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Quem é esse Palmeiras Campeão

Por Jota Christianini com a colaboração de Vicente Criscio
Imagens: www.palestrinos.sites.uol.com.br


No começo do outro século a dúvida que as elites tinham era externada pelo jornal A Platéia:

“O que estão querendo estes italianos que lotam os bondes na empoeirada Avenida Água Branca, nas tardes de domingo, para ver o Palestra jogar?”

Eles sabiam o que queriam; eles queriam o mundo e conseguiram.

Algumas frases, pequenos textos, demonstram a história deste Campeão do Século XX e para quem o século XXI acaba de começar. As primeiras mostram o preconceito contra o clube dos operários italianos; posteriormente com a inserção do Palestra na sociedade brasileira as frases formam o painel que forjou o maior campeão de todos os times brasileiros, que acaba de conquistar, somente com o quadro principal de futebol, o 509º Troféu de sua existência, ou seja, em média: cinco conquistas, taças, torneios, troféus, honrarias, por ano.

O primeiro texto é o anúncio redigido por Vincenzo Ragognetti e publicado pelo jornal Fanfulla que originou a reunião de fundação do Palestra Itália, que foi realizada na Rua Marechal Deodoro, número 2, atual Rua do Riachuelo.


Pela formação de um quadro Italiano de Futebol em São Paulo.
São Paulo, 14 de agosto de 1914.

Egrégio Sr. diretor do “Fanfulla”:

Uma palavra apenas e para esta um cantinho no vosso jornal. Eis do que se trata: alguns
conhecidos futebolistas italianos, mas associados a clubes brasileiros, encarregaram-me de escrever-vos acerca de um projeto pôr eles ideado, entre dois goles de café, fazendo-me então compreender que tal projeto o vosso jornal deverá se tornar o propugnador e o propagandista.

Nós temos em São Paulo – afirmam os referidos esportistas – o clube de futebol dos alemães, dos ingleses, dos portugueses, dos internacionais e mesmo dos católicos e dos protestantes, mas, um clube que seja exclusivamente de “sportmen” italianos, e sendo nossa colônia a maior do Estado, nada se tentou ainda realizar! Futebolistas italianos que jogam bem encontram-se em São Paulo, porque, de comum acordo, não reunimos os referidos senhores, e assim como temos associações de remo, filodramáticas, mundanas, patrióticas, etc, etc, de estrutura italiana,
poderemos também ter um clube de futebol exclusivamente de italianos”.

Aí fica a proposta dos futebolistas italianos; com vossa senhoria, diretor, o comentário.

Vicente Ragognetti.

A forma de cobertura jornalística dispensada ao Palestra Itália foi sempre desigual quando comparada a dos outros times… os jornais privilegiavam o Paulistano claramente, afinal era o time representante da elite cafeeira… em vários jogos a escalação do Palestra não era divulgada,como por exemplo o jogo de 4/11/1917, contra o Mackenzie, que teve seus jogadores citados nome e sobrenome. Não levaram em conta o fato do Palestra disputar a liderança e o Mackenzie estar na última colocação (José Renato Campos Araujo no livro Imigrantes – O caso Palestra Itália).

Alguns comentários de jornais da época demonstram que, muito mais do que lenda, a tentativa de diminuir o antigo Palestra era um fato.

COMENTÁRIO DO ESTADÃO SOBRE O JOGO PALESTRA 6 X YPIRANGA 1 – todo comentário do jornal é baseado na atuação dos jogadores do time derrotado sobrando ao Palestra apenas uma referência, no mínimo tendenciosa:

O Palestra , apesar da vitória não desenvolveu um jogo assombroso

COMENTÁRIO DO ESTADÃO DIA 16.08.1920,
JOGO PALESTRA 1 X PAULISTANO 1
Logo no primeiro minuto de jogo Ministro tentando passar a esphera a seu companheiro de linha o fez com tal infelicidade que a bola tomando direção diversa da que lhe pretendia dar aquele peão palestrino foi ter, inesperadamente, ao posto confiado a Arnaldo (Vieira de Morais) . O arqueiro alvi rubro como não teve tempo de colocar-se convenientemente permitiu que se marcasse o primeiro ponto dos comandados de Bianco

PALMEIRAS 5 X CORINTHIANS 1, EM 1933, DIA 08.05.1933
O êxito do Palestra se deve mais aos remates de ações individuais, porque os ataques, em sua maioria, foram pessimamente finalizados, conseqüência da ausência de uma eficaz atuação em conjunto


E HOJE EM DIA?

O Palestra virou Palmeiras, e depois de 1942 viramos um time de muitas raças e muitos credos. Também tivemos nossos altos e baixos, pois assistimos às Academias, ao imbatível time do início da década de 70, ao time vencedor da década de 90. E também tivemos nossos anos de chumbo. Épocas de sombras na política interna; de desmantelamento do futebol; de apequenamento do pensamento de alguns, nunca da instituição e sua enorme legião de apaixonados. E SÓ por causa disso o Palmeiras nunca perdeu sua essência!

