Análise da Arbitragem R13: o tira teima mudando os rumos do jogo

Por Claudio Baptista Jr.

Na
análise desta rodada e especificamente no jogo do Palmeiras, irei
abordar aquele velho chavão “Futebol se decide nos detalhes”. Acho que
aqui poucos discordam dessa desgastada, mas válida expressão.

E se esses detalhes que influenciam tanto ainda envolvem a arbitragem, coitado do Futebol.

Quando
uma equipe joga mal, muita gente diz que erros ou omissões da
arbitragem não justificam posteriores reclamações utilizando-se
daquelas expressões pobres dos programas esportivos após as rodadas: “Está reclamando do quê se seu time jogou tão mal?”.

Esquecem que determinadas
decisões mexem diretamente com placar, no psicológico dos jogadores
durante a partida, no comportamento tático das equipes … Só
para ilustrar essas colocações, um gol anulado através da marcação
equivocada de um impedimento muda o placar, jogadores podem ficar mais
nervosos e a equipe poderá mudar a sua postura tática tendo que buscar
mais o ataque. O mesmo acontece nos casos de expulsões e pênaltis.

Portanto, independente de como determinada equipe exibiu seu futebol, as decisões da arbitragem sempre terão um peso enorme.

Vamos dar uma olhada no nosso jogo:

Tivemos
a arbitragem de Alicio Pena Júnior (Fifa-MG). Esse entrará no
caderninho, mais os assistentes Márcio Eustáquio S. Santiago e Helberth
Costa Andrade (ambos MG).

Como já colocado na introdução, não
perderei tempo sobre a qualidade do futebol apresentado pelo Palmeiras
e vamos partir direto aos lances mais problemáticos:

– Gol do Alex Mineiro.

Quem
assistia o jogo pela Globo, teve a oportunidade de ver o “Tira Teima”
em ação que colocava nosso centroavante a exatos 29 cm em posição de
impedimento.

Sou adepto aos recursos eletrônicos para auxílio à
arbitragem e conseqüentemente à honestidade do jogo, mas infelizmente
este recurso ainda não está homologado pela FIFA. Desta forma, o
espectador mais crítico sempre ficará na dúvida sobre a aferição de tal
recurso, a confiabilidade mesmo, ainda mais quando se fala de 10, 20,
29 cm em lances rápidos que devem ser analisados quase que
instantaneamente por uma só pessoa, o assistente do árbitro.

Mas
tudo bem, por hipótese e como já disse que sou adepto a esses recursos,
vamos admitir a total confiabilidade. O Alex Mineiro estava impedido.

Agora pegamos algo oficial que é uma recomendação da FIFA: “Na dúvida, interpretação a favor do ataque”.

Vejam
que estamos diante de situações opostas. Uma oficial e recomendada pela
FIFA que admite a dúvida a favor do ataque e a outra, não oficial,
paralela, que é taxativa e define com precisão o SIM e o NÃO.

E
o que vamos ver a seguir é um recurso não homologado passando por cima
de uma determinação da FIFA e mudando os rumos de um jogo.

Os
exatos e “quilométricos” 29 cm do lance foram suficientes para mudar o
comportamento da arbitragem. No final do intervalo vemos claramente um
jogador do Goiás se dirigindo ao árbitro fazendo referências que a TV
(Globo) mostrou o lance como impedimento. E foi a partir deste instante
que o Palmeiras teve contra si uma péssima arbitragem no 2°t.

Então quer dizer que um recurso eletrônico pode estar influenciando a arbitragem DURANTE A PARTIDA? Até onde eu sei, isso a FIFA não permite.

Opa! CBF, acho que é a sua vez de entrar em ação. “Tira Teima” durante a partida, não.

