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Quando o Palmeiras liquidou 1000 anos de astrologia

Por Jota Christianini
Créditos para a foto: http://palestrinos.sites.uol.com.br

O
camperonato paulista de 63 corria frouxo, por pontos corridos. O
Palmeiras fazia campanha irregular no primeiro turno; Geninho era o
treinador (não é esse de agora era outro, que ja morreu) não acertava o
time e nem se acertava com o time.

Apesar de tudo disputava a
liderança, mas naqueles tempo isso era pouco para o Palmeiras. Assim
sendo mandou o treinador embora; onde já se viu ganhar só de 1×0 do
Jabaquara.

Rua com Geninho! E enquanto o time metia 5×1 na Lusa
sob a direção do gerente Mario Travaglini, chegava Silvio Pirilo.
Chegou e ficou invicto até o fim do campeonato: 13vitórias e um empate.

Porém, e sempre tem um porém, um fato extra campo agitou o ambiente. O Brasil estava vidrado em astrologia!

O
cidadão mais requisitado para a TV, rádio, jornais e revistas era Omar
Cardoso astrólogo que fazia, a torto e a direito, previsões baseadas
nos astros. Vindo de Campinas, dizia que a astrologia tinha mais de mil
anos e que nunca falhava. A frase favorita era “os astros não mentem
jamais”.

Tinha até revista com seu nome. Silvio Luis – esse é o
mesmo Silvio de hoje – estava na TV Bandeirantes e como era praxe levou
Omar a seu programa. Perguntou-lhe quem seria campeão paulista daquele
ano.

Não entendendo lhufas de futebol, Omar se atrapalha, faz
algumas perguntas sem sentido sobre a validade do campeonato e acaba
dizendo que campeão terá as três cores da bandeira paulista.

Todos
jornais noticiam; há forte comoção na cidade. Como é que pode? O
Palmeiras vem melhorando, até ganhou do Santos de Pelé com um golaço de
Ademir da Guia no finzinho do jogo, e esse astrólogo vem com essa
conversa?

Discussão para todos os gostos; bares, escritórios, redações, todos discutem.
Perda
de tempo, o Palmeiras que ganhara em seguida de Lusa, Ferroviária,
Guarani, Botafogo, Esportiva de Guaratinguetá, XV de Piracicaba, Santos
e Prudentina jogaria contra o Corinthians, fora do páreo como era praxe
na época, e encaminharia as faixas de campeao.

Foi sem susto: 5×2 no time da fazendinha!

Faltavam duas rodas e um simpels empate em um dos jogos daria o título ao Verdão.
O
Pacaembú lotou na penúltima rodada. Diante do Noroeste, nem a chuva
persistente impediu os palmeirenses de conferirem a conquista do título.

Gildo
perdeu pênalti, mas Servílio – duas vezes – e Julinho decretaram a
goleada e o título. O jogo nem tinha acabado e duas imensas faixas
gozavam o astrólogo e sua infalível ciência.

“Palmeiras, acabou com 1000 anos de astrologia”

“Os astros nào mentem jamais, mas os astros estão no Palmeiras”

A
torcida comemorava e pedia por Omar Cardoso, cade o Omar? escondido
numa fazenda em Campinas nao ousava aparecer nem para trabalhar.

A
situação ficou tensa nos dias seguintes. Até que o mesmo Silvio Luis
teve a idéia de que Omar entregasse a Taça nas mãos de Delfino Fachina,
o que era feito na terça feira seguinte, durante o programa Miss
Campeonato, humorístico em que personagens vestidos com as camisas dos
times almejavam ficar com a miss que casaria com o campeão.

Foi preciso muita arte e diplomacia para livrar Omar Cardoso de tomar sopapos na “faccia”.

Faltava
um jogo e caberia ao time do Jardim Leonor entregar as faixas de
campeão; afinal, aquele que teria sido escolhido pelos astros, teria
que reverenciar o campeão de fato e de direito. Mas valeu a voz firme
de Ferrucio Sandoli.

“Taça e faixa de campeão do Palmeiras só palmeirense bota a mão”!

Convidou
um monte de jornalistas, artistas e palmeirenses para colocarem a faixa
de campeão antes do último jogo, que aliás o Palmeiras, com gol do
Vavá, também ganhou.

Jota Christianini

Nota
do Autor: Não é costume mas farei uma nota extra-causo: publico a foto
do time campeão e da diretoria (acima). Além da altíssima qualidade dos
jogadores – Vavá, Julinho, Ademir da Guia, Zequinha, Gildo, Servílio,
Tupãzinho – e outros, percebam que tínhamos na direção, e na comissão
tecnica, ao mesmo tempo: Delfino Facchina, Paschoal Giuliano, Oscar
Paulilo, Arnaldo Tirone, Ruy Cardim, Mario Travaglini, Silvio Pirilo e
Julio Mazzei.

Tinha que ser campeão!