Bilhete de Armando Nogueira para Valdívia

Armando Nogueira é um dos últimos poetas do futebol brasileiro,
e para mim um cronista que – se nunca foi apaixonado pelo Palmeiras
também não parece ter tratado nosso time de forma pejorativa ou insequente.

Pois bem, Armando Nogueira, voltando depois de se restabelecer de um
problema de saúde, escreveu um belo texto publicado no Lancenet!.

Vale a pena ler!

Saudações!!
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Armando Nogueira escreve bilhete para o chileno Valdivia

Colunista do LANCE! defende a arte do drible e consola meia palmeirense

Valdivia meu caro. Não preciso conhecer-te pessoalmente para tomar a liberdade de escrever-te este bilhete.

Fiquei sabendo que o pau anda cantando nas tuas canelas e que tu estarias tomando essas agressões como coisa pessoal. Talvez alguns jogadores que não vão com a tua cara. Pode até ser, mas não esquenta. Posso te garantir que a bronca é antiga. Mas, sou capaz de jurar que a birra é contra o drible. Os medíocres detestam o drible.

Quando o futebol apareceu no mundo se chamava “jogo do drible”. Por ai já se vê que a intenção dos inventores era fazer desse esporte um passatempo cheio de graça.

Acontece que o drible não é como o sol que nasceu para todos. O drible acabaria se tornando um privilégio.

Só os eleitos merecem o dom que, por sinal, os deuses te concederam. O drible é uma invenção que nasce do coração. O driblador é um poeta.

Quando um brucutu te dá um pontapé, ele não está agredindo apenas e tão somente o cidadão Valdivia; ele está afrontando toda uma dinastia que foi canonizada pelas canelas de Stanley Mattews, de Garrincha, de Zico, de Júlio Botelho, de Maradona e de tantos outros apóstolos do evangelho do drible.
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Armando Nogueira escreve bilhete para o chileno Valdivia, LANCEPRESS! – Colunista do LANCE! defende a arte do drible e consola meia palmeirense

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