O caso Barça II

Luiz Felipe Santoro, da Máquina do Esporte, me enviou um email com um artigo que ele havia publicado naquele site sobre o Barcelona. O conteúdo é muito parecido, mas apresenta alguns detalhes a mais.

Saudações…
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O impressionante FC Barcelona

Por Luiz Felipe Santoro

No ano em que seu estádio (Camp Nou) completa 50 anos de vida, o clube catalão se consolida definitivamente como um dos maiores do mundo, inclusive em termos de faturamento.

Ninguém nunca duvidou da grandeza do Barcelona, mas as demonstrações financeiras do clube antes de 2003 não condiziam com sua importância. O faturamento na temporada 2002-03 foi apenas o décimo-terceiro maior, com € 123,4 milhões (fonte: Deloitte).

Antes da eleição do atual presidente Joan Laporta, em 2003, o clube estava praticamente quebrado, com um déficit acumulado de € 72 milhões. A plataforma eleitoral de Laporta se baseava na gestão empresarial e prometia ‘déficit zero’. No primeiro ano de seu mandato, o déficit não apenas foi zero, como houve um superávit de € 7 milhões, com um aumento de 40% nas receitas e uma redução de 20% nas despesas. Ao final da temporada 2007-08, a dívida bancária estará reduzida a € 13 milhões, ou 4% do atual faturamento do clube.

De 2003 para cá, o clube somente progrediu – em todos os sentidos – tendo atingido na temporada 2005-06 o expressivo faturamento de € 259,1 milhões, o que deixou o clube na segunda posição da tabela, somente atrás do Real Madrid (€ 292,2 milhões).

Para a temporada que se inicia (2007-08), o orçamento do Barcelona é de € 315 milhões (€ 25 milhões superior ao orçamento de 2006-07), com uma expectativa de € 300 milhões de despesas.

Confirmando-se tais previsões, o clube se solidificará de vez entre os maiores do mundo, também em termos de faturamento, mesmo abrindo mão de uma importante fonte de receita que é o patrocínio de camisa, em troca dos benefícios que a associação com a UNICEF traz para a imagem do clube e de sua marca (brand equity).

A expectativa é que a folha de pagamento absorva nesta temporada € 101,2 milhões, mais uma parte variável, por títulos conquistados, de € 33,2 milhões. De qualquer modo, mesmo que o clube ganhe tudo na temporada, sua folha de pagamento não superará 55% do faturamento, o nível ótimo segundo os estudos da Deloitte sobre eficiência na gestão esportiva.

Há quase um ano, no final de outubro de 2006, o Barca prorrogou seu contrato de fornecimento de material esportivo com a Nike até a temporada 2012-13, o que renderá aos cofres do clube € 150 milhões. Recentemente foi aprovada pela Assembléia Geral do clube a extensão de tal contrato por mais 5 anos, até a temporada 2017-18, por mais € 30 milhões por temporada.

Para quem não entendeu o termo “Assembléia Geral” utilizado acima, é exatamente isso: o clube é uma associação (não uma empresa) e seus mais de 156 mil sócios atuais votam em Assembléia Geral todas as matérias importantes de interesse do clube, como a eleição do presidente e contratos vultosos.

No último dia 30 de junho, o Barcelona atingiu mais um recorde em sua história, que foi justamente a quantidade de sócios: a temporada 2007-08 começa com 156.366 sócios. Desse total, 17% são do exterior. Na temporada 2002-03 o clube contava com 106.135 sócios, na temporada seguinte aumentou esse número para 120.379, em 2004-05 atingiu a marca de 131.007 sócios, passando para 144.882 em 2005-06, até chegar aos 156.336 do final de 2006-07.

Não por coincidência, a média de público nos jogos do Barcelona em seu estádio na temporada 2006-07 foi de 74.391 torcedores por partida (isso somente no Campeonato Espanhol, sem contar a Champions League). Quase 1,5 milhão de torcedores estiveram presentes aos 19 jogos do clube em casa. O maior público, como não poderia deixar de ser, foi registrado no clássico contra o Real Madrid: 97.823 torcedores.

Foi a melhor média desde que Joan Laporta assumiu o clube, superando sucessivamente as temporadas 2005-06 (73.199), 2004-05 (73.015) e 2003-04 (66.603).

Nada mal para um clube que estava na fila e praticamente quebrado há apenas quatro anos.

Nada como uma administração profissional, mesmo numa associação.

Que os clubes brasileiros sigam o exemplo. Ou pelo menos tentem…

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