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Não se Irrite II – Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço

Minha britânica postura de ontem à noite foi pro vinagre folheando a
Folha de São Paulo hoje cedo, tomando um café na bela manhã paulistana.

No caderno de esportes da Folha, bem daquele jeito que o jornal gosta de ser, dizia assim: “Gre-Nal coloca Palmeiras no topo do Brasileiro-08.” Se
eu fosse um extra-terrestre recém pousado na cidade eu pensaria que o
clássico gaúcho foi responsável pelos 50 pontos conquistados até aqui
pelo Verdão…

Ok, besteira, já não assino esse jornal e leio na cafeteria perto de casa porque é de graça.

Aí,
folheando o dito cujo, vejo a chamada do inusitado colunista, aquele,
que não digo mais o nome. Li a chamada (e só isso, graças a Deus): “Quem tira o São Paulo do páreo?”

Eu nem devia me importar com isso. Deveria deixar o Observatório Verde cuidar disso, já que tratam muito melhor desse tema do que eu. Mas fiquei indignado… Não parece frase de torcedor? Não tem sãopaulino no escritório, mas se tivesse, tenho certeza que eu chegaria lá e ouviria uma frase parecida…

E eu fiz exatamente o que eu sugeri aos palestrinos para não fazerem hoje: fiquei irritado!

Um
jornal (e consequentemente um jornalista) precisa se posicionar. Ou é
imparcial e portanto trata o tema com isenção (o que é recomendado, já
que o jornal está lá para informar) ou é partidário, torcedor. Se for,
e está no direito dele, deve avisar (atenção, cuidado, aqui você lerá
sempre coisas a favor o time A ou B). No caso ainda não entendi se a
torcida é pelo time do Jd. Leonor ou contra a dupla J.Hawilla/Luxemburgo. Mas prá mim pouco importa!

Por
exemplo, qualquer desavisado que cair sem querer no 3VV, no Mondo, no
OV, no PTD – guardadas as devidas proporções; não comparo esses blogs à
Folha de São Paulo – vai perceber que é um lugar para palmeirenses.
Então se escolher ficar não pode reclamar depois.

Mas o leitor
de um jornal com a circulação da Folha e entrar na editoria de esportes
– que cá entre nós sempre foi péssima, talvez a pior entre os jornais
paulistanos – espera ler algo independente, apartidário, sem emoções.

Eu,
do meu lado, que conheço pouca coisa sobre mídia – trabalho
indiretamente nisso – posso afirmar que posturas como essa da Folha e
alguns colunistas e jornalistas vão levar mais rapidamente ao chão o já
moribundo mercado de assinaturas e publicidade de jornais do Brasil. A
longo prazo serão todos desempregados…

Mas se isso me faz sair
um sorriso cínico no canto dos lábios, por outro me deixa com inveja
dos italianos, espanhóis, franceses, ingleses, americanos, … . Lá
existem dúzias de revistas especializadas em futebol em cada país… e
não só com qualidade gráfica, mas qualidade editorial. Lá você lê uma
matéria e aprende alguma coisa. Ou seja, lá além de opções existe
qualidade da informação.

Aqui no Brasil, fora do esporte,
podíamos e em alguns casos podemos aprender sobre política lendo Jânio
de Freitas, Clovis Rossi, e outros que certamente estou esquecendo.
Podemos aprender e nos divertir muito com economia lendo e ouvindo
Joelmir Beting. Ou ter uma aula prática também de economia com Carlos
Alberto Sardenbeng…

No Sul, onde frequento bastante, toda
manhã leio um pouco do Zero Hora, O Dia, Jornal do Commercio, … E
mesmo quando o tema é futebol, parece outro país. Acostumados com uma
intensa rivalidade na região os colunistas são extremamente cuidadosos.
Parece que se revezam: um dia Ruy Carlos Ostermann fala mais do Grêmio e menos do Inter. Depois inverte… Ou Luiz Zini, que transita entre um e outro sem pisar em nenhuma mina.

Mas para achar esse tipo de colunista aqui nos jornais de São Paulo, tá difícil…

EM TEMPO

Quando finalizava esse post, percebi que a chamada do jornal em papel da coluna do jornalista citado (“Quem tira o São Paulo do Páreo”) é bem diferente da chamada na Folha online: “A disputa não se limitará aos dois primeiros” diz o site. Essa pelo menos não é tão descaradamente parcial e torcedora.

Vamos
trabalhar porque hoje a agenda está cheia e como já falei certa vez a
um grande amigo, aqui nesse espaço nós gastamos dinheiro com o futebol
então nós temos que ganhar a vida de outro jeito. Enquanto isso, a
imprensa – como não poderia ser diferente – ganha dinheiro com o
esporte bretão!

Saudações…