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Arenas – Recomendações e Exigências Técnicas FIFA v: sobre segurança

Por Claudio Baptista Jr.*

Amigos,

Antes
de iniciarmos a parte de hoje e se vocês me permitirem, gostaria de
trazer para o tema Arena Palestra Itália alguns possíveis reflexos do
ambiente político da S. E. Palmeiras.

Particularmente, não acredito que as turbulências políticas interfiram a tal ponto de não prosperar o acordo para a construção da Arena.
Nossa Arena será construída e nos trará muito orgulho. Porém, sabemos
que o relacionamento entre os parceiros terá a duração de três décadas
e aqui cabe uma ponderação importante.

Como será a gestão deste contrato?

Assinar um contrato é apenas um primeiro passo. A gestão do mesmo é em grande parte muito mais trabalhosa.

A partir do momento em que alguma das partes demonstre alto grau de instabilidade, certamente a outra terá muito mais atenção ao que reza o acordo firmado. E nós sabemos muito bem qual lado está demonstrando instabilidade.

Não
tenham dúvidas que a WTorre terá em suas mãos um contrato no qual fará
valer seus direitos, o Palmeiras também e ambos cobrarão do outro os
respectivos deveres. É exatamente nesse ponto que entra o relacionamento entre as partes,
através da necessidade da presença de INTERLOCUTORES e GESTORES
PREPARADOS. Durante todo o tempo de vigor do contrato surgirão inúmeras
situações que exigirão habilidades de negociação, bom senso e
profissionalismo, porém se os interlocutores e gestores não possuírem
essas habilidades o contrato sairá muitas vezes da gaveta e será colocado sobre a mesa com a seguinte mensagem: “O contrato diz isso e assim será feito”.

Situação desgastante, não? Atrito desnecessário.

Vocês podem ter certeza. O
ego, o apego ao poder, a falta de discussão sobre méritos, sobrepostos
por ações políticas é sinal de instabilidade que leva a um cenário NÃO
CONFIÁVEL sob o ponto de vista do parceiro do Palmeiras. E ao observar
exatamente assim, cada linha, cada interpretação das cláusulas do
contrato terá uma atenção redobrada.

Está certo que a
WTorre não vai querer interferir na política do clube e nem este irá
permitir, até porque se os caminhos políticos do clube levarem o
Palmeiras a entrar em campo com um time de astros ou de série C, o
parceiro da Arena estará da mesma forma recolhendo suas receitas
através de seus eventos, aluguéis de espaços e naming rigths.
Talvez tenhamos um arranhão na imagem da Arena caso times medíocres
sejam montados pelo Palmeiras por reflexo de má gestão e política
incompetente.

O ideal, quando falamos em parceria é a evolução deste relacionamento e a busca até por futuras ampliações nos acordos
(ex: lembrem-se que a WTorre acena também com investimentos na Academia
de Futebol), só que isso pode ser colocado a perder, pois a impressão
que se passa é que foram deixadas de lado discussões para acertos
detalhados, formas de relacionamento, passos futuros perante essa
parceira para simplesmente focar esforços nas ações políticas. Tempo e
neurônios usados em detrimento às ações a favor da S. E Palmeiras.

É lamentável ver que por diversas vezes o Palmeiras coloca obstáculos a si mesmo.

Sabemos
que a consolidação, ou melhor, o resgate de uma cultura vencedora e
pioneira, aquela mesma que nos propiciou sermos o Campeão do Século,
demorará ainda um bom tempo e só se fará caso estivermos atentos a
todos os passos que são dados dentro do clube.

Não podemos permitir o retrocesso deste processo.

Bom, meus amigos, desculpem esse texto inserido dentro de um espaço mais técnico, porém foi necessário, pois algumas ações políticas com certeza influenciarão na gestão deste EMPREENDIMENTO TÃO FUNDAMENTAL PARA A HISTÓRIA DA S. E. PALMEIRAS.

Em prosseguimento efetivo ao tema desta coluna, hoje entraremos na parte do documento que fala da Segurança. Este é um item que a FIFA não abre mão na escolha de um estádio para um evento seu.

