Categorias
Meninos Eu Vi

Meninos Eu VI: Duas histórias do América RJ

Esse “causo” eu pedi de bate pronto ao Historiados do futebol Jota, em homenagem ao Ameriquinha, do Rio e do meu amigo e apaixonado por futebol Jaques Meister; obrigado Jota!

Por Jota Christianini


O América tem todo amor dos torcedores do Brasil, exceto os do Flamengo, embora eu acredito que ele tenha alternado fases de amor, poucas, e muitas de desamor a seus admiradores.

Belfort Duarte fundou um América em cada canto, menos o do Rio. Chegou depois e segundo os próprios americanos fez o grande favor de tirar o preto da camisa, tornando-o apenas alvi-rubro e não como o de um outro time, cujo nome eles não falam.

Belfort Duarte estava em Itatiaia construindo ferrovia quando foi procurado por um conselheiro do Palestra para anuir a venda do Parque da Antarctica, ja que o América Paulista, presidido pelo Belfort ,tinha a preferência.

Campeão carioca algumas vezes, em 1955 o América tinha um timaço. Canário (depois Real Madrid o resto da vida), Romeiro, Maneca, Alarcon e Ferreira (time da foto), e buscava interromper o tri do Flamengo.

Jogavam com a bola no chão, tática conhecida como “tico tico no fubá”.

O Flamengo queria o seu segundo tri, era bi (53, 54). Empataram nos pontos; veio a melhor de três.

O Flamengo ganhou a primeira 1×0 e perdeu a segunda, incríveis 5×1, com o argentino Alarcon barbarizando.
Veio o terceiro jogo, aos 8 do primeiro tempo o cangaceiro Tomires tirou Alarcon do jogo, não se permitiam substituições, e o Flamengo venceu facil, 4×1 e comemorou o tri.

Tempo corre e uma testemunha insuspeita que estava no campo os 90 minutos do jogo, disse-me:

“Conversa! o Alarcon fingiu.”
A cidade-estado do Rio muda o nome para Guanabara e o América ganhando o título de 60 é o primeiro campeão do estado.

Hoje o América tem o melhor estádio particular do Rio (escândalo não conta, por isso, fora o Engenhão). Mas quando o assunto é ESTÁDIO o América tem suas primazias.

Foi de Belfort Duarte a idéia de um estádio único para todos os times, embrião, na ideia, do Maracanà, assim como foi com a camisa, maravilhosa, do América que Heleno de Freitas, o Gilda, protagonizou espetáculo à parte.

Heleno, uma vida inteira no Botafogo foi embora para o Boca, brigou, como sempre e voltou ao Vasco onde foi campeào carioca, mas a torcida adversária pegava no pé do temperamental Heleno. Bastava chamá-lo de Gilda (personagem de Rita Hairworth, no filme do mesmo nome) para ele perder a estribeira. Manifestava os primeiros sinais da sífilis que o matou, anos depois, num hospício em Barbacena.

Brigou no Vasco e foi para a Colômbia, em 1949.

Voltou em 51 com o Maracanà já inaugurado. Passou rapidamente pelo Santos e integrou-se ao América. Treinou com afinco, surpreendendo a todos.

Até que estreou no time, jogo contra o S.Cristovào no Maracanã.

Antes de acabar o primeiro tempo, sem mais nem menos, criou confusão danada e foi expulso.

Desceu as escadas do túnel, tirando a camisa e anunciando o fim da carreira.


“Eu queria jogar no Maracanã! Isso eu fiz hoje… agora desisto de uma vez.”