Parque Antarctica

por JOTA Christianini

Quem visitar o supermercado Pão de Açúcar existente na Rua Cardoso de Almeida perto da rua Paraguassú, notará um enorme painel com a foto da entrada do Parque Antarctica datada de 1906. Vê-se a entrada de pessoas elegantemente trajadas, cavalheiros de cartola e mulheres de vestido longo. Provavelmente chegavam para uma festa, o que não inibe a presença, ostensiva, de dois ambulantes; um de cada lado do portão principal.

Considerando-se que o Palestra Itália, hoje Palmeiras, foi fundado em 1914, torna-se claro que o Parque Antarctica é anterior ao clube de futebol.

A história é curiosa. Propriedade da Companhia Antarctica Paulista ali se construiu um centro de lazer que incluía um campo de futebol com pequena arquibancada, choperia, local para bailes, reuniões, e como se dizia na época, convescotes. O campo de futebol era arrendado ao América F.C. clube fundado e dirgido por Belfort Duarte, o mesmo que pelo comportamento exemplar que tinha como jogador virou nome de prêmio destinado a quem jogasse futebol, por mais de dez anos, sem ter sido expulso de campo. Como se percebe um prêmio criado com destino certo para o Edmundo.

O Palestra Itália usou desde sua fundação o campo de futebol existente na Vila Mariana, na Rua Major Mirgliano e no local conhecido como “barranco ou buracão” onde hoje passa a Avenida 23 de Maio. Em 1915 passou a usar o Parque Antarctica sublocando o estádio de futebol do América, que com a ausência de seu mentor principal, praticamente deixara de atuar.

Em 1920 o Palestra decidiu comprar a propriedade inteira. A Cia. Antarctica acertou o preço para a venda mas, naturalmente, era preciso a autorização do Presidente do América, Belfort Duarte, que estava a meio caminho do Rio, em Itatiaia onde acompanhava melhoramentos na ferrovia e onde tinha propriedade. Foram cinco horas de trem e mais outras horas no lombo de cavalo até se conseguir a assinatura que liberava a venda da propriedade. O escolhido para a missão foi o mais jovem conselheiro do clube, Sr. Vasco Farinello, pois só assim conseguiria agüentar a empreitada.

Consumada a compra do imóvel o Palestra adquiriu e montou no local as arquibancadas do Estádio do Velódromo, que era o principal estádio da cidade.

A compra foi feitas em três parcelas totalizando quinhentos contos. Paga a primeira e como o caixa andava baixo, o clube até então da colônia italiana, não conseguia pagar a segunda. Renegociou a dívida mas teve que vender parte da propriedade, a que fica em frente à Avenida Pompéia para Industria Matarazzo, que lá construiu uma fábrica, onde hoje constroem um shopping. (na foto ao lado o Sr. Vitorio Rosati, sócio do Palestra Itália, ele é avô do sócio Eduardo Gigliotti; toma uma cerveja, Cascatinha, com um amigo no Parque Antartica em 1918)

Com estas providências o Palestra pagou finalmente a última parcela e tornou-se o legítimo dono do Parque Antarctica, ficando com a obrigação da manutenção do nome do conjunto esportivo, mas já em 1920 batizou o campo de jogo como “Stadium Palestra Itália”.

Na escritrua de compra as condições de favorecimento aos empregados e ao comércio dos produtos Antarctica eram explícitas. A exclusividade duraria 99 anos desde a fundação do Parque, 1904 e durou, até 2003; só produtos daquela fábrica eram vendidos.

O Parque foi local da chegada da primeira corrida de automóvel da cidade com largada em Itapecirica da Serra, prova vencida pelo Sr. Silvio Penteado pilotando um Fiat – sintomática a origem do automóvel hein! – de 50 cavalos de força; foi no Parque que o aviador francês Roland Garros, muitos acreditam que era um tenista, aterrisou o primeiro vôo realizado no estado e lá também que Dimitri Sensoud arremeteu e aterrisou, meio rocambolescamente no bambual que existia atrás das arquibancadas, sua engenhoca, pineiro na construção de aviões no Brasil. (na foto ao lado a Planta do Palestra Itália)

O Estádio Palestra Itália foi o primeiro a ter arquibancadas de cimento armado, primeiro a ter alambrados, o primeiro e único até hoje, com o campo suspenso.
O Parque Antarctica viu Germano atirar uma falta na piscina, façanha somente repetida por Ronaldinho Gaucho no dia que o Palmeiras meteu 6×0 no Grêmio; ou ainda o Corinthians entrar em campo na hora errada, pois o jogo programado naquele torneio início era Juventus e Lusa. A saída dos jogadores foi histórica, vaiados por todas torcidas presentes. Lá Mantovani fez dois gols olímpicos numa única partida, 6×2 na Briosa.

Foi lá que s seleção brasileira exibiu-se pela primeira vez em S.Paulo e lá também, nesse dia, obteve sua primeira conquista da Copa Rocca, ganhando o troféu dos argentinos.

No velho, sempre novo, Parque decidiu-se campeonato paulista, campeonato brasileiro de seleções, taça Mercosul, Libertadores, além das velhas chaminés que ainda existem no outro lado da avenida, terem presenciado o Palestra vencer o Corinthians por 8×0 e o Palmeiras golear o Boca Juniors por 6×1. (foto ao lado do site palestrinos.sites.uol.com.br)

Nas vésperas der ter seu anel de arquibancadas duplicado o Palestra Itália, sempre pioneiro, inova com os novos sistemas de venda de ingressos permitindo a compra e escolha dos lugares da própria casa do torcedor, reforma os vestiários; preparando-se para o mais importante evento esportivo de 2014; o centenário do Palestra-Palmeiras. (na imagem ao lado o Parque Antarctica na sua origem; fonte: palestrinos.sites.uol.com.br)

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