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Palmeiras de Cacau-Pirêra

POR JOTA CHRISTIANINI

Não
procure a cidade de Cacau-Pirêra no mapa. Hoje ela é longe, uns bons
quilometros adiante de Manaus, pelo Rio Negro, imagine como ela era bem
mais longe em 1970.

Pois foi de lá que o Palmeiras recebeu uma carta.

O Major Gerson Mendonça de Freitas, do Comando Militar da Amazônia, 12a. região Militar escrevia comovido.

“Aqui
em Cacau-Pirêra formaram um time de futebol e deram o nome de
Palmeiras. O local é pobre, paupérrimo e o deslocamento aqui na região
é de barco. Eles jogam descalços e a única referência que eles têm do
Palmeiras é uma velha e desbotada bandeira que colocam no barco, quando
vão jogar. Demoram normalmente quatro horas de viagem, todos os
jogadores vão remando para o local do jogo.”

Quem trouxe a
história foi o saudoso Antonio Carlos Morbio; os novos talvez não
saibam mas o Morbio, Bacic, Barbosa, Arnaldo e outros tantos abnegados
foram os responsáveis pelas primeiras torcidas uniformizadas do
Palmeiras.

Morbio, além disso, também é o autor do melhor livros sobre a história do Verdão, o SEMPRE PALMEIRAS.

O major escreveu ainda:

“É
comovente vermos esses canoeiros, com a bandeira do Palmeiras,
atravessando rios enormes, jogando em clareiras abertas na floresta,
lutando contra o adversário, contra o meio agreste, contra tudo, porém
empunhando a bandeira palmeirense.”

Eram difícies as comunicações com a Amazônia naquela época.

A
carta chegou e emocionou. O Palmeiras movimentou-se e mandou jogos de
camisas, calções, bolas, uma delas autografada por todo elenco, e
bandeiras.

Tempos depois o Major comunicava:

“Foi
um dia inesquecível para todos os ribeirinhos, que de lanchas e barcos
afluíram ao local do jogo; a bandeira do Palmeiras tremulava no barco
dos jogadores, para alegria de todos.

O Palmeiras foi o primeiro clube a incentivar o esporte amazonense” completava, agradecido, o militar da longínqua Cacau-Pirêra.

Jota Christianini