Há 52 anos no Parque Antarctica

foto: de bola e tudo Liminha decide o Mundial

POR JOTA CHRISTIANINI

O tempo passa diria o Fiori Gigliotti, que aliás faria aniversário no dia 27 passado.

Há 52 anos, dia 1o. de outubro de 1955, entrei pela primeira vez em Parque Antárctica.

Campo antigo, com alambrado, mais perto das piscinas, que estavam sendo construídas.
Tarde de sábado; o jogo já tinha começado, descemos do bonde, entrada dos sócios, então uma pequeno portão na Rua Turiassu.

Chegamos ao campo, aquelas camisas verdes chamaram atenção de cara, o Palmeiras atacava. Meu tio nos arrastou para o alambrado, Liminha entrou na área pela meia direita e arrematou.

Gol do Palmeiras! Liminha comemorou correndo em minha direção. Sempre acreditei que só fez o gol porque me viu chegar..

Conto esta historia há 52 anos, ninguém ousou desmentir, nem há de!

Liminha era irascpivel, encrenqueiro, mulato, bom de bola nos tempos do não politicamente correto, ninguém lhe passava as mãos na cabeça. Até porque, quem tentasse, perigava levar uma cabeçada.

Estreou em 51, pouco antes da Copa Rio marcando cinco gols no Flamengo numa goleada de 7×1. Depois marcou o gol, de bola e tudo, que deu o Mundial de 51 ao Palmeiras, mas mesmo assim era o mais visado. Nas confusões mais filosóficas a culpa era do Jair, nos bate bocas mais acirrados o Liminha, invariavelmente, era protagonista.

Morreu há mais de 20 anos, tragicamente em assalto ao condomínio onde era o zelador; ironicamente perto de onde hoje está a Academia do Futebol, CT do verdão, na Lapa de Baixo.

Corta a cena. Festa dos veteranos de 2007, sexta feira passada.

Recebo o aviso:

— A irmã do Liminha acaba de receber a medalha.

Parto para a mesa onde ela está. Entre quatro amigas, elegantemente vestidas, nem preciso perguntar quem é a irmà do Liminha, Eugênia.

Tá na cara !

Fico sabendo que os filhos e netos do Liminha, são todos médicos, pesquisadores da Universidade, professoras, enfim uma família bem constituída, de sucesso e progresso.

Não resisto e conto para Eugênia que Liminha foi meu ídolo; comento o gênio que ele tinha, ela confirma que nunca foi de levar dasaforo para casa e falava o que achava na frente de quem fosse. Conto o caso do primeiro gol que assisti, há cinco décadas, na primeira vez que fui ao Palestra Itália, e que acredito nesse tempo todo que Liminha só fez o gol porque me viu chegar.

Ela bate de sem pulo

— Sabe Jota, o Liminha sempre comentou que só fez o gol porque te viu!
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