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Io faccio la mia casa nel mio modo

Por Jota Christianini 

E se a casa era nostra nada melhor que melhorá-la e ampliá-la.

A compra de parte do Parque da Antarctica pelo Palestra, tinha tido uma repercussão extroardinária.

A imprensa e a sociedade paulistana admiraram o atitude e a coragem palestrina.

O negócio realizado tinha um componente social e político que não podia ser esquecido; aliás era o mais comentado.

A compra feita pelo Palestra e e interveniência do Conde Francesco Matarazzo produziam outros efeitos.

Dizia-se:
o Conde e seus filhos não teriam apoiado uma iniciativa se houvesse
alguma possibilidade de fracasso, e como apoiaram o Palestra Itália na
compra do terreno, isso demonstrava que esse negócio de futebol era
coisa séria e o Palestra uma entidade a ser levada em consideração pela
reputação dos que o comandavam.

O Palestra tinha um campo, mas
não tinha exatamente um estádio. Pequena arquibancada de madeira,
vestiários e outras acomodações estavam equiparadas às outras praças de
esportes, mas o palestrino jamais foi de contentar-se em ser igual.

Exercendo
a presidência do clube, Eduardo Matarazzo encomendou e pagou de seu
bolso, – custou 100 contos – projeto de estádio ao arquiteto italiano
Battiti. Este, famosos por construir obras de grande porte, projetou o
estádio parecido com o Coliseu; com escadas e estáutas de grande porte,
colunas romanas envolvendo toda a propriedade. Enfim um estádio
suntuoso! Mas não havia verba para construí-lo.

Optou-se por
fazer aquilo que seria possível, ou seja construir uma parte do
projeto. Fez-se inicialmente a arquibancada dos sócios – atual cadeiras
descobertas – que era coberta e tinha, no meio, arcos de sustentação.
Para aquele tempo, segunda metade dos anos 20, era um feito
arquitetônico e esportivo, pois era a primeira arquibancada de cimento
construída para assistir futebol.

Em seguida iniciou-se a
arquibancada popular. Ia de uma linha de fundo a outra, do lado oposto
a arquibancada dos sócios – nos dias de hoje: o setor VISA. Não foi tão
simples; entre a idéia de fazê-la e a consecucção o clube passou por
grande transformação. Além do advento, ainda incipiente, do
profissionalismo, o Palestra mudou radicalmente de direção.

Assumiram
os jovens comandados pelo Dr. Dante Delmanto, que com 32 anos, até
hoje, o mais jovem presidente do campeão do século, tinha idéias
inovadoras, arrojadas e pioneiras, como convinha ao Palestra e convém
ao Palmeiras.

De início Delmanto enfrentava o grande problema de
renovar o quadro de futebol, afastando ídolos que, pela idade, ja não
correspondiam.

Montou
um novo time, ou melhor, inovou nisso também, montando um elenco com
reservas no mesmo nível dos titulares. Foi tricampeão paulista, com
apenas 2 derrotas nos três anos.

Pouco antes de tomar posse, em
março de 32, Dante Delmanto com seus companheiros, reformaram o gramado
do “Stadium Palestra Itália”.

No poder, abandonaram o projeto
Battiti e partiram para a construção da arquibancada popular.
Comportava mais de 12 mil lugares e foi inaugurada em 13 de agosto no
confronto entre os campeões paulista e carioca. O Palestra goleou o
Bangu 6×0.

No time carioca, que inovou aparecendo para o campo
de jogo com agasalhos em xadrez vermelho e branco para assombro dos
puristas da época, jogaram Ladislau e Medio, irmão de Domingos e tios
de Ademir da Guia. No gol palestrino atuou Aymore Moreira, depois
treinador campeão pelo Palmeiras.

Foi
um acontecimento!! O Palestra tinha finalmente um estádio, mas ainda
era pouco para os arrojados dirigentes da época. Havia arquibancada
para sócios, arquibancada popular, mas faltava um local condigno para
autoridades, jornalistas e também para aqueles que podiam e desejavam
colaborar ainda mais com o clube.

Já com Rafael Parisi na
presidência (também da ala jovem), decidiu-se construir a Tribuna de
Honra – atual numeradas cobertas – onde seriam vendidas cadeiras
cativas, por um conto de réis cada uma, criando para os compradores a
categoria de sócios vitalícios.

O local comportaria além das autoridades e imprensa, cerca de 2.500 lugares. Colocaram à venda mil cativas e o custo dessa construção foi rigorosamente zero para o Palestra.

A
concorrência para esta obra foi vencida pelo arquiteto Amleto Nipote, e
a arquibancada foi construída, chamando atenção pelo vão livre da
marquise hoje. Compareceram várias autoridades na inauguração em 1934,
inclusive o embaixador italiano no Brasil, e aquele setor do estádio
passou a chamar-se Tribuna de Honra Conde Matarazzo.

Os pessimistas de sempre – essa praga não morre – duvidavam que o clube dos italianoas pudesse fazer uma obra daquela sem custo.

Erraram, como sempre !

O Palestra fez, e com isso passou a ter o mais moderno e melhor estádio do Brasil.

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[ nota do autor: há certa confusão entre os autores sobre as
datas dessas obras, mas com certeza absoluta a inauguração deu-se
em 1933, e a tribuna de honra – atuais numeradas cobertas – foi
feita logo a seguir ]

Bibliografia: Gino Restelli – 1959
Thoma Mazzoni – 1950
Livro do Cinquentenário – 1964
Gazeta Esportiva Ilustrada
Fotos: Site Palestrinos e
acervo do autor