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Meninos eu não vi!

Por Gilberto Giangiulio

“O Futebol não está ruim, você é que está ficando velho.”

Isto proclamou PVC – “O sábio do óbvio”. Aquele que se diz Palmeirense, mas acha que 51 não foi Mundial.

Se
ele acha que futebol é o que ele vê e comenta, realmente não tem do que
reclamar. Pois eu acho um negócio complicado, atrapalhado, adulterado
do roupeiro ao STJD. Para mim, o futebol já teve seus anos dourados,
hoje é um negócio como outro qualquer pelo que nós, os “velhos”,
insistimos em nos apaixonar.

Na minha idade, me orgulho de já
ter visto atuar os maiores jogadores de futebol do mundo e, modéstia à
parte, uma boa parcela deles ostentando a sua fibra, envergando o S.
Manto Verde.

Vi Valdir, Leão e Marcos, vi Djalma Santos, Eurico e Cafu, vi Luiz Chevrolet, Djalma Dias e Alfredo Mostarda.

Não
sei se vi ou me contaram de Valdemar Carabina, mas isso é indiferente
pois como dizia Tio Nicola, Carabina devia ser ensinado na escola.

Também
vi Ferrari, Dé e Roberto Carlos, Dudu, Cesar Sampaio, Ademir Divino Da
Guia, Djalminha, Alex, Rivaldo, Leivinha, Edmundo, Ademar, César,
Evair, Copeu, Chinezinho (não vi Julinho, mas este se enquadra na
hipótese do Carabina).

Acho que pude ver os maiores em cada
posição jogando pelo meu time. Também vi Pio, Serginho, Nei, Galhardo,
Reinaldo, grandes ponteiros canhotos, mas, e aí está o mas da
história… Não vi jogar aquele que me contam ser o maior de todos os
pontas esquerdas da história do Verdão: Canhotinho, 1º Campeão Mundial
Inter-Clubes de 1951.

Não me lembro de um gol e ele fez mais de
70, não me lembro de um jogo e ele fez mais de 200. Tudo que sei ouvi
dizer e não me atrevo repetir.

Só me garantiram que ele foi o melhor e eu acredito.

Canhotinho morreu na madrugada de ontem, 28/07/2008. E não viu seu título Mundial reconhecido.

Parece
que tinha 83 ou 84 anos, mas isso não importa. A sua idade é a do
menino que chegou ao Palmeiras em 43 e lá jogou até 53. Cantou e vibrou
de Verde foi muitas vezes Campeão e fez história.

História que nos cabe resgatar, como faz o Jota quase que heroicamente. Se não solitária, numa luta de Brancaleone.

Canhotinho
é a história não mais viva (infelizmente) que precisamos contar,
ressaltar, enaltecer, romancear, enfim incorporar seu espírito ao
Palmeiras, Eterna Academia.

Adeus Canhotinho, alguém haverá de
te colocar no lugar que merece na nossa história, e muito obrigado pelo
Título Mundial de 1951.

A coletividade Palestrina está de luto.

Gilberto Giangiulio