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Barbosa Filho e o plantonista irritante

Por Jota Christianini*

Barbosa
Filho conseguiu nos anos 70 uma proeza que, hoje, só Luciano do Valle
consegue: Trabalhar em São Paulo e Recife ao mesmo tempo. Barbosa era o
maior ídolo do rádio jornalismo local e chefe da equipe da rádio Clube
do Recife, torcedor do Sampaio Corrêa do Maranhão e ainda achava tempo
para ser comentarista da Rádio e TV Gazeta em Sampa.

Ano de
1974, as verbas publicitárias da rádio pernambucana não eram altas e
precisavam que o Santa Cruz fizesse um bom papel no brasileiro.
Aquele jogo na tarde de sábado era decisivo, mas pelo que se viu no primeiro tempo as coisas não pareciam melhorar.

Intervalo
de jogo e o Palmeiras ganhavam de 4×0, três gols de César que por causa
destes gols foi convocado por Zagallo para a copa na Alemanha.

Barbosa
Filho, impaciente, vendo voarem as chances de aumentar o patrocínio da
emissora, comentava a partida e de repente ouviu o sinal do plantão;
Barbosa continuou falando vociferando contra a atuação time do
nordeste. O plantão insistiu com seu toque irritante.

Barbosa
continuou comentando, mas no terceiro toque não resistiu; parou seu
comentário e acionou o plantão Mané Queiroz. Após a informação
totalmente insignificante, resultado de 0x0 no intervalo de um jogo de
juvenis no Recife, a transmissão voltou para a complementação do
comentário. Aí deu-se o fato; Barbosa Filho perguntou ao plantão:


Ô Mané, você se lembra onde eu estava na hora que você me interrompeu
prá dar esse resultado mequetrefe do futebol de Pernambuco?

Mané, com toda sua ingenuidade, respondeu no ato:


Barbosa, você está no Parque Antártica, comentando o jogo Palmeiras 4×0
Santa Cruz, ao lado de Roberto Queiroz, pela Super Rádio Clube de
Pernambuco.

Barbosa olhou pra Roberto, balançou a cabeça e falou:

– Pois acertou! E amanhã, às 14 hs, estarei aí na rádio, no departamento pessoal assinando tua demissão!

*Jota Christianini é Diretor do Departamento de História do Palmeiras e toda semana escreve uma coluna.