Categorias
Meninos Eu Vi

Então é Natal

Caía a tarde feito um viaduto; dessas tardes de sábado, como no ano que se encerra, antevéspera do Natal.

Não há nenhuma atividade esportiva.

As
emissoras de rádio, com seus compromissos comerciais, tem que encher o
tempo. Resenhas, entrevistas com jogadores em férias, palpites e boatos
sobre contratações, enfim naquela tarde de muito calor parecia que o
tempo não passava.

De repente o locutor eleva a voz, anunciando:

— Agora ouviremos Agustin Mario Cejas, ex goleiro do Santos e da seleção argentina.
Cejas
responde aquelas perguntas óbvias, diz que tem um loja em Buenos Aires
e um pequeno hotel em Mar del Plata, de onde fala naquele instante.

Quando
perguntado sobre os grandes jogadores que enfrentou, fala de Pelé que
foi seu adversário e companheiro, mas detém-se em comentar sobre Ademir
da Guia de quem fala maravilhas.

Lembra de um jogo que estava
empatado e minutos antes do fim, O Palmeiras tem uma falta ao lado do
bico da grande área, na direita de seu ataque. Ademir bate com o lado
externo do pé direito e a bola fazendo uma curva inacreditável entra no
ângulo do gol santista, decretando a vitória palmeirense.

À medida que vai relembrando os fatos a voz de Cejas torna-se embargada pela emoção, até que a chega a pergunta final:


Agustin Mario Cejas, depois de amanhã é Natal; você já veterano,
cuidando dos negócios, longe dos campos; você que jogou na época de
Pelé. Ademir da Guia, Gerson, Leivinha, Leão, Pedro Rocha, Rivelino,
Dudu e tantos outros se tivesse o direito de um único desejo o que
pediria ao bom velhinho.

A emoção toma conta da voz de Cejas.

— Uma tarde de domingo.

Eu amo esse jogo!

Feliz Natal!