Em
resumo e até de forma prolixa, porque tem anônimo que passa por aqui e
não entende, meu argumento passa pelo não oficial, pelo preciosismo e
falta de margem de erro sobre um valor que sofre influência direta de
quem pára o recurso para medição (até aqui a Globo não disse que esse
momento não é humano e sim eletrônico), por uma determinação OFICIAL da FIFA e não pelo boteco.

Em
contraponto, podem dizer que ano passado utilizamos o “Tira Teima” para
reclamar e muito de um gol mal anulado do Max em jogo contra o SPFW. E
nesse caso eu digo que naquele lance o “Tira Teima” era totalmente
dispensável, bastando a observação das determinações da FIFA para a
validação daquele gol.

E assim, tivemos no 2°t:

– 2 pênaltis claríssimos sobre o Valdívia ignorados pelo árbitro. Em um deles o árbitro deu cartão amarelo ao nosso jogador que já se encontra “pendurado”.

– Mais 1 pênalti inquestionável sobre o Kléber
em um agarrão dentro da área. Onde está a determinação da comissão de
arbitragem realizada antes do início da competição visando inibir os
agarrões dentro da área?

– Expulsão do Kleber
que ninguém sabe o que realmente aconteceu. O que todos sabem,
principalmente a arbitragem, é que existem rótulos que pegam. Quem são
um tal de cai-cai e um tal de violento dentro da equipe do Palmeiras?

– Expulsão do Denílson.
Obviamente falou o que não devia e tem experiência suficiente para
saber que não deve ser expulso daquela maneira, mas lembram-se do que
falei lá em cima de que determinadas ações dos árbitros influenciam no
comportamento dos jogadores?

Acrescenta-se a tudo isso que ao
final do jogo foram 47 faltas. Foram 16 cometidas pelo Palmeiras e nada
mais, nada menos do que 94% a mais cometidas pelo adversário, ou seja,
31 faltas. Volto a cobrar. Onde está
a determinação da comissão de arbitragem realizada antes do início da
competição visando inibir faltas insistentes e consecutivas?

Obs:
Identifiquei pouquíssimos programas esportivos, com perfil folclórico
ou não, após a rodada ecoando os lances de pênalti a nosso favor.
Apenas no Jogo Aberto da TV Bandeirantes foram comentados estes lances
que influenciaram diretamente na partida, mas logo a ênfase maior
passou a ser em relação aos nossos indisciplinados jogadores.

Outro(s) jogo(s):

Flamengo x Vitória.
Quando
o jogo se encontrava em 0 x 0, não foi marcado um pênalti a favor do
Vitória e quando o jogo estava 1 x 0 para o Vitória, o Flamengo teve
seu gol de empate mal anulado. Marcou-se impedimento inexistente. O
árbitro acompanhou a decisão do assistente. Aqui o erro também foi
grave, pois nem o benefício da dúvida, mais uma vez, determinação da
FIFA, foi considerado.

Ao final os 3 pontos chegaram nas mãos do Vitória, mas foi por um caminho bem torto.

Sugestão: A questão do “Tira Teima”.

Se
vocês me permitem, cabe uma breve sugestão. Até que a FIFA homologue
esse recurso ou algo similar, que tal uma adaptação a fim de que 29,
20, 10 cm não seja a batida de um martelo? Poderia-se adotar uma margem
de segurança, um número para o recurso eletrônico que levaria em conta
a determinação da FIFA.

Ex: caracteriza-se impedimento apenas a
partir de X cm. Isso tiraria uma enorme responsabilidade do assistente
pois teria de volta para si o benefício da dúvida e o recurso
eletrônico permaneceria como uma ferramenta de análise.

Mas uma
coisa é certa, enquanto a FIFA não abrir a oportunidade de se adotar
recursos aprovados por ela para correção momentânea dos rumos do jogo,
jamais a condenação ou não se deve dar por poucos centímetros e ainda
mais no intervalo do jogo.
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*Claudio Batista escreve às quartas-feiras neste blog
falando sobre arbitragem e substituindo interinamente
Danilo Cersosimo

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