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Meninos Eu Vi

Campeão? Não! Super campeão!!

Por Jota Christianini
Fotos: acervo pessoal do autor e site palestrinos.sites.uol.com.br

Já que recordar é viver, 10 de janeiro de 1960.

Partida final do Paulistão 59. Terceira partida!! As duas primeiras da série melhor de três empataram.

Durante o campeonato Palmeiras e Santos disputaram a liderança desde a primeira rodada.

A
surpreendente Ferroviária foi a terceira colocada. No fim do primeiro
turno o Palmeiras perdeu em Santos 3×7 e aconteceu de tudo: a imprensa
paulista não pôde entrar no estádio, espancamentos, pressão de todo
jeito.

Teve troco, o segundo turno não era, como agora, a
repetição da tabela do primeiro. Portanto um mês e alguns dias depois
jogaram novamente no Palestra Itália. A diretoria do Palmeiras tomou as
providências – nós éramos nós – e como se dizia: a cobra fumou!

O
Palmeiras publicou um “informe” nos jornais avisando as providências
que tomaria para o “bom transcurso da tarde esportiva”. Por exemplo a
partir das 12 hs nenhum veículo entraria nas dependências do estádio.
Nem da rádio, nem TV e nem ônibus de clube. Ou seja: ou chegavam antes
do meio dia ou entrariam junto com a torcida.

Logo os jogadores santistas tiveram que descer do ônibus na Avenida Água Branca, digo Francisco Matarazzo, e entrar a pé.

O
jogo foi espetacular, 5×1 para o Palmeiras, com o Mestre Brandão dando
um show de tática. Nos tempos que os torcedores não usavam bandeiras
nem camisa dos times, foi a maior festa de torcida que presenciei, e
vejam já vi muitas e muitas festas da torcida palestrina.

Na última rodada ganhamos, no sábado, 6×1 na Ponte Preta e no domingo um empate entre Santos e o Corinthians nos daria o título.

O
Santos praticamente jogou sozinho. O adversário assistiu, até seu
goleiro tomou um gol estranhíssimo, furou espetacularmente uma bola
fraca e propiciou o gol de Pelé que abriu a goleada santista.

Todos iguais, foram para o desempate; não nos preocupávamos, jamais precisamos dos outros para ganhar.

Havia
Pelé, mas confiávamos em Aldemar para marcá-lo. Pela primeira vez, e
creio que única, a torcida do Palmeiras entrou com os ramos das
palmeiras da avenida Pacaembu, servindo de bandeiras.

Eles confirmaram Jair e Pagão na hora de entrar.

Um repórter desavisado disse:

– Pobre Palmeiras!

Lembro de meu pai dando uma banana em direção à cabine, quando ouviu a besteira.

Deu verdão. Pelé marcou um gol e depois Aldemar o botou no bolso.

Julinho empatou no fim do primeiro tempo e aos três minutos da segunda fase Romeiro cobrou a falta que nos deu o título.

Romeiro,
sempre aos sábados no Palestra, nos contava que depois do gol rezava
para não entrar outra bola, queria que acabasse 2×1; seria lembrado
para sempre.

Profeta!

Palmeiras campeão? não!

SUPER CAMPEÃO DE 59!!

Meninos, eu vi !

JOTA CHRISTIANINI

confira na voz do palmeirense Fiori Gigliotti o gol de Romeiro que nos deu o título: http://br.geocities.com/tucuna812/1959-Gol_Romeiro.mp3