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O Orçamento no Futebol

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Por Vicente Criscio 

Esse é o
sétimo post da série. Até aqui apresentamos uma entrevista com o
Professor Belluzzo (primeiro post) e depois 6 artigos sobre a
plataforma de crescimento de receitas.
 
Hoje vou sair desse tema – prometo retornar em breve – para aproveitar o gancho sobre planejamento da temporada 2009.
 
Deve estar acontecendo na empresa onde vocês trabalham. Nessa época do ano se já não está pronto está quase finalizado o Orçamento 2009. É quando as empresas montam uma espécie de plano financeiro – receitas e despesas – visando atingir determinados objetivos no novo exercício.
 
E enquanto eu me mato no “meu” orçamento 2009, leio no jornal Folha de São Paulo deste sábado uma curiosa matéria onde é apontado os erros da administração do São Paulo FC no planejamento da
temporada 2008 e como o técnico Muricy Ramalho corrigiu a rota apostando em jogadores desacreditados. A matéria está na página D1 e é assinada por Rodrigo Mattos.

E em paralelo já estamos lendo notícias sobre o “planejamento” do elenco de alguns clubes – entre eles o Palmeiras – para a temporada 2009.

Mas o que tem a ver o “planejamento do elenco”, com “orçamento”, com planejamento de longo prazo?

Muita coisa.

CURTO, MÉDIO, LONGO PRAZO

Assim como nas empresas os clubes de futebol também têm necessidade de olhar na bola de cristal e definirem seus objetivos – à luz da realidade projetada – e se planejarem para isso. É mais ou menos como o Diretor Financeiro da sua empresa deve pensar. Ele recebe premissas do Presidente da Empresa e dos acionistas – premissas de atingimento de resultados ou de entrada de novos mercados ou ainda de consolidação dos mercados em que atua. Inicia-se aí um processo com o pessoal de vendas, produção, compras, marketing, enfim todos os que estão integrados ao processo. Quando esse planejamento (ou orçamento, se preferirem) é mais estruturado, busca-se integrar com fornecedores e clientes alguns elementos desse plano.

No futebol não é diferente. Quer dizer, não deveria ser diferente.

O Presidente, junto com os principais acionistas – torcida? sócios? alguns membros do conselho? – definem os objetivos para o próximo exercício. Esses objetivos são repassados aos principais gestores de cada departamento. O futebol inclusive; aliás: o futebol principalmente!

O futebol deve fazer um amplo exercício. Algumas perguntas devem ser respondidas:

1. Quais torneios o time vai disputar em 2009?
2. Quantos jogos serão? quantos com nosso mando?
3. Qual o elenco necessário? quais as principais carências? qual o investimento necessário?
4. Quais jogadores poderão ser aproveitados das categorias de base?
5. Quais contratos vencerão? quais serão renovados? quantos e quais jogadores serão desligados?

De posse destas questões podemos analisar se temos um equilíbrio de receitas ou despesas ou se estamos pendendo para algum lado.

Perceba que tudo importa. Vamos dar um exemplo: quantos jogos o Palmeiras deve fazer em 2009?

  • 19 jogos no Paulista; se for para as finais podem ser mais 2 (semi-finais) ou 4 jogos (indo até a final);
  • 38 jogos no Brasileirão;
  • de 6 (no mínimo) a 14 (chegando na tão sonhada final) jogos na Libertadores;
  • se for campeão Brasileiro, jogará de 2 a 10 partidas na Sul-Americana.

Ou seja, de 63 jogos (mínimo) a 75 jogos. Sem considerar a Sul-Americana. Na média, 31 partidas em casa. A partir daí pode-se aplicar todos os indicadores de receitas e despesas média por partida para se estimar algumas receitas (bilheteria, direitos de transmissão, premiação de campeonatos, variável de patrocinadores) e despesas (premiação para atletas, despesas operacionais e de logística em dias de jogos).

E principalmente pode-se estimar qual a despesa a ser comprometida com o time de futebol.

