vez os trabalhos.

Ao todo, o país tem 18 cidades como pré-candidatas a serem uma das sub-sedes. Em algumas delas já foi definido qual será o local das partidas, caso façam parte dos planos da Fifa. No entanto, não basta apenas ter um estádio adequado. É necessário também que a cidade e o estado invistam na infra-estrutura necessária para viabilizar as novas instalações.

Uma das discussões que se faz no momento é quanto a reforma do que já existe ou a construção de uma nova instalação. A polêmica é discutida principalmente em São Paulo, onde o Morumbi aparece como projeto oficial, mas com diversos outros projetos paralelos e independentes surgindo a todo instante.

Para entender mais sobre o que é necessário para viabilizar um novo estádio dentro dos padrões da Fifa, a Cidade do Futebol entrevistou com exclusividade o arquiteto Eduardo de Castro Mello, do escritório Castro Mello Arquitetos, que tem vasta experiência na arquitetura esportiva.

Cidade do Futebol – No caso de São Paulo, como deve ser escolhido o local onde um novo estádio deve ser construído?
Eduardo de Castro Mello – Não só em São Paulo, mas em qualquer outro lugar do mundo, um novo estádio deve ser construído longe das regiões centrais de uma cidade. É uma obra que demanda um terreno muito grande e eles podem ser caros perto dos grandes centros. Além disso, o estádio pronto é um fator causador de tráfego na região, portanto, deve ficar afastado. No entanto, é fundamental que tenha vias expressas de acesso, estacionamento e um ótimo sistema de transporte coletivo. Tudo para facilitar o rápido escoamento.

Cidade do Futebol – Muito se fala em São Paulo, como alternativa ao Morumbi, da construção de um estádio nas marginais ou até mesmo em Guarulhos. Como seria isso?
Eduardo de Castro Mello – São Paulo tem que seguir o mesmo padrão das outras cidades do mundo. Na França o Stade de France era afastado de Paris, assim como o Allianz Arena na Alemanha. Claro que podem surgir problemas, já que se fizer em Guarulhos, por exemplo, a cidade sede será Guarulhos e não São Paulo. O anfitrião seria o prefeito da cidade e não o da capital. Mas isso é uma questão menos complicada.

Cidade do Futebol – Como você vê a atual situação dos nossos estádios em relação ao que precisa ser feito para a Copa?
Eduardo de Castro Mello – É evidente que nenhum estádio do país está preparado para receber as partidas da Copa. Eles ainda precisam sofrer várias intervenções para que estejam dentro das exigências rigorosas da Fifa. Tem gente que acha que se fizer um estacionamento de cinco mil vagas já é o suficiente para receber as principais partidas. No entanto, a Fifa exige mais de quem vai receber os jogos mais importantes. A única cidade que tem condições de oferecer um número sem igual de vagas de estacionamento é Brasília, mas isso pelas características da região onde o estádio foi construído.

Cidade do Futebol – E quanto aos custos das obras no Brasil? O que vai definir se é melhor reformar um estádio ou construir um novo?Eduardo de Castro Mello – Claro que a Copa no Brasil terá custos bem inferiores aos gastos na Alemanha, e claro que isso vai depender das condições em que as obras forem realizadas. Tudo vai depender do grau de intervenção que um estádio precisa para se adaptar às exigências da Fifa. Uma delas, atualmente, é que esses estádios sejam como arenas, com as arquibancadas próximas ao gramado.

Na Alemanha, muitos estádios não eram assim, mas aspectos históricos contribuíram para isso. Munique e Berlim tinham importantes estruturas que foram modernizadas. No Brasil, talvez isso aconteça com o Maracanã, já que recebeu a decisão da Copa de 1950.

Cidade do Futebol – Qual é a sua expectativa quanto às cidades candidatas no Brasil?
Eduardo de Castro Mello – Temos 18 que querem receber a Copa. No entanto, somente 14 serão escolhidas, sendo que 12 utilizadas. Duas vão ficar de sobreaviso para caso alguma coisa dê errado com uma delas.

Porto Alegre já está definida com o Beira-Rio; em Florianópolis o projeto tem boas chances de entrar; Curitiba não deve ficar fora. Em São Paulo, a escolha no momento é o Morumbi; em Minas o Mineirão; no Rio, o Maracanã. Depois temos Salvador e Recife, que não devem ficar fora. Daí, além de Brasília, os outros estados do Norte, Nordeste e Cento-Oeste vão disputar as outras vagas. É possível que Manaus entre, já que o aspecto turístico também é levado em consideração pela Fifa.

O que poderia atrapalhar algumas candidaturas é a falta de infra-estrutura hoteleira. Mas, no caso de Manaus e Belém, por exemplo, pode-se usar navios às margens do rio para receber os turistas.

Cidade do Futebol – No caso da cidade de São Paulo, a melhor alternativa de fato é um novo estádio?
Eduardo de Castro Mello – No meu ponto de vista, sim. O Morumbi não está muito bem localizado e teria muitas dificuldades para se adaptar ao que exige a Fifa. Vai exigir muitas intervenções devido ao modelo de estrutura que tem. Além disso, por estar em São Paulo, vão surgir diversos projetos de grupos independentes que podem construir de qualquer maneira, o que deixaria o estádio do Morumbi fora da Copa.

Cidade do Futebol – O seu escritório tem algum projeto para a Copa?
Eduardo de Castro Mello – Em Brasília, fechamos recentemente um acordo para fazer o projeto. Temos a pareceria de um grupo inglês e já estamos trabalhando na questão.

Cidade do Futebol – Como você vê o interesse de grupos estrangeiros, como a Lusoarenas, querendo construir estádios no Brasil?
Eduardo de Castro Mello – Eles já tiveram a oportunidade de construir os estádios em Portugal. Agora é a nossa vez de fazermos aqui. Não precisamos da ajuda de engenheiros e arquitetos de fora. Eles podem ajudar nos projetos, mas precisam entender que o Brasil vive outra realidade. Um estádio tem quer planejado para o uso cotidiano. A Copa do Mundo é apenas um cenário para o qual ele deve estar pronto.

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