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Uma análise superficial das receitas e despesas da Arena Palestra

Vamos lá, várias informações foram escancaradas no último fim de semana
então vou tentar explicar aquilo que é possível nesse momento,
obviamente aguardando ainda o pronunciamento oficial da SE Palmeiras, que deve acontecer em coletiva de imprensa no início de julho após aprovação formal do projeto em Conselho.

Então para tentar trazer um pouco de luz aqui, vou usar os últimos comentários do Joca no post DROPs de sexta-feira passada, que estão bastante rico. Mas não se iludam: essa análise ainda é muito superficial. Tem muita coisa prá se olhar!

E espero não ser banido das bandas da Turiassu se alguma inconfidência aqui acontecer…

O Joca disse:

1-
A capacidade do estádio será entre 45 e 46 mil lugares já incluídos os
camarotes que será na quantidade de 200 com 12 lugares cada, podendo
ser comercializados em mais de uma unidade em multiplos de 12 de acordo
com o interesse do cliente.

2-
Só em eventos organizados pela FIFA exemplo, COPA do MUNDO, COPA DAS
CONFEDERAÇÕES, que a capacidade de lugares a serem comercializados
cairia para 42.000 lugares, já que entre 2000 e 3000 lugares seriam
destinados para as equipes de imprensa que fazem a cobertura do evento,
repito que esta informação foi ratificado pelo executivo da W Torre,
após indagação que fiz no final do evento.

4-
Portanto em relação as informações prestadas fiquei tranquilo quanto a
uma eventual final de copa Libertadores que exige 40 mil lugares e
quanto aos 10%, preservando nosso direito de por exemplo fazer os
clássicos contra os Bambis no nosso estadio.

É isso aí. A capacidade será de 46 mil lugares.
Em jogos FIFA, 4 mil lugares se transformarão em 2 mil postos para a
imprensa. Logo a Arena passa a ter 42 mil lugares em jogos organizados
pela FIFA. Por exemplo, jogos da Libertadores que são organizados pela
Conmebol exigem no mínimo 40 mil lugares para uma final.

5-
Me chamou atenção a pujança econômica da empresa parceira, acabou de
fechar uma venda de imóvel de mais 1 bilhão de reais, para o Grupo
Santander que estabelecerá sua sede neste local, tem atividades em
seguimentos diferenciados além da parte de engenharia, vale citar uma
parceria que tem com a família real nos Emirados Árabes de 50% cada com
futuros investimentos acima de 1 bilhão de dólares em cidade que será
construída no meio do deserto, tem parcerias e Know How na área de
Plataformas Submarinas, tem no portifólio 6 milhões de metros quadrados
de área construída, e tem como parceiros em empresas do grupo o Banco
Santander e o Grupo Votorantim. 6-
Os investimentos na arena são de ordem de 220 milhões de reais, e mais
cerca de 50 milhões de reais que serão investidos na área social do
clube, que contempla, a construção de um prédio onde serão alocadas as
quadras de tênis, futebol society, quadras poliesportivas, que na sua
somatória em área construída será maior do que existe hoje no clube, um
outro prédio comtemplará a area administrativa, salão de eventos, salão
de festas, esportes não profissionais e etc. … ouvi algo em torno de
12 mil metros a serem construídos podendo chegar a 17 mil.


foi dito aqui algumas vezes sobre a WTorre. E a apresentação
institucional do Grupo é de se cair o queixo. Então sem mais
comentários!

Sobre o investimento há uma coisa que pouca gente
se dá conta, mas tanto os Conselheiros quanto a Comissão de Obras da SE
Palmeiras já devem ter percebido: o valor da obra está orçado em 220-250 milhões de reais (não sei ao certo) mas esse é um preço de custo, já que a WTorre é sócia do empreendimento.

Imagine que o Palmeiras tenha uma sacola com 250 milhões de reais na mão e queira fazer uma arena. Não faria a mesma arena! Para fazer a mesma teria que aportar impostos e margem e o preço subiria para mais de 300 milhões de reais.

Outro comentário do Joca:

Ratificando
informações já prestadas o Palmeiras pagará cerca de 25 mil reais por
jogo, inerentes aos gastos que implicam na organização do evento, por
outro lado economizará cerca de 8 milhões que são gastos na manutenção
do estádio. Toda renda
proviniente dos jogos será do Palmeiras, com participação de 5% nas
receitas nos 5 primeiros anos crescendo gradativamente até chegar aos
30 anos, em outras ações que renderão dividendos a participação do
Palmeiras será de imediato na ordem de 20% sobre a receita.

Sobre
a despesa, é isso mesmo. Foi definido um valor de despesas de R$ 25 mil
em dias de jogos que serão descontados da receita do jogo.

Hoje,
em dias de jogos, o Palmeiras tem despesas para jogar. Isso parece
claro para todos. Essas despesas compreendem todos os elementos diretos
de mobilização de um jogo (operação de bilheteria, catraca, seguranças,
limpeza, dentre outros) e indiretos (energia, água, telecomunicações).

