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Mais do que Campeão: SUPER CAMPEÃO!

Por Jota Christianini Crédito para as imagens: Site palestrinos.sites.uol.com.br, acervo do autor e família Paolillo 
 

O Paulistão de 1959 começou diferente. O Palmeiras que fazia oito anos não ganhava o título começou goleando. Doze gols nas duas primeiras partidas, seis no Guarani e seis no Comercial da Capital.
 
O equilíbrio entre o Palmeiras e o time do Pelé era muito grande, mas todos – a torcida, a imprensa – percebiam que aquele ano ia ser diferente. O Palmeiras jogava e mostrava que colocaria fim ao domínio peixeiro que durava quatro anos.
 
Os demais concorrentes nada pretendiam: o Corinthians começava a amargar os 23 anos de fila, e o outro time, o tricolor, pretendia muito pouco; sem estádio para jogar, mandava seus jogos no Palestra Itália, cedido gratuitamente.

A incrível Ferroviária de Rosan e Bazzani era a única a incomodar os dois concorrentes ao título.

Palmeiras e Santos vinham disputando a primeira colocação, cabeça a cabeça. Até que o primeiro turno chegou à última rodada. Os líderes iriam jogar em Santos.

Insuflados pelo locutor esportivo de Santos, Ernani Franco, o conhecido “Virgilato Papagaio” o Palmeiras foi pessimamente recebido em Urbano Caldeira. A imprensa paulistana foi impedida de trabalhar e vários locutores, inclusive Pedro Luis, foram agredidos. Aurélio Campos, santista declarado, narrou pela TV Tupi, e torceu declaradamente pelo Santos. O clima tenso chegou ao campo de jogo, o Palmeiras perdeu feio, mas prometeu o troco. E cumpriu, no campo!

Quarenta dias depois no jogo do returno não havia como conter a volúpia e o entusiasmo da torcida e do time. Sem recorrer a qualquer artifício extra campo – não precisava – o Palmeiras enfiou 5×1 no Santos, com Pelé e todos os outros.

E assim foi indo até o fim. Em dezembro, última rodada, no sábado, o Palmeiras meteu 6×1 na Ponte Preta, e no dia seguinte com frangaço de Gilmar o Corinthians tomou de 4 do Santos na Vila.

Não havia critério de desempate. Era “melhor de 3”, ou seja, quem fizesse quatro pontos primeiro era campeão em duas ou três partidas (cada vitória valia dois pontos). E assim foi denominado SUPER CAMPEONATO por ter jogos extras para definir o campeão.

Jogos em janeiro de 1960. Nos dois primeiros empates – 1×1 e 2×2. No segundo jogo o Santos marcou os seus dois gols de pênalti, ambos contestados, mas tudo “conspirava” para um terceiro jogo. E foi o que aconteceu!

Mestre Brandão tirou Géo, esforçado ponte esquerda pernambucano e ao contrário dos outros treinadores que fechavam-se na defesa diante de Pelé, resolveu usar o antídoto: atacar o tempo todo. Colocou quatro atacantes de ofício: Julinho, Nardo, Romeiro e Américo.

O Santos escondeu o time. Pagão e Jair eram dúvidas, mas foram confirmados na hora de entrar para o campo.

O repórter da Rádio Panamericana, atual Jovem Pan, bancou a Cassandra;

– Jogam Jair e Pagão, junto com Pelé… pobre Palmeiras!!!

Meu pai com o previsível sotaque dinamarquês que ostentou em toda a vida não deixou dúvidas:

– Essa besta falou isso porque num conheci nóis. O Vardemá e o Ardemá vão colocar esses treis no borso!

Foi o que se viu, um jogaço! Pacaembu lotado, 95% de palmeirenses, que, aproveitando que a Prefeitura havia cortado os galhos das palmeiras da avenida, levou-as ao estádio como estandarte do futuro campeão.

Pelé marcou logo de cara! E depois disso foi colocado no bolso de Aldemar e não jogou mais nada. Julinho Botelho [ clique aqui e ouça o gol de Julinho ] empatou ainda no primeiro tempo.

Logo no início do segundo tempo Romeiro [ clique aqui e ouça o gol de Romeiro ], bateu a célebre falta no alto do gol de Laercio e colocou o Palmeiras em vantagem. Logo a seguir Américo chuta na trave.

O final foi eletrizante, o Palmeiras, oito anos sem título está perto da taça. Chinesinho leva a bola até a lateral e chuta para as gerais – arquibancada é coisa recente. A bola volta, cobram o lateral e Chinês manda de volta. Os torcedores seguram a bola… o árbitro Pietrobom manda dizer que vai esperar.

Volta a bola, e o jogo acaba.

Foi bonita a festa! Os jogadores são carregados… Djalma Santos e Julinho dizem apenas:

– Conseguimos, eles que tinham jogado pelo mundo todo, mas não tinham o título de campeão paulista, sem dúvida o mais importante título daquela época no futebol brasileiro. Eles tinham conseguido! O Palmeiras tinha conseguido derrubar o mitológico time santista de Pelé.

Caminhões lotados de torcedores vão para o estádio do Palmeiras e dali para a Gazeta Esportiva na avenida Casper Libero, como era praxe. O jornal hasteia a bandeira do campeão.

Não éramos simplesmente campeões, éramos SUPER CAMPEÕES!

2 respostas em “Mais do que Campeão: SUPER CAMPEÃO!”

Bianchini, o Jota me passou a informação. A casa do Matarazzo foi demolida na gestão Erundina, 1988; hoje é um terreno onde funciona um estacionamento. Como ele não recebeu a foto, não sabe qual o “dístico”. O que existiu foi uma faixa colocada pelo Eduardo e Ermelino Matarazzo em 1959. Abs,

Jota ou Vicente; Essa última foto é do casarão da família Matarazzo certo? Não pude deixar de reparar no lindo símbolo estampado na fachada.
Eu gostaria de saber se ele ainda existe?

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