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Faz um quatro aí que eu quero ver

Por Jota Christianini; fotos do http://palestrinos.sites.uol.com.br/

Existem
clubes que nasceram e viveram sob a influência de algum número. O
Botafogo é o sete, o Palmeiras é o cinco, das cinco coroas, dos cinco
títulos consecutivos, em várias ocasiões, 51, 72, 93, enfim cada um com
sua sina.

Tem um clube cuja sede fica no Jardim Leonor que nasceu, viveu e parece gostar do número quatro.

Tudo é quatro com eles.

O Palmeiras, desde seus tempos de Palestra colabora para que o número continue sendo o mais querido pelo rival.

A
coisa vem de longe; em 1935, depois de ceder o nome, os títulos e
principalmente as dívidas para o Tiete, o clube, que hoje tem sede no
Jardim Leonor, tentou reerguer-se e para tanto pediu emprestado QUATRO
jogadores do Palestra Itália para realizar sua primeira partida contra
a Briosa. Pediu também o estádio do
Parque Antarctica emprestado, gratuitamente.

Posteriormente
em 38, depois de outra crise econômica que quase os leva a nova
falência, o célebre jogo das barriquinhas em que Palestra Itália e
Corinthians, jogaram para ajudar a sanear as finanças do time que
nasceu sob o signo dos quatro, rendeu a importância de QUARENTA E
QUATRO contos de réis.

Em 42, olha o QUATRO aí de novo, depois
de tudo o que se sabe fugiram do campo quando, no primeiro dia do novo
nome, o Palmeiras ia metendo-lhes o QUARTO gol.

Nem vou contar
dos QUATRO a zero em que Evair fez o que quis, muito menos no gol do
Alex, aliás QUATRO a dois, em que o meia palmeirense deu chapéu em dois
zagueiros, no goleiro e no ego do goleiro – epa! QUATRO chapéus – antes
de fazer um dos mais lindos gols do futebol brasileiro; muito menos vou
relembrar quando Aymoré Moreira colocou o Ademir da Guia na ponta
esquerda e o peruano Gallardo liquidou com eles no

Morumbi, outro 4×2.

Passo
ligeiro no jogo de Ribeirão Preto, 4×1, em que o goleiro adversário,
que já estava no Guiness como o goleiro que mais vezes sentou num banco
de reserva em jogos de copa do mundo, conseguiu a façanha de tomar três
gols de pênaltis e de três jogadores diferentes e não sair na foto em
nenhum, e não tomou o QUARTO gol de pênalti porque o juiz não marcou
qualquer um dos outros dois que aconteceu.

Volto ao passado;
1947 agosto; campeonato paulista. Jogava pelo Palmeiras na ponta
direita, o carioca, nome de craque Luis Pereira, apelidado Lula,
jogador de poucas habilidades técnicas, mas de chute violento.

Nesse
Choque-Rei, Lula desencantou marcou três gols, os três de falta. Mais
de sessenta mil pessoas no estádio, não acreditavam no que viam, um
jogador marcar três gols de falta num goleiro da classe de Gijo era
coisa que não se podia imaginar, mas o jogo seguia, Neca havia marcado
para o time, então do Canindé.

O jogo caminhava para o final
restavam 14 minutos – olha o QUATRO – , quando Noronha fez o segundo e
logo depois Leônidas da Silva, empatou.

Faltando apenas QUATRO minutos para o fim e o time do tenente Porfírio da Paz tem um pênalti a seu favor.

O
Pacaembu enlouquecia, o Palmeiras depois de o Lula ter feito três gols
de falta, poderia perder o jogo. Leônidas quer bater o pênalti, mas é
impedido pelo seu companheiro, China, que bate para fora.

Oberdan imediatamente cobra o tiro de meta, o campeoníssimo ataca e Osvaldinho marca o QUARTO gol do Palmeiras, 4×3.

Na época, a choradeira do perdedor encontrou um culpado, o goleiro; tomou todos os gols de falta num lado só.