Para dar um exemplo, no borderô do jogo Palmeiras x Cruzeiro, (http://www.cbf.com.br/)
quinta-feira passada, o Palmeiras teve um desconto total de R$ 79,4 mil
contra uma receita de R$ 161,2 mil. Desses 79 mil reais, listei cerca
de R$ 35 mil entre os itens Catracas, Bilheteiros, Fiscais e “Diversos”.

Não
sei exatamente quais itens ainda teremos de despesas em dias de jogos
(impostos, taxas de arbitragem e anti-doping), mas chequei com pessoas
de dentro do clube que entendem destes valores e me disseram que os 25 mil reais arbitrados para o Palmeiras são bastante inferior ao custo atual em dias de jogos.

Se o Santos decidir jogar na nossa Arena no início de 2011,
só prá citar um exemplo, o aluguel será maior (talvez o dobro ou mais)
e não porque é o Santos, mas porque será assim com qualquer outro time
que for jogar nesse equipamento.

Aliás, quanto ao termo EQUIPAMENTO, esse será objeto de um post quando tudo finalmente for aprovado e oficialmente divulgado. Não teremos apenas uma ARENA, teremos um EQUIPAMENTO para eventos esportivos e de entretenimento. Mas aguardem…

Quanto
às outras despesas, que hoje estão na conta do Palmeiras, elas serão
incorporadas pela WTorre. Ou seja, o Palmeiras gasta por ano na
manutenção do clube, como descrito pelo Joca, mais 8 milhões de reais.
Se no total por ano gasta 9 e passará a gastar 1 não preciso de uma
HP-41C para descobrir que o resultado será positivo para o Palmeiras.
Essa despesa veio por conta da remodelação obrigatória (e desejada) no
clube.

FAZ A CONTA COMIGO

Quanto
ao compartilhamento de receitas, acredito que mais detalhes deverão
emergir. Mas é bom que se diga que o compartilhamento não se trata da
bilheteria em dia de jogo. Essa é integral do Palmeiras.

Os
percentuais de compartilhamento (5%, 10% e assim vai) estão por conta
da venda do Naming Rights do Estádio, dos 2.400 camarotes e das 10 mil
cativas.

A conta sobre a receita em dias de jogos fica melhor se olharmos a seguinte tabela:

O Palmeiras terá 100% da receita da venda de até 28,6 mil lugares
(as ditas “numeradas”) em dias de jogos). Com um tíquete médio maior
que o de hoje, diga-se de passagem. E gasando menos prá jogar (R$ 25
mil por jogo).

Depois terá as receitas compartilhadas. Além da receita sobre os 12.400 lugares (soma das cativas e camarotes), uma receita que não existe hoje – a de Naming Rights – também entra nessa conta. E além dessa receita o Palmeiras terá a participação de 20% de receitas sobre os eventos e shows.
E aquela história que serão duzentas e cacetadas datas de eventos deve
ter saído da fralda de algum nenê ou do produto neurológico de algum
blogueiro.

Outro lembrete: no compartilhamento estamos falando de receitas e não de lucros.

NÃO HÁ ALMOÇO GRÁTIS

Mais informações irão emergir nos próximos dias. Por enquanto nenhuma é oficial, nem essa. Portanto vamos aguardar.

Mas é importante dizer o seguinte: não existem tolos ou desonestos nas mesas de negociação.
E nenhum dos lados abriu mão de ter vantagens, o que é justo. A WTorre
tem vantagens muito interessantes para investir mais de 200 milhões de
reais no futebol. Algumas são evidentes, como a de colocar o pé no rico
negócio de arenas faltando 6 anos para a Copa do Mundo em nossas terras.

Ou seja, no “futebol negócio” não cabe mais o altruísmo, a paixão, o papel do mecenas. Funciona a lógica das HPs onde a conta tem que fechar para os dois lados. Ou seja, não há almoço grátis.

E só para finalizar, antes que surjam outras histórias sobre garantias ou perda do ativo: não caiam nessa bobagem! As duas entidades – Palmeiras e WTorre – constituíram seus advogados para protegerem seus direitos. Portanto
todos vão buscar minimizar o risco do negócio, que é inerente em
qualquer situação da vida, principalmente em uma relação de 30 anos.

Mas o Palestra Itália é um bem inalienável,
definido em Estatuto. Então ele não será garantia. Da mesma forma que o
Palestra, paradão lá, firme e forte, não tem valor de venda. Não pode
ser vendido. Logo, seu valor é IGUAL A ZERO!

Portanto cabe ao bom gestor rentabilizar esse ativo. E aparentemente é isso que SE Palmeiras e WTorre estão fazendo.

Saudações Alviverdes!

—————————

PS: Humildemente peço aos amigos (e não tão amigos assim) da imprensa que
lêem este blog que, se usarem alguma informação nova aqui apresentada (por
exemplo, a singela tabela lá de cima, que não foi apresentada por ninguém, logo
ninguém a tem), que dêem os devidos créditos a esta “fundação da informação
palestrina”, porque outros clones de posts não serão mais perdoados!