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Entrevista de Luis Davantel na Máquina do Esporte

Segue abaixo a íntegra da entrevista de Luis Davantel na Máquina do
Esporte. Davantel é CEO da WTorre Arenas e principal executivo do Grupo
responsável pelo projeto Arena Palestra Itália.

Saudações Alviverdes…

http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/entrevistas.asp?id=121

Luis Fernando Davantel
Com
experiência na área financeira, Luis Fernando Davantel chegou à WTorre
em 2005, e assumiu o setor de arenas em maio deste ano.
Clique aqui para conhecer melhor o entrevistado
Entrevista: Luis Fernando Davantel

GUSTAVO FRANCESCHINI
Da Máquina do Esporte, em São Paulo


O anúncio do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 movimentou os
clubes do país, que começaram a pensar em novos estádios ou reformas
nos antigos imediatamente. Nesta semana, o Conselho do Palmeiras
aprovou o projeto de reforma do Palestra Itália, que pretende abrigar
45 mil pessoas em 2010, independentemente do Mundial. Ao lado da
agremiação paulistana está a WTorre, empresa do ramo imobiliário que
tenta se encaixar no novo mercado de arenas que surge no cenário.

Preocupada
com a tendência que vem surgindo desde o início, a companhia não só se
fez presente em negociações no setor como estendeu um braço para o
mesmo. Criou, em maio deste ano, a WTorre Arenas S.A., projeto que tem
como objetivo principal a participação em cinco grande estádios
brasileiros em um futuro não muito distante.

“A idéia é uma
incursão em um novo mercado, que a gente acredita que vá sofrer uma
mudança por causa da Copa. Achamos que São Paulo é uma cidade em que
cabe esse produto, mas outras grandes capitais também podem ter arenas
que recebam outros tipos de eventos que convivem muito bem com o
futebol”, disse Luis Fernando Davantel, responsável pela WTorre Arenas.

Em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte,
o executivo contou mais sobre os planos de sua empresa, falou sobre
detalhes do contrato com o Palmeiras e ainda explicou a importância da
Copa do Mundo nesse projeto.

Leia a seguir a entrevista na íntegra:

Máquina do Esporte: Qual a intenção e como a WTorre vai atuar dentro desse novo mercado de arenas que se abre no Brasil?
Luis Fernando Davantel:

A idéia é uma incursão em um novo mercado, que a gente acredita que vá
sofrer uma mudança por causa da Copa. A gente imagina que dentro disso
haja um componente imobiliario que gere negócios, não só dentro mas
também em termos de infra-estrutura, que vai melhorar a oferta para
quem for usar o estádio.

ME: Em quais outros projetos, além do Palmeiras, a WTorre está trabalhando?
LFD:

Temos outras conversas fora do estado de São Paulo, algumas em estágios
mais avançados outras menos. Como também estamos olhando alternativas
de reformas de estádios que não sejam de clubes especificos, do poder
público. A gente gostaria de ter umas quatro ou cinco arenas espalhadas
pelo Brasil de nossa administração. Achamos que São Paulo é uma cidade
em que cabe esse produto, mas outras grandes capitais também podem ter
arenas que recebam outros tipos de eventos que convivem muito bem com o
futebol.

ME: Como a WTorre vai explorar a arena Palestra Itália?
LFD:

O nosso negócio com o Palmeiras é imobiliário. Foi feito um acordo em
que o clube cede a superficie do clube social para que a WTorre faça
investimento. E por conta dessa obra nós exploraremos a arena, não
tendo nenhum tipo de gerência sobre a área social. No estádio, nós
tratamos o negocio como imobiliario. Vamos tentar alcançar receitas
alugando camarotes, nome do estádio, cadeiras especiais, os mais
variados lucros possíveis, o que o torna um espaço de
multifuncionalidade. Um percentual dessa renda, e existem dois tipo,
será passado ao Palmeiras.. Existe a familia patrimonial com camarote e
cadeiras especiais. Essas começam com 5% do clube e terminam com 30%
nos últimos cinco anos de contrato. A outra família está mais ligada à
locação para feiras, congressos, restaurantes e lanchonetes. Elas vão
de 20% a 45% nos ultimos cinco anos. A relação entre nós é muito
vinculada ao negócio imobiliário. Nós não vamos ter gerência nenhuma
sobre preço de ingresso e lucro de bilheteria. Isso tudo continua com o
Palmeiras.

ME: Há pouco tempo, a WTorre foi ligada a uma
possível obra de estacionamentos subetarrâneos do Morumbi. Essa
informação procede?
LFD:
Nunca teve nenhuma aproximação. Não tem
fundamento nenhum esse tipo de notícia. Nunca fomos procurados por
ninguém do São Paulo e também nunca nos aproximamos para nenhum tipo de
obra como essa.

ME: Como a empresa está se posicionando para poder participar da remodelação de estádios públicos?
LFD:
A
gente sabe que o governo federal e o estadual vão ter de disponibilizar
estádios, e como temos vontade e capacidade para ajudar nisso estamos
colocando nossa força de trabalho à disposição para fornecermos
condições para que esses locais sejam remodelados sem necessidade de
dinheiro público. A gente sabe que várias cidades vão ter de investir
em infra-estrutura, e aí seria importante a iniciativa privada exonerar
o poder publico do ônus das reformas de arenas com dinheiro próprio.

ME:
Desde o anúncio do Brasil como sede da Copa do Mundo, muito se fala
sobre a participação da iniciativa privada nesse processo. A WTorre
está tentando ser, efetivamente, uma dessas empresas viabilizadoras do
Mundial?
LFD:
Sim, e eu acho que não vai ser só a gente nessa
disputa. É um evento de uma magnitude enorme, e com certeza empresas do
nosso setor e de fora também verão uma oportunidade grande e vão olhar
para isso. A gente sabe que vários grupos se disponibilizaram para
ajudar com a Fonte Nova, o Mineirão e outros. Tenho certeza que como a
Wtorre vão existir vários grupos de todo o Brasil para que a iniciativa
privada viabilize uma demanda bastante importante da realização da Copa
do Mundo. Eu acredito que pode vir um montante muito próximo do 100%
desse setor.

ME: Em que ponto do panorama mundial de estádios
as novas arenas do Brasil podem se encaixar? Elas ficarão equiparadas
às melhores do mundo?
LFD:
Eu acho que equiparar em tamanho de
investimento e tipo de oferta e produto não, porque são realidades e
demandas distintas. Os investimentos feitos nas arenas de Wembley e
Emirates Stadium [novo estádio do Arsenal], por exemplo, montam cifras
que não teriam a menor viabilidade econômica no Brasil. Por isso que a
gente foi buscar o modelo portugues, do Sporting [José Alvalade] e do
Porto [estádio do Dragão], que têm um nível de investimento e
tecnologia que é comparavel à realidade econômica do país. Acho que vai
ter pontos similares, principalmente no que diz respeito à oferta do
espetáculo, que não vai deixar nada a desejar, mas em outros pontos não.

ME: Até que ponto a Copa do Mundo é preponderante nesse processo?
LFD:

Eu acredito no produto independentemente da Copa do Mundo. Acho que São
Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, por exemplo, são cidades em que
cabem arenas independentemente da competição. Acho que a Copa do Mundo
só vai ser a força motora, que vai captar os investimentos num curto
período. Acredito que essse processo existiria de qualquer forma, mas
seria mais espaçado sem a Copa. O Palmeiras nem sequer faz parte do
caderno de encargos de São Paulo que foi para a Fifa. Vamos fazer
homologado dentro dos padrões, mas se não for usado na Copa não vai
mudar absolutamente nada no projeto.