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Abre o olho

Essa quem é do setor de seguros vai entender melhor.

Existe um
produto vendido pelas seguradoras na Europa e nos Estados Unidos para
clubes de futebol (ou de outras modalidades) que ameniza a o risco de
perdas financeiras por premiações decorrentes de conquistas de títulos.

Funciona
mais ou menos assim: suponha que na temporada 2008/2009 o Barcelona vai
disputar a Copa do Rei, o campeonato espanhol e a Champions League. Se
o Barcelona for campeão nas três competições deverá desembolsar um
valor alto para pagar o prêmio de cada conquista aos seus atletas pelos
resultados atingidos.

É nessa hora que entra o seguro. Para
não ter que arcar com um desembolso financeiro significativo o
Barcelona em caso de uma conquista tripla, o clube faz previamente um
“seguro em caso de sucesso”. Assim o Barcelona paga o valor do seguro –
previsível e bem menor que a soma das premiações pelas conquistas – e a
seguradora “banca” o risco de pagar o “bicho” aos jogadores em caso de
três conquistas.

Esse tipo de seguro é comum nos grandes clubes
europeus. E serve para “segurar” os clubes dos desembolsos financeiros
em caso de conquistas. Em outro extremo, também serve para segurar
algum clube de perdas em eventual rebaixamento à segunda divisão.

E
nos Estados Unidos é comum também esse produto em outro tipo de evento,
que também é “segurável”. Talvez vocês já tenham visto um tipo de
promoção que alguns times americanos de basquetebol fazem, convidando
torcedores a arremessarem a bola ao cesto do meio de quadra. Se o
torcedor acerta ganha por exemplo US$ 1 milhão. Esse tipo de produto
também é “segurado” de forma que o clube não paga o tal milhão de
dólares. Quem paga, no caso do torcedor acertar a cesta, é a
seguradora, mediante apólice contratada previamente pelo time.

Claro
que todo tipo de evento que é passível de um seguro – da cobertura do
meu carro em caso de batida ao título da Champions League pelo
Barcelona – passa pela análise de especialistas em risco. Qual o risco
de eu bater o carro? Daí vem toda a análise do meu perfil – idade,
estado civil, onde eu resido, quem mais dirige o veículo, etc. E daí
calcula-se o valor do seguro: 5 ou 10 ou 20% do valor do veículo
segurado.

No caso do Barcelona, idem na mesma data: o time tem
chances de ser campeão dos três torneios? Muita chance? Se sim, então o
risco é alto. Nesse caso a seguradora nem faz o seguro. Ou se fizesse
cobraria um valor que não seria interessante para o clube.

Mas a
curiosidade maior vem agora: conversei com um empresário dono de uma
corretora de seguros. Esse empresário (um corretor de seguros)
trabalhou na Europa com esse tipo de seguro. E tentou emplacar esse
produto aqui. Como os valores segurados seriam um tanto alto, ele
buscou algumas seguradoras na Europa para compartilharem o risco (na
prática chama-se resseguro).

Resposta dessas seguradoras: “no thanks”.

Por
quê? Julgavam o risco de “influências externas” no resultado do
campeonato bastante grande e isso não tem modelo de risco no mundo que
consiga prever. E usaram o resultado do campeonato brasileiro de 2005
como exemplo.

O corretor de seguros com quem conversei – que
pede para não ser identificado – faz ainda a ressalva que ele não
procurou todas as empresas de resseguro e que eventualmente essa
posição pode mudar com o tempo e esse produto pode vir para o Brasil.
Mas o fato é, hoje em dia, no futebol brasileiro, aquelas empresas de
resseguro que ele procurou se recusaram ao “risco Brasil” no futebol.
Por isso eu digo: abre o olho…

Saudações Alviverdes!