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A importância das parcerias: visão geral

DA SÉRIE PLANEJO, LOGO EXISTO 
Por Vicente Criscio 
 

Uma definição livre para PARCERIA:
tipo de entidade no mundo dos negócios onde os parceiros (os
proprietários de duas ou mais empresas) se associam para um determinado
fim, cada um agregando uma competência relevante, e compartilham os
lucros e as perdas do empreendimento.

No futebol o termo “parceria” ficou muito evidente na
época da associação Palmeiras-Parmalat. Em tese – e é o que clubes e
torcedores esperam – o “parceiro” aporta recursos (geralmente
financeiros, mas pode ser administrativo) em um determinado clube de
futebol de maneira a fortalecê-lo. E esperam algum retorno nisso.

A partir daí alguns modelos surgiram. Vamos ver alguns.

BREVE HISTÓRIA DE ALGUMAS PARCERIAS DA DÉCADA DE 90

Parmalat-Palmeiras

Assinado em abril de 92, durou até o ano 2000. O modelo de co-gestão firmado entre as duas entidades era mais ou menos assim:

– Parmalat financiava a contratação de jogadores;
– Parmalat aportava gestão (na época José Carlos Brunoro foi contratado para ser o “contra-parte” da Diretoria de Futebol);
– A Parmalat participava das descisões ligadas ao futebol;
– A marca Parmalat ficava estampada na camisa e em todos os banners do futebol do clube.

O que a Parmalat ganhava com isso?

– Imagem!
– Lucros nas vendas dos jogadores.

Notem
que a Parmalat buscava principalmente um ganho específico: imagem! Para
isso era necessário um time vencedor, que despertasse nos torcedores –
não somente nos do Palmeiras – admiração à marca pelos atributos
positivos que seriam transferidos a ela dado o sucesso esportivo.

O
Professor Belluzzo comentou recentemente que a Parmalat buscava ainda
apoiar o desenvolvimento das categorias de base do clube, com um
projeto na época de reforma do CT. Foi vetado pelo então Presidente
Mustafá Contursi.

Banco Excel-Corinthians

Ainda
na década de 90 um banco prá lá de enrolado (Excel) incorporou as
agências de um banco baiano (Econômico) com recursos do Governo Federal
(PROER) e decidiu se desenvolver no chamado segmento de varejo. Para
isso usou alguns clubes de futebol – Corinthians, Botafogo/RJ,
América/MG e Vitória – para promover sua marca. Ou seja, aqui o Banco
buscava imagem e com contra-partida trazia jogadores.

O Banco
Excel colocou cerca de R$ 20 milhões em contratações (na época trouxe
Tulio Maravilha). O Corinthians foi campeão Paulista mas o Banco não se
aguentou e logo foi vendido ao BBV – Banco Bilbao Vizcaya.

Hicks Muse-Corinthians

O
fundo de investimentos norte-americano de Tom Hicks e Dick Law tentou
uma parceria com o Corinthians. O ano era 1999 e foi montado um time
bastante competitivo. Aqui a idéia era algo parecido com o que a MSI
tentou posteriormente. Promover a marca do clube e rentabilizar sobre
isso. O Corinthians ficou com o dinheiro e não deu o retorno
prometido.A Hicks Muse perdeu cerca de R$ 25 milhões. Tom Hicks hoje é
co-proprietário do Liverpool.

Mas o mais bacaninha foi a frase que o Presidente Alberto Dualib teria
dito na época: “A gente traz os investidores estrangeiros e depois dá
um bico na bunda deles e fica com o dinheiro”.

Bacana não?


ISL

No final da década de 90 e início dos anos 2000 surge um “player” no
mercado de marketing esportivo que promete ser “o parceiro” para clubes
de futebol: a empresa suiça ISL.

A ISL teve uma aparição meteórica no Brasil. Veio e foi e muita gente
nem viu. O Flamengo e o Grêmio chegaram a esboçar alguma parceria.
Mesmo o Palmeiras teria sido sondado pela empresa que em parceria com a
TV-Globo (através do portal Globo.com) patrocinariam o clube e
reformariam o Palestra Itália. O ano era 2000. Nunca saiu do papel.

