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Mario Vianna com dois ENNEs

POR JOTA CHRISTIANINI

Mário Gonçalves Vianna, nasceu no Bairro da Urca, no Rio e dela nunca saiu. Aliás, se saiu, fisicamente sua cabeça ficou por lá.

Inteligência
não era seu forte. Foi da Polícia Especial, milícia criada pelo Getúlio
Vargas que incorporou sujeitos que tinham músculos em número maior que
neurônios.

Mário Vianna, quando descobriu que seu nome tinha a
letra “n” dobrada, passou a exigir essa grafia e com isso criou o
slogan que o acompanhou pela vida toda
“Mário Vianna com dois ennes”.

Gostava
de apitar jogos entre os policiais até ser convidado para federação
carioca. Na estréia, torcedor confesso do S. Cristovão, expulsou um
jogador do seu time do coração, mostrando a que veio no futebol.

Polêmico,
arrumou todas as confusões possíveis. Devolveu as garrafas que os
torcedores do Flamengo atiravam para atingí-lo em General Severiano; na
Copa de 54, apitando Suiça e Itália, foi peitado por Boniperti, pouco
antes do intervalo. Esmurrou o jogador italiano sem a menor cerimônia,
e ainda ajudou os enfermeiros a levá-lo para o vestiários. Nessa mesma
copa quando o Brasil perdeu para Hungria, afirmou que a péssima atuação
do ultra conservador britânico, Mr. Ellis, fazia parte do complô
comunista (sic) contra o Brasil.

Foi expulso da FIFA.

Logo
após o Uruguai ter ganho a Copa de 50, em pleno Maracanã, marcaram um
jogo entre brasileiros e uruguaios na categoria de universitários. O
centromédio Faria distribuia pontapés a vontade. Mario Vianna não
tolerava violência no campo, mas não perdeu a oportunidade da pequena
vingança diante dos orientais. Falando baixinho, mas dedo em riste,
aproximou-se de Faria e mandou que ele continuasse batendo firme nos
uruguaios pois caso contrário… e aí, elevando a voz num berro que o
estádio inteiro ouviu:

— EU LHE BOTO PRÁ FORA ENTENDEU MOLEQUE!!

Terminou um jogo em Madureira numa confusão daquelas. Brigas e reclamações de todo lado.

Nos vestiários percebeu a presença de alguns milicianos

— O que voces estÃo fazendo aqui?

— Lá fora tem uma multidão querendo pegá-lo, viemos protegê-lo.

— Pois então saiam lá fora e protejam a multidão, que Mário Vianna vai sair.

Anos
depois foi comentarista de arbitragem da Rádio Globo e criticou
abertamente os comentaristas que participavam de mesa reDonda porque
fumavam, dizendo horrores do vício do fumo, esquecendo que o
patrocinador do programa era uma conhecida marca de cigarros.

Apitou em São Paulo e como sempre os jogos acabavam em confusões homéricas.

Repentinamente,
em 1957, abandonou o apito e foi ser técnico justamente do Palmeiras; o
time estava em má fase e a escolha de Mário Vianna causou polêmica, e
muito mais polêmica viria pela frente.

Nos 14 jogos que dirigiu o time conseguiu, além de acumular 8 derrotas, protagonizar cenas hilárias em todos os jogos.

Desde
a declaração que entregava uma camisa ao Formiga outra ao Mazola e
jogava as demais para cima, quem pegasse que jogasse; até a mais famosa
e que de certa forma mostrou que era, como dizia, vidente.

O
juiz austriaco, Erick Steiner prejudicou demais o Palmeiras no derby de
novembro de 57. Expulsou o zagueiro Mucio pouco depois da metade do
primeiro tempo. Jogo estava empatado e o time palmeirense resistiu até
os três minutos finais do segundo tempo quando o adversário desempatou
em visível impedimento.

Todo mundo estranhou que ao final do
jogo Mário Vianna não tentasse agredir o árbitro. A atitude cordata
destoava de seus hábitos.

Mário encaminhou-se aos vestiários, parou pouco antes do túnel, ajoelhou-se no gramado e bradou:

Deus há de fazer com que esse time fique vinte anos sem ser campeão.

Errou: foram 23!!