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Meninos Eu Vi

Eram tantos santos, o nosso era Djalma Santos

POR JOTA CHRISTIANINI

Créditos das fotos: palestrinos.uol.com.br

Na primeira vez que viajou de avião perguntou para aeromoça onde estavam os paraquedas.

Batalhou na Lusa, foi ate campeão do mundo, a primeira vez em 58, mas não ganhava nenhum título no Brasil.

Um dia o Palmeiras vendeu Mazzola e comprou um selecionado inteiro. Djalma Santos entre eles.

Chegou, viu e venceu.

No primeiro ano, Campeão Paulista. A bem da verdade: super-campeão; ainda no campo, só dizia: consegui!

Pouco
antes, em 58, na Suécia, foi reserva a Copa do Mundo inteira. Escalado
na final tinha que marcar Skoglound, mais famoso ponta esquerda da
Europa. Djalma Santos ignorou o adversário e achou tempo para apoiar o
ataque, coisa rara naqueles tempos. Foi eleito, com um jogo apenas, o
melhor lateral daquele mundial, como já tinha sido eleito em 54 e seria
novamente em 62.

A FIFA convocou uma única vez, em 63, a seleção
mundial para comemorar o centenário do futebol. Só um brasileiro jogou:
Djalma Santos.

Foi
gigantesco no Palmeiras, adorado por todas as torcidas era verdadeiro
ídolo no Parque Antarctica. Tinha a jogada característica de passar o
pé esquerdo na bola por sobre o pé direito, levantá-la e sair jogando.

Cavalheiro era incapaz de um gesto de violência; mesmo os adversários jamais o criticavam.

Naquela
tarde de sábado o menino Gilberto Junior foi à Vila Belmiro ver o
Palmeiras ganhar do Santos. Ficou no alambrado perto de um sujeito,
aparentemente alcoolizado, que ofendia Djalma Santos cada vez que ele
se aproximava. Os próprios torcedores santistas reprovavam, mas o
camarada insistia.

Usou todos os apelidos pejorativos e acrescentou alguns palavrões. Nada tirava o sossego e a classe do Velho Lobo.

De repente a bola espirra e vai parar no alambrado perto do sujeito que xingava.
Djalma
foi recolher a bola para cobrar o lateral, o camarada aproveitou-se e
além de cuspir tentou agredir. Gesto brusco e a aliança que usava
soltou-se e caiu no chão.

Djalma Santos largou a bola e ante os aplausos de todos, devolveu a jóia ao agressor

— Olha é sua, você deixou cair!

O menino Gilberto jamais esqueceu o gesto.

Eram tantos santos… o nosso era Djalma Santos.

JOTA CHRISTIANINI