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Futebol com Números

O balanço financeiro dos clubes

por Luís Fernando Tredinnick




Utilizando a sugestão do leitor Mauricio Basqueira Curtolo que nos enviou vários balanços, vamos escrever uma série de artigos sobre a situação financeira dos clubes.

Este primeiro é sobre receitas. Vamos comparar as receitas dos times do estado, mais o Cruzeiro e o Fluminense. Infelizmente não conseguimos o balanço do Internacional de Porto Alegre.

O primeiro comentário é que nós precisamos acreditar nas informações dos balanços. Existem muitos exemplos de “contabilidade criativa” no mundo corporativo, e, para mim, é difícil acreditar que não existam “ajustes” nesses números, mas essa é a informação que temos.

Observem abaixo o gráfico com os valores totais das receitas, tanto para 2006 quanto para 2007.

Realmente é complicado observar que temos menos da metade das receitas dos nossos adversários do Jr. Leonor. Mas, como dizem os filósofos: “é preciso aceitar os fatos para torna-los úteis”. E como vamos tornar esses fatos úteis? Aprendendo com os adversários e desenvolvendo novas fontes de receita.

Mas, porque temos tanta diferença de receitas? Observem na tabela abaixo a composição da receita dos clubes para 2007.





A primeira coisa que chama a atenção: o alto impacto da venda dos atletas! Aliás, depois farei um post sobre específico a venda de atletas e de como isso acaba afetando os clubes.

Observem que quando excluímos a venda dos atletas, as receitas do Palmeiras são da mesma ordem de grandeza que as do corinthians e santos, mas maiores do que as do Cruzeiro, um time com muito menos torcida que o nosso. Ainda assim, o pessoal do Jr. Leonor consegue gerar R$ 26 milhões em receita a mais do que o Palmeiras.

Bilheteria: quando comparamos as receitas de bilheteria com o Cruzeiro, parece razoável que tenhamos quase o dobro de receitas. Mas, teremos menos receita do que o Santos? O Santos participou da Libertadores e teve um bom desempenho no torneio. Adicionalmente ainda não tínhamos o Setor Visa, que pegou um lugar cujo preço de R$ 20 e passaram a cobrar R$ 50. Adicionalmente tínhamos, em alguns jogos, 70% de meia-entradas! Uma das coisas que aparentemente mudaram nesse ano de 2008.

Direitos de TV: apesar de algumas diferenças entre as receitas nos balanços dos clubes, motivadas por adiantamentos de cotas de TV, existe uma divisão de cotas definida pelo Clube dos 13. Lembremos que o pessoal do Jr. Leonor quer mudar essas cotas, com mais dinheiro para eles, logicamente.

Publicidade e Patrocínio: essa dói. Temos uma receita no mesmo nível que o Cruzeiro e METADE da receita do pessoal do Jr. Leonor e da marginal sem número. Esse é um dos preços que temos que pagar por anos de administração retrógrada! O desenvolvimento de contratos de publicidade não é algo que se faz da noite para o dia. É preciso de tempo para preparar ações, para conquistar os potenciais patrocinadores e, acima de tudo, é preciso GARANTIR A QUALIDADE DO PRODUTO! O produto, o nosso time competitivo, não se cria da noite para o dia, e, mais importante, é preciso manter a consistência, coisa não temos desde o fatídico 2001.

Licenciamento e Franquias: bom, sei que nesse último ano o pessoal do Palmeiras começou a se mexer nesse quesito, mas a verdade é que nossas receitas nesse quesito são ridículas! Observando os bambis, ainda sem o impacto da venda de bichinhos de pelúcia, podemos ver que é possível gerar mais de R$ 5 milhões por ano!!! Considerando-se que o patrocínio da camisa é de cerca de R$ 10 milhões, é fácil ver o potencial que estamos desperdiçando!

Outras receitas: os grandes times conseguem gerar cerca de R$ 2 milhões por ano em outras receitas! Mas, novamente vemos que os clubes não sabem explorar a marca de maneira adequada, visto que apenas um time consegue receitas de mais de R$ 8 milhões!

Venda de atletas: apesar desse ser um item muito volátil, ou seja, ter a receita este ano não garante que você tenha a receita no próximo ano, é o item mais importante para a maioria dos clubes. Para os clubes com vendas de atletas relevantes (excluindo o Santos e Fluminense) a venda de atletas representa quase 50% da receita do ano! O Cruzeiro, apesar de pouco badalado nesse quesito, conseguiu gerar R$ 35,5 milhões apenas com a venda de atletas! Nos geramos R$ 20,6, mas desse total R$ 8 são referentes á Cesta de Atletas, o que diminui o potencial de ganhos futuros


Algumas conclusões:

Os clubes dependem demais da venda de atletas para “fechar as contas”! Nesse caso, precisamos realizar um trabalho melhor tanto nas nossas categorias de base, quanto na negociação de jogadores. Precisamos garantir um fluxo de receitas nesse quesito que nos garanta alguma estabilidade, sem que o time tenha que ficar desfalcado para isso. Ficar atrás do Cruzeiro nesse quesito é minimante humilhante.

As cotas de TV tem um peso enorme nas nossas receitas. Quando se exclui a venda de atletas, as cotas representam mais de 50% das receitas dos clubes. Como não há competição pela venda dos direitos de transmissão, o negócio é brigar no Clube dos 13 para ninguém roubar a nossa cota!

Ainda existe um imenso potencial a ser explorado em termos de licenciamentos, franquias e outras ações de marketing. Esse potencial não é devidamente explorado pelos clubes de maneira geral, o que nos abre um grande leque de oportunidades! Resta colaborarmos com o clube para gerarmos uma série de produtos e serviços relevantes para os torcedores/consumidores! E precisamos fazer isso rápidamente.

Agora, é aquela velha história: precisamos trilhar um longo caminho para chegarmos no nível dos demais clubes em termos de geração de receitas. Mas a partir daí, bastará um pequeno passo para passarmos à frente!

Saudações AlviVerdes