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Os clubes e a abertura de capital

Amigos, este é o primeiro artigo de uma série sobre a uma possível
abertura de capital dos clubes brasileiros, ou lançamento de ações,
seus prós, seus contras e algumas considerações a serem feitas.

O que é a abertura de capital?

A
abertura de capital é quando uma empresa “vende” parte de sua
participação a terceiros. Se alguém compra ações do Bradesco, por
exemplo, ele passa a ser “dono” de uma parte da empresa.

Quer dizer que se um dia o Palmeiras abrir seu capital na Bolsa, todos os Palmeirenses podem ser donos de uma parte do clube!

As
empresas, ou os clubes, quando “vendem” parte do seu controle, fazem
essa venda prometendo entregar todos os anos, parte do lucro obtido
anualmente. Essa parte do lucro é chamada de dividendos. Evidentemente
quem compra as ações acredita que o que ele tem a receber no futuro
VALE MAIS do que ele pagou pela ação hoje, ou seja, quem compra ações
acredita que poderá lucrar com isso.

Ou seja, cada Palmeirense
quem comprasse uma ação hoje, teria direito de receber uma parte do
lucro do Palmeiras todos os anos enquanto mantiver essa ação.

O que as empresas ou clubes fazem com o dinheiro arrecadado?

As
empresas que abrem o capital usam esse dinheiro para fazer
investimentos e gerar lucros maiores! No caso dos clubes de futebol,
eles deveriam investir em infra-estrutura (construção ou reforma de
estádio e centros de treinamento, infra-estrutura média, etc.) ou na
contratação de jogadores.

O grande problema é que a venda de
ações não é algo que pode ocorrer todos os anos (mais detalhes nos
próximos posts). Quer dizer o clube receberá uma “bolada” em dinheiro
em um determinado ano e nos demais anos não deverá receber nada pelas
ações vendidas! Para piorar a situação lembrem-se que o clube deverá
dividir parte do lucro com quem comprou as ações.

Ou seja?

Um
lançamento de ações é uma maneira do clube receber dinheiro dos
acionistas hoje para entregar parte dos lucros futuros. Os acionistas
fazem isso por acreditar que esses lucros futuros valem mais do que o
valor investido hoje (ou seja, acreditam que irão lucrar com isso). Com
o dinheiro arrecadado, o clube deve investir em infra-estrutura ou em
jogadores para gerar lucros maiores que os de hoje.

Quando
você compara o lançamento de ações com o acordo do Palmeiras para a
Arena ou a Cesta de Atletas é fácil perceber que o mecanismo é o mesmo.

No
caso da Arena é como se o Palmeiras tivesse vendido para um acionista,
por cerca de R$ 300 milhões, parte das receitas futuras da Arena. Com
os R$ 300MM o Palmeiras teria reformado o Palestra Itália e em
contrapartida o acionista (WTorre) ficaria com parte do lucro da Arena
(dividendos). Evidentemente nesse caso o acionista é o mesmo que irá
realizar a reforma, a divisão entre Palmeiras e WTorre é em relação às
receitas e não ao lucro, mas o mecanismo continua sendo o mesmo.

No
caso da Cesta de Atletas é a mesma coisa: o Palmeiras vendeu parte dos
direitos econômicos para investidores (acionistas) em troca de um lucro
futuro (dividendos). O mecanismo é o mesmo.

Um
bom argumento para a abertura de capital dos clubes seria o aumento da
transparência das contas, mas isso é assunto para outro post.

Mas
vocês não acham curioso que os mesmos jornalistas que defendem a
abertura de capital dos clubes criticam tanto a Cesta de Atletas quando
o acordo da Arena? Seriam eles mal-intencionados ou apenas
mal-informados??? Concordam que a abertura de capital não é a solução
para todos os problemas dos clubes?

Saudações AlviVerdes