Segue
abaixo o conteúdo da parte que fala sobre a segurança e em negrito o
posicionamento dos temas da publicação de hoje perante o conteúdo total:

1 – Decisões preliminares.
2 – Segurança.

2.1 – Exigências básicas em matéria de segurança nos estádios.
2.2 – Exigências específicas em matéria de segurança.
2.3 – Questões estruturais
2.4 – Prevenção de incêndios
2.5 – Sala de Controle
2.6 – Sistema de Vídeo – Vigilância.
2.7 – Salas de primeiros socorros para o público.

3 – Orientação e estacionamentos.
4 – Áreas de jogo.
5 – Autoridades e jogadores.
6 – Espectadores.
7 – Hospitalidade.
8 – Mídias.
9 – Iluminação e alimentação elétrica.
10 – Telecomunicações e espaços complementares.

A
fim de não cometermos omissão nesta parte tão importante, vocês já
notaram que apresentamos o documento fazendo transcrições praticamente
em forma traduzida de boa parte dos trechos.

2.1 – Exigências básicas em matéria de segurança nos estádios.

A
FIFA é clara ao dizer que independente do orçamento e nível de conforto
do estádio, a segurança deve atingir todos seus utilizadores, sejam
eles os espectadores, os jogadores, os oficiais do evento, os
representantes de mídia, entre outros.

Antes mesmo do início das
planificações iniciais, os futuros proprietários, responsáveis pelo
planejamento, da concepção, da construção e da gestão devem estar
conscientes que a segurança é uma prioridade absoluta. Esta condição não poderá em nenhum caso ser contornada em benefícios de outros critérios.

2.2 – Exigências específicas em matéria de segurança.

O
documento menciona que cada setor do estádio, sobretudo as escadas,
saídas, portas, vias de segurança e todos os espaços públicos e
privativos devem estar conformes às normas de segurança das autoridades
locais competentes.

As vias de passagem e as escadas públicas
dentro dos espaços acessíveis aos espectadores devem estar claramente
identificadas, como todas as portas que levam destes espaços aos
assentos e todas as vias que levam para fora do estádio. O acesso a
todas as vias de passagem, corredores, escadas e portas públicas deve
estar constantemente desbloqueado a fim de não ocasionar travamento ou
atrapalhar o fluxo dos espectadores.

As portas de saída e
entrada do estádio e as portas que levam os espectadores aos assentos
devem abrir para o exterior do ponto de vista do espectador. Elas
jamais devem estar bloqueadas no momento em que os espectadores se
encontrem dentro do estádio. No entanto, para impedir o acesso de
pessoas não autorizadas nos dias de jogos e eventos, elas devem possuir
um sistema de fechamento fácil e rápido de se abrir pelo lado de dentro.

Estas
portas devem ser vigiadas de forma permanente por agente(s) de
segurança especialmente designado(s) a evitar todo abuso e de garantir
a segurança em caso de evacuação de urgência. Elas não podem estar
bloqueadas em nenhum caso enquanto os espectadores estiverem dentro do
estádio.

2.3 – Questões estruturais

Cada aspecto relativo a estrutura do estádio deve ser aprovado e certificado pelas autoridades locais encarregadas
das questões de construção e segurança. As normas e exigências em
matéria de construção e segurança variam de um país a outro, mas é essencial que sejam aplicadas as mais rigorosas normas de segurança.

Vejam
que o projeto da Arena Palestra Itália já se encontrava aprovado na
prefeitura e as revisões nele feitas que originaram o atual modelo
também são alvo de aprovações, inclusive as construções previstas para
a área social do clube.

2.4 – Prevenção de incêndios

Deverá se prevista instalação de sistemas de combate a incêndio atendendo todo o estádio.

Procedimentos
e normas de segurança a incêndio relativas aos diferentes setores do
estádio devem estar aprovados e certificados pelo corpo de bombeiros
local.

Na próxima semana terminaremos essa 2ª parte que fala sobre segurança.

Abraço a todos,

Claudio Baptista Jr.