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Meninos Eu Vi

O último pedido

Por Jota Christianini

Um
fraternal amigo manda-me uma poesia em forma de oraçào, ele, jornalista
do Grupo Folhas escreveu-a e divulgou-a para os amigos de blogs e site;
li, gostei, muito, e acho que nosso amigos do TERCEIRA VIA VERDÃO
precisam conhecê-la.

O ÚLTIMO PEDIDO
Por Adriano Pessini

É
difícil precisar sua idade, mas sabe-se que São Marcos já não era tão
novo assim. Antes de sua morte, já tinha feito por aqui suas
peregrinações, escrito seu evangelho e dado seus conselhos. Subiu,
então, ao firmamento, conheceu aquele cabeludo que diziam ser o filho
preferido do Homem e reencontrou velhos parceiros, como Pedro e João,
com quem tomava conta das portas do paraíso, ajeitava os móveis de vez
em quando e atendia algumas preces terrenas. Não gostava de Paulo, por
achá-lo muito metido à besta, e de Jorge só tinha notícias que ele
havia descido ao purgatório para resolver algumas pendências.

Mas
a vida andava monótona pelos lados lá de cima. E não era para menos, já
que ele estava lá havia pelo menos 1930 anos e não podia mais desfrutar
dos prazeres dito carnais. Entre uma partida de truco e um gole de
chianti, começou a olhar mais para baixo, ver o que por aqui se
passava, até que descobriu o sentimento afável do futebol.

Encantara-se com aquela equipe cujos discípulos eram mais fervorosos que os outros, que agiam por um amor inquestionável, desfilavam em um jardim suspenso, e que, por coincidência, seu grande ídolo tinha a alcunha de Divino.
Uma verdadeira religião. Gostou do que viu. Tornou-se mais um seguidor
daquela fé inquestionável, até que um dia resolveu interceder.

Dia 6 de junho do sacro ano de 2000: ele fez a sua parte e cortou as asinhas de um blasfemo que se intitulava Pé-de-Anjo. Mas teve de prestar contas ao Homem pelo seu feito.

Questionado
pelo Todo-Poderoso por qual razão influenciara em coisas terrenas, São
Marcos vestiu as sandálias da humildade e apenas pediu:


Senhor, sei que agi sem sua autorização, não sei se ainda sou digno de
sua piedade, mas lhe suplico: se um dia voltar à Terra, quero ser
goleiro. Igual àquele ali ó, pois ele sabe levar a felicidade a um povo
de boa-vontade.

Adriano Pessini
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