Terminar em pizza

POR JOTA CHRISTIANINI


A memória, ou a falta de, é um dos grandes problemas do brasileiro.


Dia desses no blog do Noblat o dono do blog perguntou qual a origem da expressão “acabar em pizza”. Li respostas de fazer ficar vermelha estátua de pedra. Pior que alguns respondem e ainda justificam dizendo estarem muito bem informado, pois foram orientados por pessoas influentes ou imaginariamente sábias.


Diante das inúmeras sandices o próprio Noblat interferiu e lembrou que conhecia a versão de que a expressão resultava do fim de uma briga de cartolas`palmeirenses. Foi esculhambado por uma gentil senhora que dizia saber com toda exatidão que tudo nasceu por causa do depoimento de uma secretaria, que denunciava o ex chefe, numa dessas CPI.


Prá preservar a verdade, e nesse caso a fonte é a mais abalizada possível, já que ouvi a história do autor da frase, o jornalista Milton Peruzzi, vamos às origens da frase.


Anos 60, e a briga política era intensa em Parque Antárctica; o grupo político do Dr.Delfino Facchina não conseguia compor-se com o pessoal do Raphael Parisi. A reunião não terminava e os jornalistas do lado de fora da sala encostavam os ouvidos na porta para tentar antecipar como terminaria a confusão. A sala da reunião era onde hoje está o salão de festas e os jornalistas ficavam naquela porta que existia quando existia o bar inglês.


De repente o silêncio…


Não se ouviam gritos, nem murros nas mesas. Expectativa! Nisso abre a porta e os que antes brigavam saem abraçados e cantando, talvez o Sole Mio.


Atônitos os jornalistas avançam, Milton à frente, para ouvir os dirigentes.


— Tudo resolvido, tudo acertado, agora vamos comemorar, comendo umas pizzas e tomando “chianti” lá no Mário, na Rua Turiassu.


Peruzzi correu para o único telefone disponível, na barbearia que existe até hoje ao lado do portão. Ligou para a Gazeta Esportiva; deu a manchete para sua coluna, “O Periscopio”.


— A briga no Palmeiras acabou em pizza!


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