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Vavá, o peito de aço

POR JOTA CHRISTIANINI


seis anos perdíamos Edivaldo Izidio Neto, o nosso Vavá, Peito de Aço.
Chegou ao Palmeiras em 61, para ser campeão paulista de 63, vencer o
Pentagonal do México e Torneio de Firenze, e ajudar, em muito, a
Seleção Brasileira a conquistar o bi mundial no Chile.

A importância de Vavá, no cenário do futebol brasileiro começou a ser contada desde o mundial da Suécia em 58.

Todos
tinham medo, para dizer a verdade até hoje dá medo só de lembrar; os
soviéticos já tinham uma máquina que permitia filmar e reproduzir
imediatamente toda jogada dos treinamentos brasileiros.

Que maquina diabólica seria aquela? Não sabíamos ao certo, mas nos metia um medo incrível.

Aquele
domingo, ensolarado para nós, prometia. Muito longe daqui, la na
Suécia, o Brasil decidiria a sua sorte, a sorte do seu futebol e até do
seu Governo contra a União Soviética.

O presidente Juscelino avisara o chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho.

“Ganhar dos russos, me ajudará e muito, politicamente”.

Mal começado o jogo Garrincha driblava , chutava na trave, voltava a driblar e finalmente cruzou, Didi dominou e lançou.

Neste instante nascia uma lenda.

Vavá rompeu pelo meio da zaga soviética e fuzilou Yaschin.

Veio
o segundo tempo e mesmo saindo machucado da jogada, Vavá entrou pelo
meio de mil pernas embranquecidas marcou o gol da vitória. Nascia a
lenda do Peito de Aço. Os que tiveram a sorte de ver este futebol
maravilhoso lembra do Geraldão José de Almeida berrando ao microfone:

“Peito de Aço, domina e carrega”.

Era
Vavá que ainda achou tempo de marcar na semifinal um golaço depois da
matada no peito, contra os franceses; e com dois golaços, aproveitando
cruzamentos de Garrincha, virar o jogo final contra a Suécia. Na outra
copa, no Chile em 62, marcou mais quatro gols, um deles na final,
finalizando como artilheiro da competição.

Marcou seis gols somente contando as semi finais e as finais das duas copas do mundo que jogou e ganhou. Fato raro!

No
Palmeiras atingiu condição de ídolo instantaneamente; sua força de
vontade e decisão agradaram aos palmeirenses de imediato. Fez 71 gols
em 142 partidas, marcando um gol a cada dois jogos, sem contar que
jogou num ataque em que todos marcavam muitos gols: Servilio,
Tupãzinho, Ademir da Guia, Nilo, Julio Botelho e tantos outros.

O
palmeirense jamais esquecerá a noite que praticamente nos deu o título
de 63. Vencemos o Corinthians por 5×2 a Vavá marcou dois gols e foi sem
dúvida o grande valor daquela partida, proporcionando uma cena
raríssima. O presidente Delfino Fachina, avesso a esse tipo de atitude,
invadiu o campo para abraçar o centroavante.

Agora Vavá é apenas uma lembrança.