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Como as coisas mudaram!


Por Jota Christianini

O ano de 1962 não foi muito propício ao Palmeiras. Não foi lá essas coisas… o Palmeiras sabia que tinha Chinesinho; e não sabia, mas tinha Ademir da Guia.

Essa informação a gente guarda e trata na outra semana, outro caso, parecido com causo, tal o inusitado.

Voltamos ao Chinesinho, chegou ponta esquerda e de seleção, mas demorou a se achar. Quando o mestre Brandão tirou-o da ponta colocou na meia, cresceu demais, demais mesmo!

Campeão, novamente seleção, cérebro do time e o que era raro: cobiçado por times europeus.

Foi para o Milan, via Modena, pela incrível soma de 130 milhões de cruzeiros, seja lá quanto isso queria dizer na época, mas era muito.

O Palmeiras guardou o dinheiro e esperou 1963, e como se dizia: abalou!
Comprou praticamente um time inteiro. O dinheiro do Chinesinho deu frutos e que frutos.

Picasso: conseguiu a proeza de ser titular deixando Valdir Joaquim de Morais no banco, jogou na seleção brasileira em dezenas de jogo.

Djalma Dias, veio do América, para ser considerado o melhor zagueiro central do Brasil.

Vicente tinha sido campeão da Taça Brasil no Bahia, veio foi titular na zaga e na lateral, campeão aqui.

Ferrari: titular absoluto da lateral esquerda, o mais rápido jogador em atividade naqueles anos.

Tupãzinho: no dizer do argentino Bilardo, hoje treinador, o melhor jogador que atuou em gramados argentinos nos anos 60.

Nilo, ponta esquerda, veio do América; fez um gol decisivo para o titulo de 63, em Ribeirão Preto contra o Botafogo.

Paulo Leão, atacante, veio do Guarani; impossível tirar o lugar e o brilho de Vavá. Ele tentou.

Elci chegou como desconhecido do EC Recife. Não estranhem, era assim que chamavam o Sport. Foi embora nas mesmas condições, foi a única contratação que não deu certo..

Nelson Coruja veio da Lusa, não aprovou de inicio, viajou pelo interior, América de Rio Preto e voltou para ser quarto zagueiro campeão.

Tarciso veio do Botafogo de Ribeirão Preto, era volante, brilhou contra o Corinthians num sábado de carnaval, Palmeiras 1×0, gol de Tupãzinho.

Tudo isso com parte do dinheiro do Chinesinho, não gastaram nem 100 milhões. Ainda sobrou dinheiro para trazer o Servilio que estreou nesse mesmo sábado de carnaval, do 1×0 contra ellllles, quando o baile começou à tarde no Pacaembu.

Chinesinho foi embora, deixou saudades e o cofre cheio, suficiente para ajudar a montar a primeira academia; até 1967 o Palmeiras venceu dois campeonatos paulistas, uma Taça do Brasil, um Rio-SP e primeiro Robertão.