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Camisa 10: os melhores foram os nossos

Por Jota Christianini*

Alguém desafia:
“Jota, fale dos ‘camisa 10’ do verdão.”

Eu topo!

Sempre se disse que o Palmeiras tem a melhor e mais qualificada escola de goleiros do Brasil; vou mais longe, duvido que algum time, no mundo, tenha tido nos últimos 70 anos apenas 7 goleiros titulares; o Palmeiras de Oberdan, inÍcio dos anos 40, até o Marcos teve somente 7 titulares absolutos.

Disso trataremos oportunamente, hoje o negócio é o cérebro do time, o meio campista, o “regista de mezzo campo”. Enfim, o dono do time.

Como o repto era para camisas 10 inicio quando os números foram colocados nas camisas, em 1949.

JAIR ROSA PINTO, 1949-1955 (241 jogos, 141 vitorias, 45 empates e 71 gols). Apelidos: Canelinha de Sabiá (calçava 35 e tinha as canelas finas), Coice de mula (chutava forte), Jajá da Barra Mansa (apesar de ter nascido em Quatis).

Ajudou a ganhar a Copa Rio – Mundial de Clubes de 51 e todos os títulos das 5 coroas, incluindo o Paulistão de 50; lembrado pela foto dele, todo enlameado, pedindo raça ao time. Além do chute forte Jair fazia lançamentos extraordinários.

Marcou pelo carisma – tudo quanto é Jair que nasceu nos 50 e 60 deve seu nome ao famoso atacante do Palmeiras – mas, diferente de Ademir da Guia, não era exatamente um jogador disciplinado.

Enquanto Ademir jogou 901 partidas e além de carismático, marcou sua presença nos campos pelo exclusivo amor ao Palmeiras, Jair notabilizou-se pelas saídas conturbadas do Flamengo, Vasco, e depois do Palmeiras, onde sua sa[ida não foi tranquila, do Santos, SPFC e até da Ponte Preta, seu último time.

Sua passagem pelo Palmeiras foi brilhante, mostrou um estilo do armador que jogava parado, fazendo lançamentos. Se Ademir da Guia era mais participativo, atuava em 10 posições no decorrer do jogo, Jair era exclusivamente o meia armador. Dificilmente saia dos limites do círculo central, salvo para cobrar faltas, no que era exímio.

Diziam que não chutava bem sem a barreira. Caxambu, goleiro da lusa, acreditou na lenda e mandou tirar a barreira. Jair mandou a bomba, um palmo de altura, e a foto mostra Caxambu, imóvel, olhando a bola entrar.

ENIO ANDRADE, 1958-1960, veio do Renner, campeão gaúcho de 1954. Atuou em 138 jogos, marcou 35 gols nas 77 vitórias e 36 empates.

Boa técnica , domínio de bola e incansável, esse era o Enio. Titular da seleção gaúcha que representou e ganhou o Brasil no Panamericano de Futebol Profissional em 56 (torneio extinto). Disciplinado e taticamente importante, nisso parecia-se com Ademir da Guia. Não tinha a mobilidade do Divino pois também, como Jair atuava numa faixa restrita do gramado.

Curiosamente atuou como goleiro contra a Lusa – não se permitiam substituições – quando Anibal contundiu-se. Não tomou gol, o jogo terminou 0x0. Enio tinha na ponta esquerda como companheiro de ala – dizia assim – Chinesinho.

Posteriormente “Chinês” consagrou-se na meia esquerda, no lugar de Enio, e para este sobraram algumas oportunidades entrando na ponta para que o mestre Brandão – como sempre inovando – pudesse jogar com três no meio campo.

Foi super campeão paulista de 59 e posteriormente, em 1988, foi treinador do Palmeiras.

CHINESINHO, 1958-1962, fez 241 jogos, com 147 vitórias e 46 empates. Marcou 55 gols.

Clássico, domínio extraordinário de bola, fazia lançamentos de longa distância e tocava muito bem a bola. Não tinha, também, a mobilidade do Ademir da Guia e pelo seu jeito mais introvertido que o Divino, não tinha o carisma do filho de Domingos.

Ambos eram admirados pelas torcidas adversárias, mas o tempo maior de Ademir da Guia no clube, Divino participou de 509 vitorias e 234 empates do time, o fez com que seja referenciado até hoje. Chinesinho foi vendido em 62 e com o dinheiro de sua venda o Palmeiras montou a primeira academia e ainda sobrou dinheiro.

ZÉ MARIO, 1975-1980, 115 jogos, 61 vitórias, 29 empates e 19 gols. Era considerado o novo Ademir da Guia quando chegou; evidentemente não era. Contagiado pelo futebol do mestre, Zé Mario foi seu reserva durante 2 anos, fez algumas partidas de bom futebol no Palmeiras.

ZINHO, entre idas e vindas jogou 8 anos no Palmeiras em três diferentes oportunidades. Atuou em 333 jogos, com 184 vitórias e 74 empates. Marcou 56 gols. Embora não usasse a camisa 10 fazia essa função. Jogador de uma nova época, mais tático que técnico, pertenceu ao Palmeiras numa fase de muitos e importantes títulos. Nem de longe pode ser comparado a Ademir da Guia (que marcou 153 gols pelo Palmeiras e deu passe para mais uns 2.450 gols) no controle de bola, alternativa de jogo ou mesmo no carisma, mas Zinho era um operário, conduzia a bola, arrematava, marcava,enfim um “uomo-squadra”.

ALEX, 1997-2000 e 2001-2002. Jogou 243 partidas, 121 vitórias, 65 empates, marcando 78 gols.

Estilista, teve contra o River, na Libertadores de 99, atuação soberba. Um dos maiores armadores do futebol brasileiro marcou sua passagem pelo Palmeiras pela eficiência. Se não era tão participativo como Ademir da Guia – não tinha a constância de Ademir que atuava no mesmo ritmo durante os 90 minutos – Alex tinha rompantes do Divino, tinha momentos de intenso brilho, como quando driblou a defesa inteira e ainda deu um solene chapéu no goleiro tricolor, fazendo um gol de placa.

Tivesse tido paciência, pediu licença para não disputar o super paulista de 2002, e seria convocado para seleção na copa Japão-Coréia. Tornaria mais fácil ainda o trabalho de Marcos, que trouxe aquela Copa para o Brasil.

DJALMINHA, 1996-1997, 88 jogos, 57 vitórias e 17 empates, marcou 47 gols. Seu pai tinha sido ídolo do Palmeiras, Djalma Dias, nos anos 60.

Ambos de temperamento difícil eram jogadores muito acima da média, craques na verdadeira acepção do termo.

Djalminha entre outras habilidades foi o primeiro jogador a cobrar pênalti com toque sutil, deslocando o goleiro com incrível habilidade. Figura importante na histórica campanha do título 96, quando Palmeiras fez 102 gols só no Paulistão.

Tivesse tido o comportamento e a paciência do Ademir da Guia e estaria jogando até hoje.

PEDRINHO, mais ficou machucado do que jogou, mas se considerarmos apenas a foto ao lado, já merece estar nessa lista de craques.

ADEMIR DA GUIA.

Preciso dizer mais alguma coisa?


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Jota Christianini escreve sempre às 3as feiras nesse espaço, contando um “causo” que ele conta como causo ele foi.