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César, suas histórias e estórias

Encontro com o César Maluco; bonachão, agora apresentando programa na
TV, chefe de vendas no consórcio. Todo enfeitado combinando gravata com
terno, sapato com cinto e por aí afora.

Não combinava com aquele
Cesar Maluco da comemoração na arquibancada ou que virava de costas pro
goleiro na hora de bater o pênalti. Realmente, quem conheceu o César
nos seus bons tempos imagina que mudança isto tudo representa.

Falemos de velhas histórias.

Rubens
Minelli estava sem ambiente com o time. Não se falava em outra coisa
que não a queda eminente do treinador. O jogo seria naquela tarde de
sábado e os jogadores almoçavam alvoroçados. Nisso o treinador chega e
com toda a pompa possível comunica que demitira-se minutos antes. A
princípio aplausos tímidos saudaram o comunicado. Logo em seguida o
refeitório inteiro aplaudia entusiasmado a saída do técnico, até os
garçons aplaudiam.

Início de 74, Brandão era o treinador.

O
Palmeiras enfrentou e venceu algumas equipes cariocas em amistosos
preparatórios ao Campeonato Paulista. Inexplicavelmente marcaram
amistoso contra o Corinthians.

Os treinadores dos dois times desaprovavam, afinal resultado de Derby, até mesmo em amistoso, sempre é cruel com o derrotado.

Brandão
deu a ordem no intervalo: “Estamos ganhando, caso o adversário empate
tratem de segurar a bola”. César levou ao pé da letra. O Corinthians
empatou e o centroavante palmeirense pegou a bola nas mãos e saiu
caminhando atrás do gol. Depois da surpresa, começaram as risadas, até
o juiz expulsá-lo de campo.

Jogando pelo Corinthians o
irrequieto atacante não teve maior êxito. Contratado por um ano não
completou a metade do contrato. Tempo suficiente para num jogo no
interior ao perceber que seu colega Russo, numa disputa de bola,
perdera a dentadura, para saí-la chutando cada vez mais longe. Russo
não sabia se ia atrás da dentadura ou cuidava do time adversário que
voltava atacar. Tentou as duas coisas ao mesmo tempo. Foi difícil,
minutos depois, para o massagista limpar a preciosa peça do jogador que
ao encontrá-la colocou na boca ainda com resquícios de grama.

Ainda
jogando pelo leal adversário enfrentou o Palmeiras de Dudu como
treinador. Ao ver desde o início Jorge Mendonça deslocado para a ponta
esquerda, Cesar tentou alertar Milton Buzetto, seu treinador.

Milton mandou ele cuidar de jogar bola que do time cuidava ele.

Cesar ficou quieto.

Jorge Mendonça ,atuando pela ponta, fez os dois gols da vitória palmeirense. Milton caiu, César riu.

Lembrou,
também, quando, na Copa 74 na Alemanha, descobriu um dispositivo que
invertia o fluxo da escada rolante. Esperou a delegação inteira do
Zaire estar concentrada na escada e acionou a máquina.

Perguntei por que na decisão do Paulistão 72 ele usou uniforme diferente dos demais jogadores.

Quem vê as fotos da partida final contra o S.Paulo nota que a camisa de César tinha diferenças com relação a dos companheiros.

Ele pensa demonstrando saudades e respeito.

“Ordens da Dona Rosa, guru espiritual do mestre Brandão” e decisão do mestre não se discutia, cumpria-se.

Jota Christianini
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Jota Christianini escreve todas as terças-feiras no 3VV, sempre
“contando um “causo como ele foi”.