TORNANDO O MODELO MAIS COMPLICADO

Suponha que o seu time tenha uma comissão técnica mais cara que a média (qualquer semelhança é mera coincidência). Ou suponha que seu antigo Diretor de Futebol gastou muito com jogadorzinhos com saláiozões (Dininhos, Marcinhos, Juninhos, e outros inhos…).

Ou ainda, suponha que o seu time de futebol tem que bancar o déficit do clube social. E que por erros e desmandos do passado algumas linhas de receitas foram antecipadas (por exemplo, um contrato de patrocínio assinado em dezembro de 2007 e pago integralmente no ato da assinatura para pagar débitos anteriores).

Ou ainda, sendo bem realista: o modelo de negócios no futebol do Brasil não fecha a conta sem a venda de jogadores. Quer dizer o seguinte: receitas de patrocínios, direitos de transmissão e bilheteria NÃO PAGAM A CONTA DE UM TIME VENCEDOR. Simples assim!

Então é criado o efeito perverso e que de vez em quando vemos na nossa conta-corrente, quando as saídas são maiores do que as entradas. Como o quadro abaixo:


Como isso se equilibra? O Luis Fernando Tredinnick, em sua coluna semanal Futebol com Números, é bastante didático nesse ponto. A única forma que qualquer grande clube brasileiro equilibra as contas nos dias de hoje é através da venda de direitos federativos. Aí busca-se novamente o equilíbrio orçamentário.

Para simplificar estamos colocando apenas a “venda” de direitos federativos. Mas também tem a “compra” de direitos. Hoje o Palmeiras tem a Traffic como parceira então esse investimento tende a zero (enquanto a parceira mantém o risco do jogador não performar).

ENTÃO QUAL O PONTO IMPORTANTE?

São vários: primeiro e mais óbvio. Enquanto esse modelo de receitas for perverso (receitas de marketing, direitos de transmissão e bilheterias não cobrirem o “caro” custo de um time vencedor) os clubes dependerão das vendas de direitos federativos. E principalmente numa parceria aos moldes da Traffic, desenvolver esses talentos dentro de casa e comercializá-los no tempo certo é fundamental para trazer o equilíbrio do resultado.

Mas dois outros pontos são extremamente relevantes.

Um deles é que fontes alternativas de receitas devem ser desenvolvidas visando depender cada vez menos da venda de direitos federativos. Além disso, deve-se buscar o fortalecimento das receitas atuais com bons contratos de patrocínio e a ampliação dos parceiros explorando todo o potencial de propriedades que um clube tem.

E por último mas não menos importante: o planejamento do curto prazo, ou se preferirem o orçamento, deve ser feito considerando o potencial desempenho esportivo. Faz muita diferença para um clube de futebol se ele jogar 60 ou 70 partidas num ano. Faz enorme diferença se essas 10 partidas a mais são feitas dentro da Libertadores, principalmente se for nas fases mais avançadas.

Por isso o planejamento (ou orçamento) do ano envolve todos os executivos nas empresas. Por isso que o Diretor de Futebol, o Gerente de Futebol, e eu diria até o treinador de futebol devem participar desse processo.

Em tempo: ano passado o Departamento de Futebol da SE Palmeiras definiu um processo semelhante a esse.  Ainda não tão completo, mas já foi um avanço.

Saudações Alviverdes!

6 respostas em “O Orçamento no Futebol”

Vicente,

Na verdade, a partir de 2009, o campeão brasileiro não disputa mais a Copa Sulamericana…
Abraço

Será que o fato de usarmos alguma(s) casa(s) de aluguel durante a reforma do Palestra nos trará um prejuízo muito grande na receita de bilheteria?

Mais um otimo post, matendo a qualidade já cohecida.
Um grande abraço Vicente! Estamos acompanhando.

Parabens Vicente!!
Leio diariamente lah e agora vai ser aqui tambem, pra mim que moro em Florianopolis é fundamental acompanhar sempre as últimas sobre o nosso Verdão.
E logo mais, vamos pra cima dos gauchos porque mais do que nunca precisamos destes 3 pontos.
Abraço.
Valter

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