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6 lições sobre fornecimento de material esportivo

Por Vicente Criscio
  
Curto
e grosso: o Lance! deste domingo publicou matéria considerando o
contrato assinado entre Palmeiras e Adidas como ruim para o Palmeiras.
Cita os contratos do Santos FC-Umbro (R$ 11 milhões) e São Paulo-Reebok
(R$ 15 milhões) como os exemplos de bons contratos.

Esse blog já
está um pouco cansado dessa história de matéria mal feita na imprensa.
Mas a imprensa tanto quanto os blogs não podem usar seu veículo para
informar errado. Principalmente quando o erro é assim básico. E quando
erram, por favor, sejam humildes para reconhecerem o erro!

Então em respeito ao torcedor palmeirense, aí vão algumas lições sobre o tema:

  1. um
    contrato de fornecimento de material esportivo é assinado por duas
    partes: até pouco tempo atrás, alguns dirigentes esportivos eram mal
    informados ou mal intencionados e por isso o contrato era mal feito
    para o clube, nunca para a empresa de material esportivo. E executivo de empresa de material esportivo não é burro; ele não rasga dinheiro! Então ele paga o valor condizente com o valor do mercado – isso se o clube souber valorizar sua marca;
  2. dada a premissa 1. a empresa de material esportivo faz uma proposta de patrocínio em clube considerando alguns indicadores de retorno e o contexto do mercado de fornecimento. E eles conhecem isso muito melhor do que nós. Só prá dar um exemplo sobre que tipo de indicador é analisado:
    • no final de 2007 o Palmeiras era a terceira maior marca em exposição; ficava atrás dos outros dois clubes paulistanos;
    • em
      julho de 2008, encerradas as competições Libertadores e Copa do Brasil,
      o Palmeiras foi 1o no ranking de exposição entre os 8 clubes grandes
      brasileiros; e a tendência é liderar esse ranking até o final do ano.
      Isso eleva valor do patrocínio; portanto guarde essa informação
      enquanto lê esse post;
  3. o valor do contrato de patrocínio de uma empresa de material esportivo compõe-se de dois elementos: i) dinheiro, grana, cash, “larjan”, cacau, ou seja, “dinheiro vivo” pago para cada ano de contrato; ii) enxoval,
    que é o termo utilizado para o fornecimento de uniformes. Só para o
    leitor ter uma idéia, são quase 40 itens de fornecimento, desde a
    camiseta que você vê entrar em campo até a calça de goleira do time de
    handebol. Da chuteira ao maiô de aeróbica. Do agasalho do time
    principal a caneleira;
  4. o valor do enxoval varia. Depende
    principalmente da quantidade e do valor médio dos itens a serem
    fornecidos. No caso do Palmeiras estimo em cerca de 50 mil itens a serem fornecidos;
  5. quando
    o jornalista do Lance! fala que o contrato da Umbro é de R$ 11 milhões
    eu pergunto: tudo isso é grana? Se for, posso ver o contrato? Porque,
    cá entre nós, eu truco! Em outras palavras,
    R$ 11 milhões pro Santos é contrato completo, com enxoval. Como São
    Tomé, só acredito que esse valor seja dinheiro vivo vendo o contrato;
  6. quando falam que a Reebok paga R$ 15 milhões pro São Paulo grito mais alto: seis bamb.. quer dizer, cachorro! R$
    15 milhões? Só se for dinheiro mais enxoval. O que me levaria a
    acreditar que o valor é de R$ 7 a 10 milhões de reais em “grana” e o
    restante em enxoval. E acho que vale, porque o alegre clube do Jardim
    Leonor é bi-campeão brasileiro. Então não se discute! Isso é fato. Mas
    seguramente não é R$ 15 milhões em grana. Se for, mostra o contrato eu
    “tomo o zape” na testa.

Então colocado de forma didática como
funciona o mundo do fornecimento de material esportivo, vale dizer que
o contrato renovado com a Adidas representa quase 3 vezes mais do que o
contrato anterior somente no tema “grana”. Fora as melhorias
operacionais prometidas e o aumento do enxoval.

E tem mais uma
coisa: esse valor foi submetido a uma concorrência, onde 5 ou 6
empresas mandaram propostas, e duas delas se qualificaram como as
melhores. E a Adidas superou esse valor. Ponto!

Quanto ao
“contrato” que vazou na mídia, vale uma mensagem malcriada deste blog:
nossos prezados conselheiros e diretores que tiveram acesso a essa
informação e divulgaram para a imprensa fizeram um desserviço ao clube.
Esse tipo de contrato não se divulga. Sabe por que não? Porque daqui a 3 anos haverá uma nova concorrência no Palmeiras!

Hellooooo! Srs. comedores de coxinha nas festas palmeirenses: parem de jogar contra o Palmeiras!

Saudações…