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Futebol com Números

Os custos “invisívies” dos jogos de futebol

Por Luís Fernando Tredinnick

Quando
eu estava buscando informações sobre o público e renda dos jogos para o
post da semana passada, me deparei com um daqueles mistérios que rondam
o futebol brasileiro: os custos invisíveis dos jogos de futebol.

Vocês
sabiam que das receitas totais da bilheteria do Palmeiras mais do que
30% são custos? Isso mesmo, menos de 70% da bilheteria acaba realmente
entrando nos cofres do clube. Surpreendente, não?

Como
fiquei surpreso, resolvi analisar os três últimos jogos do Palmeiras no
Palestra, contra o Vasco, Sport e Coritiba. Os valores que vamos
analisar abaixo são a média dessas três partidas.

Como estamos
na era da transparência, todos os borderôs de todos os jogos do
Campeonato Brasileiro e do Campeonato Paulista estão disponíveis na
internet para quem quiser ver. Não que o que está no borderô seja fácil
de se entender, portanto devemos ter mais dúvidas do que respostas hoje.

Existem dois tipos de custo em uma partida de futebol: os que são uma porcentagem da receita e os custos fixos.

Custos como porcentagem da receita

São
cinco custos que são uma porcentagem da receita, que representam 21,55%
da receita bruta. Na tabela ao lado vocês observam quando esses itens
custaram para o Palmeiras.

Ingressos:
o Palmeiras paga para a BWA 10% de toda a receita gerada no jogo,
inclusive a receita vinda do setor Visa. Isso representou quase R$ 50
mil por jogo. Dada a qualidade do serviço, as denúncias que envolvem a
empresa, devemos admitir que isso é muito dinheiro.

INSS:
pela lei, 5% da receita bruta da bilheteria deve ser paga ao INSS.
Parte da dívida que os clubes tem com o INSS é justamente o
não-pagamento desse percentual.

Federação local:
isso mesmo, caro leitor, a Federação Paulista também leva 5% da receita
bruta da bilheteria. Alguém acha que vale uma pesquisa para saber o que
a Federação faz esse dinheiro?

FAAP – Federação
das Associações dos Atletas Profissionais: A FAAP é hoje presidida pelo
Piazza, campeão do mundo com a seleção brasileira. Em teoria a FAAP usa
o dinheiro para ajudar ex-jogadores de futebol. Existe um
questionamento por parte dos clubes sobre a legalidade dessa cobrança,
uma vez que quem deveria contribuir para uma associação são os membros
dessa associação, e não os clubes. Direito futebolístico é matéria para
o Emerson, mas eu também não concordo com essa cobrança.

Seguro para o público:
essa é uma tremenda novidade. 0,55% da receita bruta é paga para a
realização de um seguro para o público. Alguém aí sabia que nós
tínhamos um seguro quando vamos para o estádio? Alguém aí se sente mais
seguro? Eu realmente gostaria de saber para que serve esse seguro.

Custos fixos

Os custos fixos representaram mais de R$ 50 mil por partida. E aqui temos mais alguns mistérios

Bilheteiros e funcionários:
o Palmeiras pagou mais de R$ 13 mil por partida para bilheteiros e
funcionários. Não consegui informações sobre quem seriam esses
funcionários, mas convenhamos, não parece ser um custo excessivo?
Principalmente se considerarmos que os bilheteiros devem ser da BWA e
não do Palmeiras. Vamos pesquisar o tema.

Quadro móvel:
não perguntem o que é isso. Não consegui achar nenhuma explicação para
isso. O mais interessante é que esse item aparece para todos os clubes,
mas para o time do Jr. Leonor os valores são da ordem de R$ 500 e nós
estamos pagando R$ 9 mil. Mais mistérios no ar.

Arbitragem: cada partida tem um custo diferente, que inclui os valores pagos para o trio de arbitragem, INSS, transporte e seguro.

Fiscais:
todos os clubes tem essa despesa e todos giram em torno de R$ 4 mil.
Não é divertido ter que pagar para ser fiscalizado? Também não consegui
descobri o que os fiscais estão fiscalizando, mas considerando-se que
não se ouve falar muito neles, eles não devem prestar nenhum serviço
essencial para o futebol.

Despesas operacionais:
não há como saber o que vai nesta conta.. É uma boa pergunta: a que se
referem essas despesas. São despesas de manutenção do estádio ou são
referentes à partida? Mais mistérios.

Policiamento, Anti-Doping e Ambulância: esses são itens auto-explicativos

Conclusões:

Existem uma série de custos “invisíveis” nas partidas de futebol e esses custos representam mais de 30% da receita.

Alguns
custos são uma porcentagem da receita. Nesse tipo de custo chama muito
a atenção o que se paga à BWA. Os montantes pagos fazem com que todos
nós queiramos montar uma empresa que vende ingressos. Alguém aí se
habilita?

Alguns custos fixos apresentados nos borderôs do
Palmeiras chamam muito a atenção: entre funcionários, quadro móvel e
despesas operacionais cada partida custa mais de R$ 30 mil. Ainda que
faltem detalhes sobre esses custos, eles parecem excessivos.

Seria
muito interessante que o clube fornecesse mais detalhes sobre esses
gastos, pois tudo o que queremos é saber que o clube está fazendo um
trabalho meticuloso de redução de custos e que não há espaço para
desvios de qualquer forma!

Todos nós, torcedores, merecemos isso!

Saudações AlviVerdes

*Luis
Fernando Tredinnick escreve todas as sextas-feiras no 3VV, explicando a
quem conhece e também a quem não conhece os números no futebol
.