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Ministrinho

Por Jota Christianini
 
Cento Anni, assim que minha nona desejava a todos aniversariantes, morreu com 97, quase chegou lá.

Ontem,
17 de novembro, faria cento anni um dos maiores torcedores do Palestra
que demonstrava seu amor ao clube da forma mais efetiva possível: era
titular do time, ponta direita.

Pedro Sernagiotto, o
Ministrinho, era o jogador mais querido da torcida do Palestra e das
outras torcidas. Em 1929, com dois anos de carreira, foi eleito o
jogador mais popular da cidade.

Ministrinho, ganhou esse
apelido, do diretor palestrino Italo Bosseti, por ser parecido com
Giovanni del Ministro, que atuou pelo clube desde 1919 .

Nascido
em S.Paulo em 17 de novembro de 1908 Ministrinho logo destacou-se nas
peladas da Rua Augusta onde nasceu e sempre morou. Convidado a treinar
no Palestra dias depois já foi escalado para jogar contra o Americano
de Santos, no final de 1927. Primeiro jogo , primeira vitoria e
primeiro gol.

A vontade, garra e o esforço de Ministrinho eram
notados pela torcida. Franzino, media menos de 1,60, era adorado pelos
torcedores. Era um torcedor que jogava.

Adorava o Palestra , paixão que durou toda uma vida.

Seus duelos contra Grané [ veja imagem ao lado ],
lendário zagueiro corintiano eram memoráveis. Grané chutava muito
forte, era alto, 1,90 e pesava 100 quilos. Era chamado de 420, o canhão
mais potente da época. Ao lado, com Ministrinho, parecia ter o dobro do
tamanho, mas isso não intimidava o ponteiro palestrino. Ao contrário!

Nos
primeiros duelos aconteceu um certo equilíbrio embora o Palestra
houvesse ganho as duas últimas partidas. Mas tudo desfez-se para
corintianos, no dia 24 de agosto de 1929. Nesse dia Ministrinho foi
demais… marcou gol na goleada diante do Corinthans, 4×0, mas driblou
tantas vezes a Graná que ao final do jogo este preferiu trocar de
posição com Leone a ter que ser violento com Ministrinho.

Lépido,
driblador, inteligente, Ministrinho foi contratado para jogar na
Itália, em 1931. Por engano assinou contrato com dois times ao mesmo
tempo e ficou suspenso por um ano.

A Juventus [ veja imagem ao lado ]
, sabendo das qualidades do jogador, custeou todo o tempo e pode
escalá-lo somente em 1933. Valeu a pena. La Vecchia Signora ganhou o
bicampeonato 33 e 34, com soberba contribuição de Ministrinho.

A
saudades foi grande e voltou ao seu querido Palestra. Ainda a tempo de
completar a temporada de 1934, ano que o Palestra comemorava o o seu
tricampeonato.

Jogou posteriormente na Lusa, e outros times de
menor expressão, mas como bom filho, voltou a casa para a resistência
heróica de 42. Jogou pelo Palestra de S.Paulo e no ano seguinte, já
como Palmeiras, despediu-se do futebol em amistoso diante do Vasco da
Gama.

Nesse instante pensemos e comparamos com alguns dos
pseudos ídolos de hoje em dia. Ministrinho jogou mais de 15 anos, dos
quais 10 como profissional e saiu do futebol, financeiramente como se
dizia na época, muito bem da vida. Conseguiu o suficiente para
manter-se com dignidade.

Como
era sapateiro de profissão montou uma sapataria na Rua Augusta esquina
com Marques de Paranaguá e na frente do estabelecimento instalou uma
bomba de gasolina.

Morreu em 1965 e quando perguntado dizia-se
feliz pois continuava fazendo a mesma coisa que fazia quando era
jogador: torcia pelo Palmeiras!

*Jota Christianini escreve todas as 3as feiras no 3VV;crédito das imagens: acervo de Luciano Pasqualini e Danilo Cersosimo e palestrinos.sites.uol.com.br; reprodução autorizada mediante expressa divulgação do autor, dos créditos das imagens e do blog Terceira Via Verdão.