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Arenas – Recomendações e Exigências Técnicas FIFA iii

Por Claudio Baptista *
A partir do documento da FIFA Football Stadiums –
Technical recommendations and requirements

Amigos,

Em continuidade à parte das Decisões Preliminares, abordaremos hoje os itens 1.4 – “Gol Verde” e 1.5 – Eco-compatibilidade do Estádio.

É
muito bom ver que muitos estão se interessando por esse tema. Diversos
comentários realizados estão contribuindo bastante para o conteúdo,
complementando informações, acrescentando opiniões e propostas.

Pelo
índice colocado abaixo vocês já perceberam que passaremos várias
semanas analisando o documento através dessa “tradução comentada”.

Retomando, seguem abaixo em negrito o posicionamento dos temas da publicação de hoje perante o conteúdo total:

1 – Decisões preliminares.

1.1 – Decisões estratégicas preliminares para a construção.
1.2 – Localização do Estádio.
1.3 – Orientação do Campo de Jogo.
1.4 – “Gol Verde”.
1.5 – Eco-compatibilidade do Estádio.
1.6 – Relações com Vizinhança.
1.7 – Estádios Polivalentes.

2 – Segurança.
3 – Orientação e estacionamentos.
4 – Áreas de jogo.
5 – Autoridades e jogadores.
6 – Espectadores.
7 – Hospitalidade.
8 – Mídias.
9 – Iluminação e alimentação elétrica.
10 – Telecomunicações e espaços complementares.

– “Gol Verde” (“Green Goal).

A
importância aos cuidados com o meio ambiente é crescente a cada dia e
independente de ser é projeto para um estádio, uma casa ou edifício,
hoje as construções devem ter esta preocupação.

A FIFA abre
espaço a este tema e fala de um programa ao qual ela espera que seus
parceiros se dediquem no momento de projetar um Estádio.

Os principais objetivos deste programa são a redução
do consumo de água potável, redução do volume de detritos, instalação
de sistemas de energia eficazes e a disponibilidade de transportes
públicos em eventos FIFA.

Para cada item mencionado
acima, o documento cita alguns exemplos, ficando a cargo do executor do
Estádio a melhor solução em função de seu orçamento e necessidade.

Obviamente
quanto mais completa for a solução, a FIFA terá melhores olhos ao
analisar a viabilidade do Estádio para um evento seu.

Vamos ver o que ela propõe sobre:

– Água:

Estocagem e utilização da água da chuva.
Instalação de sanitários com novas tecnologias.

– Detritos:

Como a eliminação de detritos é um fator importante dentro do orçamento
de manutenção de um estádio, propõe-se a reutilização de copos e
garrafas, a triagem e reciclagem de detritos e a venda de alimentação e
produtos sem embalagem.

– Energia:

No projeto de um estádio é conveniente prever a adoção de tecnologia
para redução do consumo de energia como a geração de energia a partir
dos raios solares, o vidro como isolante e revestimento exterior a fim
de reduzir a instalação de ar condicionado, sistemas de controle
centralizados facilitando a gestão da energia de acordo com a taxa de
ocupação do estádio.

– Transportes:

O
transporte dos espectadores é um fator importante na gestão de um
estádio e o programa da FIFA propõe privilegiar o transporte por ônibus
e trens.
Agora vamos pegar estes exemplos e trazê-los para a Arena Palestra Itália.

De
acordo com que ouvimos até hoje, o projeto da Arena prevê soluções para
a utilização de água e energia voltadas ao meio ambiente, porém até o
momento não conhecemos os detalhes do projeto a fim de apontar qual é a
solução prevista. Se em relação à água teremos apenas a estocagem e
utilização da água da chuva ou se algum sistema de tratamento será
instalado para um reuso de água. Quanto a energia ainda não temos dados
se serão instalados painéis para geração de energia solar, se será
armazenada energia somente para uso na Arena ou também para a parte
social do clube…

Caso tenhamos conhecimentos destes detalhes, certamente os colocaremos aqui.

Na questão dos detritos, os gestores da Arena podem elaborar um programa eficaz.


em relação ao transporte dos espectadores e deixando de lado o
estacionamento que lá será instalado e as vagas existentes na região,
hoje a região da Arena já contém uma central integrada de ônibus trem e
metrô a menos de 1 quilômetro do estádio. Existe algum estádio em São
Paulo nestas condições?

– Eco-compatibilidade do Estádio.

Neste
item é citada a preocupação no momento da concepção de um estádio junto
à sua região, sendo citados abaixo os mais tradicionais problemas.

– aumento de tráfego.
– afluxo de torcedores e pedestres barulhentos e por vezes violentos.
– os barulhos provenientes do evento.
– iluminação dos eventos e do próprio estádio.
– sombras nos edifícios adjacentes.
– ausência de atividades locais quando não há eventos.
– desproporção do projeto em escala local.

Seguem
dois exemplos de interferência da iluminação na região. O primeiro
exemplo não é recomendável enquanto que o segundo é uma solução
adequada.

Desta
forma faz-se necessário uma boa reflexão quanto ao conjunto
arquitetônico e os controles operacionais a fim de atenuar a maior
parte destes problemas. Alguns exemplos são citados como a adoção
de um plano de circulação e gestão de multidões nas horas das partidas,
zonas de acesso limitado, instalação de atividades que permitam a
utilização do local fora dos horários de eventos e jogos.

Vejam
que temos condições de em conjunto com a polícia militar e engenharia
de tráfego adotarmos medidas que se encaixem às condições de uso da
Arena.

Quanto à instalação de atividades fora dos horários de eventos e jogos, possuímos um clube social.

É
citada também no documento uma proposta de implantações paisagísticas a
fim de tornar o local mais agradável aos utilizadores e a vizinhança.

Por
fim a FIFA recomenda que a construção de NOVOS estádios seja feita fora
de perímetros residenciais. Porém a mesma reconhece a existência de
estádios e arenas tradicionais dentro destes perímetros.

Nas
grandes metrópoles esses casos estão ainda mais presentes e a FIFA deve
compreender estes casos. Imaginem as Arenas sendo instaladas em áreas
distantes onde o acesso ao público torna-se demorado, levando-se uma,
duas, horas para chegar-se de carro, ônibus e até de metrô. No mínimo a viabilidade econômica destas Arenas correrá perigo, pois será um desestímulo o comparecimento do torcedor mais distante.

Aqui no Brasil temos vários exemplos de estádios localizados em perímetros residenciais. Morumbi, Pacaembu, Palestra Itália, o projeto do estádio do Corinthians (êpa!!), Couto Pereira e Arena da Baixada em Curitiba, Fonte Nova em Salvador, etc…

Assim,
a adoção das medidas de controle operacionais como as citadas acima
pela própria FIFA são de fundamentais para contornar a maior parte dos
problemas junto às regiões residenciais e tornar o Estádio viável e
visto com bons olhos pelos moradores e utilizadores destes locais.

Na próxima publicação terminaremos a parte das Decisões Preliminares através dos itens 1.6 – Relações com Vizinhança e 1.7 – Estádios Polivalentes.

Até lá…

Claudio Baptista Jr.

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*Claudio Baptista escreve todas as quintas-feiras
sobre arenas esportivas nesse espaço