Dizem que quanto mais se bate nas costas, mais “duro fica o couro”. E o Palestrino-Palmeirense aprendeu a fortalecer a carcaça. Seus principais interlocutores do passado e do presente, sabiamente, demonstraram (e ainda demonstram) com frases o orgulho de ser Palmeirense. Algumas delas:

“SCOPPIA CHE LA VITTÓRIA é NOSTRA”
Grito de incentivo da torcida do Palestra

“No Palestra, pelo Palestra, para o Palestra”
Gagliardo, centro médio palestrino dos anos 30

“O Palestra continua no Palmeiras”
Enrico de Martino, 1942

“Nao nos querem Palestra! Seremos Palmeiras e nascemos para sermos campeões”
Dr. Mário Minervino, setembro de 1942

“Corinthians é adversário; SPFC é inimigo”
Oberdan Cattani – ex goleiro do Palestra e do Palmeiras

“Dá gosto ver os jogadores do Palmeiras de CACAU-PIRERA navegando pelor rios da AMAZÔNIA ostentando a bandeira alviverde e com os novos uniformes cedidos pelo Palmeiras”
Oficial do Exército que conseguiu material esportivo e a bandeira para o PALMEIRAS de Cacau-Pirera

“Não me venha de Romualdo que eu vou de ZÉ FAVILLI”
Presidente do Palmeiras, Paschoal Guliano, discutindo com o presidente do Corinthians sobre a arbitragem da final de 74

“FACA NOS DENTES
CORAÇÃO NA BOTINA
ALMA PALESTRINA”
Lema de sempre do PALESTRA e do PALMEIRAS

“Amigos, estou viajando para aí. Pretendo ir ao jogo. Quero escutar o Palestra Itália”
Rosendo Brigido , o maior palmeirense que eu conheço, – Teresina – Piaui, com deficiência visual quase total, veio, escutou Palestra Itália, vibrou como todos os outros torcedores, ate cornetou , mas cima de tudo ,saiu mais feliz ainda – 2006


“Os outros times participam da história; o Palmeiras faz a história”
José Roberto Christianini (JOTA), 2007

“Estou tão bravo com a derrota de ontem que coloco a venda meus dois ingresso para a final. Quem quiser que pegue os ingressos com meu tio no bairro do Paraiso”
e-mail recebido quinta feira após o jogo Palmeiras 1×4 Sport, de Marcelo Cerveira – Rio Brilhante -MS

“Gente, esquece aquele e-mail! A derrota e um pouco de uisque fizeram-me triste, mas já recuperei; já estou na estrada; 1.200 quilometros depois chego à minha outra casa, chego em Palestra Itália. Quero ver, e vou ver, o PALMEIRAS campeão.”
e-mail recebido, sabado, do mesmo torcedor




“O uso secular do ‘cachimbo oligárquico’ deixou torta a boca da turma habituada a tramar ardis nos subterrâneos da política para ganhar ‘fora do campo’ e massacrar o direito dos adversários. Remember 1942”
Luiz Gonzaga Beluzzo 2008




“É um hino à liberdade e à criatividade numa sociedade que se pretende libre, mas, na verdade, é uma amálgama de submissos e conformados. Valdívia é a realização da sagrada irreverência que os homens deveriam cultivar civilizadamente. Valdívia é a crítica do existente, um inimigo mal da banalidade. Não por acaso crianças o idolatram. las ainda não se submeteram completamente aos cordéis que nos tornam monótonos e previsíveis.

SÍ, ÉS CAMPEON!

Luiz Gonzaga Beluzzo, maio de 2008, comentando sobre texto chileno a respeito do jogador Valdívia


“TANTO TEMPO QUE EU FIQUEI QUEBRADO NO VESTIARIO FAZENDO TRATAMENTO LA PRA VOLTAR…
EU ME QUEBRO TUDO DE NOVO…. JURO POR DEUS, EU ME QUEBRO TUDO DE NOVO MAS NÃO VOU PERDER PRÁ ESSA PONTE PRETA NEM A PAU! NEM A PAU!!

QUEBRO MINHA PERNA, QUEBRO MEU PESCOÇO SE TIVER QUE QUEBRAR DENTRO DESSA MERDA, EU NAO VOU PERDER… PORQUE EU SEI O QUE EU SOFRI PRA TÁ AQUI E EU SEI O QUE VOCÊS SOFRERAM TAMBÉM.

ENTÃO VEJA, EU NAO VOU TER MEDO DE ERRAR, SE EU ERRAR, FODA SE! MAS EU VOU ARRISCAR “VÉIO”… QUE NEM CONTRA O SÃO PAULO! SE EU TIVER QUE JOGAR DE LÍBERO EU JOGO NESSA PORRA, MAS EU NÃO VOU PERDER,EU NÃO VOU PERDER, PORQUE A GENTE SABE O QUE FEZ PARA ESTAR AQUI!!!!!”

O eterno Marcos, na hora de entrar para vencer a Ponte Preta, 5×0 e tornar-se Campeão Paulista de 2008