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Futebol com Números

Quanto custa um time?

Afinal, quanto custa um time?

Bom, essa é uma pergunta que merece uma boa resposta, afinal, contratações de bons jogadores exigem dinheiro (às vezes, MUITO dinheiro), mas também a manutenção desses jogadores é muito cara.

Uma das coisas que todos os presidentes de clube costumam dizer é que não é viável manter um time sem a venda de um ou dois jogadores por ano.

Fizemos um pequeno exercício que deve nos ajudar a entender esse mecanismo de receitas e custos. O exercício não tem como objetivo entender os custos do Palmeiras, mas sim os custos de um GRANDE time de futebol. Esse exercício também não tem pretensão de ser acurado, mas sim de fornecer valores aproximados!
Imaginei um time de futebol com uma comissão técnica de primeira linha, time principal e uma equipe B que joga os demais torneios para “alimentar” o time principal.

A comissão técnica:

A comissão técnica seria composta por 11 profissionais: técnico, auxiliar-técnico, dois médicos, fisioterapeuta, preparador físico, fisiologista, preparador de goleiros, nutricionista e dois massagistas. Como todos devem ser profissionais de primeira linha, todos têm salários altos.

Neste caso, precisei fazer algumas considerações: os participantes da comissão com salário mais alto recebem no regime de PJ (para efeitos fiscais, cada um é uma pequena empresa que “presta serviço”para o Palmeiras) e, portanto, não pagam encargos sociais.




Então, a nossa comissão técnica de alto nível custa a “bagatela” de R$ 4,8 milhões por ano!!!!


A equipe principal:

A equipe principal deve contar com 28 jogadores: 11 titulares e 17 reservas, lembrando que sempre acaba tendo alguém contundido.

Assumi alguns valores para os salários e assumi que metade do que os jogadores ganham é via “direito de imagem”, que também não paga encargos sociais.






Vocês podem reparar que alguns titulares ganham mais do que alguns reservas, uma vez que sempre alguém é contratado e perde o lugar no time por alguém da base do clube, que costuma ser mais barato.

Talvez eu tenha “inflacionado” um pouco os salários, mas a nossa equipe principal custa R$ 21,3 milhões por ano.

A equipe B

A equipe B também deve ter uma comissão técnica própria, mas, obviamente, bem menor do que a da equipe principal e com salários menores, afinal, devem ser profissionais que estão mais em início de carreira.

Assumi que seriam 24 atletas, com salários médios de R$ 4 mil. Lembrem-se que as futuras promessas do Verdão devem ser formadas aí e um ou outro deve ter um salário maior para o caso de algum time querer “roubá-lo”.



Assim a equipe B custaria cerca de R$ 2,6 milhões ao ano.

Conclusões

A nossa equipe de primeira linha custa R$ 28,8 milhões por ano!

Uma pequena fortuna!

E olha não consideramos na nossa análise todos os gastos referentes à manutenção de toda a infra-estrutura do clube, deslocamentos, hotéis, refeições, etc. Esses são custos que não são desprezíveis e também chegam aos milhões de reais por ano!

Imaginando que os contratos de patrocínio mais altos do Brasil chegam a cerca de R$ 12 milhões por ano e que a renda líquida anual de bilheteria deve chegar a R$ 8,4 milhões por ano (30 jogos no ano, com receita bruta de R$ 400 mil por jogo e gastos de 30% da receita), teríamos uma receita de pouco mais de R$ 20 milhões.

Assim, percebe-se a dependência dos clubes em relação às cotas de TV, que devem cobrir a diferença de arrecadação, cobrir todos os demais gastos do clube e ser ajudar o clube a fazer contratações de peso. Talvez isso explique o grande interesse do pessoal do Jardim Leonor em mudar as cotas de TV…

Aos poucos iremos detalhar esse modelo, mas, à princípio, parece que é verdade que os grandes times precisam vender um ou dois jogadores por ano para fechar as contas! Assim como é verdade que precisamos criar fontes alternativas de receita!

Saudações AlviVerdes