FEDATO FEZ A PARTE DELE, COMO SEMPRE !

POR JOTA CHRISTIANINI

Falar do Fedato sem falar em Oswaldo Brandão fica incompleto, errado e difícil.

O apelido do “mestre” Brandão era Caçamba; nunca se falou da “corda”.

Acho que era o Fedato! Impossível dissociá-los. Fedato jamais foi titular, nem daqueles jogadores que qualquer outra torcida desejasse, mas indiscutivelmente foi um dos maiores artilheiros e mais que isso, autor de gols “salvadores” do Verdão.

Entendiam-se pelo olhar, quando o jogo estava no meio do segundo tempo e a vitória difícil, Fedato já sabia: Brandão o mandava aquecer.

Uma vez contra o Atlético Mineiro faltavam alguns minutos e o atacante entrou. Rigorosamente na primeira vez que tocou na bola enfiou para o fundo das redes do Galo, decretando a vitória do Palmeiras. Ao marcar o gol continuou a corrida foi até o alambrado do Pacaembú comemorar com os torcedores. Nem voltou, foi expulso lá mesmo – era o regulamento vigente. O jogo acabou em seguida, e nunca um jogador expulso foi tão aplaudido à saída do campo.

Em outro jogo, contra o Grêmio, o mestre Brandão foi bem claro. “Você entra no lugar do Hector Silva e fica no bico da área que o Ademir vai te dar um gol de bandeja”.

Falou e disse! Minutos depois Ademir da Guia, outro mestre, dominou olhou e lançou a bola para Fedato, no bico da grande área, que decidiu a partida. Fez o gol e voltou ao banco de reservas fazendo menção de sentar-se, dizendo:

“Se era isso que o senhor queria eu já fiz”.

Fedato ficou tantas vezes no banco de reservas que a revista Placar fez disso longa matéria, quando o jogador analisou todos os bancos de reserva dos principais estádios brasileiros, dando notas de conforto, visibilidade e outros quesitos.

Com certeza, o grande momento de entendimento entre o treinador e o jogador aconteceu em 22 de dezembro de 1974.

Palmeiras e Corinthians decidiam o Paulistão daquele ano. Segundo tempo, empate, domínio do Palmeiras, mas nada de gols. Oswaldo Brandão notou uma certa apatia nos atacantes do Verdão e por via das dúvidas mandou Fedato aquecer.

Leivinha, Ronaldo, Edu e Nei perceberam e sabiam que qualquer um deles podia sair. Resolveram correr mais. Enquanto isso Fedato continuava fazendo ginástica ao lado do campo.

Leivinha ajeita de cabeça e Ronaldo marca o gol do título. Todos comemoram. Fedato nem espera a ordem do técnico. Humilde e inteligentemente volta ao banco e senta-se. Brandão olha é dá sua célebre piscada. Fedato tinha feito a parte dele, outra vez.

Como sempre fez, até quando, ha poucos anos, foi encontrar-se com o Mestre e relembrar todas estas histórias.

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