Para saber maii sobre a ISL clique aqui.

A MSI E A PARCERIA CORINTIANA

O conceito estabelecido para a parceria MSI e Corinthians foi – na
minha humilde opinião – um dos mais inteligentes que eu já vi.

Calma, não mude de página. Entenda o que eu quero dizer.

Quando aquele iraniano Kia Joorabichian apareceu – em tese
representando investidores internacionais – o discursos fazia sentido:
valorizar a marca e rentabilizar sobre ela.

O projeto da MSI – por no mínimo 10 anos – buscava resgatar a marca
Corinthians, fortalecê-la, colocá-la no cenário internacional e
valorizá-la. Isso representaria lucratividade, geração de caixa, onde o
investidor – no caso a MSI – teria direito ao seu pedaço.

Para isso a MSI estabeleceu – e o Corinthians aceitou – um contrato
quase que leonino, onde a empresa teria direito a todas as decisões
relativas à marca. Só prá citar um exemplo, a WTorre quando estava
negociando a construção da arena corintiana, analisando o contrato do
clube com a MSI percebeu que negociava com o interlocutor errado: a
instituição que decidia os destinos do futebol e da marca Corinthians
era a MSI.

Mas a contra-partida era bastante louvável: mais de R$ 300 milhões
foram investidos em jogadores de futebol e pagamento de dívidas. Com
isso esperava-se ganhar os principais títulos do continente e com isso
inserir o Corinthians no mercado internacional. Mas dois problemas
atrapalharam os planos: a origem do dinheiro (não só desconhecida mas
prá lá de suspeita) e seus dirigentes, que rasgaram o contrato.

A partir daí o resto é história.

PARCERIA NO PALMEIRAS

Quando o Prof. Luiz Gonzaga Belluzzo passou a ser o Diretor de
Planejamento da SE Palmeiras, foi cobrado – pela torcida menos
esclarecida e pelos adversários de plantão –  menos de 24 horas depois
de ter assumido o cargo: “cadê a parceria?”.

Essa cobrança tem na raiz um pouco de responsabilidade também de
pessoas ligadas ao Professor e ao Muda Palmeiras. Muitas vezes ouvía-se
que a saída para o Palmeiras era as parcerias e que o grupo tinha uma
na manga. Chegaram a citar Casas Bahia (2004) como exemplo.

Bobagem… a parceria não era (como ainda não é) a pedra filosofal, o
toque de mídas, a salvação de todos. Lembro de um evento em que
participei na Mancha Verde, com pessoas ligadas a Paulo Serdan e o
próprio Belluzzo onde apresentávamos o Plano de Governo para o
candidato Seraphim Del Grande. Nele a Mancha cobrava a parceria. E
explicamos que a parceria NÃO ERA A SALVAÇÃO.
A parceria era importante para aportar recursos onde para o clube seria
difícil investir sozinho. Mas no longo prazo o Palmeiras necessitava de
um modelo de gestão que fosse o mais independente possível.

Quer ver essa apresentação? Assista no SlideShare.

Portanto voltamos ao básico: parcerias servem para que, em um
determinado período de tempo, entidades diferentes mas com interesses
convergentes juntem suas competências para compartilharem os ganhos (e
eventualmente as perdas).

Nesse caso, quanto mais convergente forem os interesses melhor, concordam?


E QUAL O INTERESSE DE UM CLUBE DA DIMENSÃO DO PALMEIRAS?

Qual o objetivo central de um clube de futebol? Ganha um doce quem adivinhar…

Tempo esgotado: errou quem disse o lucro!


Ganhar títulos!

Esse é o objetivo de um clube da dimensão do Palmeiras e dos grandes clubes do mundo todo.

E qual o interesse dos parceiros?

Depende do parceiro. Se for o patrocinador – material esportivo, do
peito, da manga – eles ganham quanto mais exposição tiverem. Se o time
ganhar mais títulos, mais exposição terão. Se a marca do clube for
associada a atributos positivos – ética, liderança, inovação, … –
melhor para a marca, logo melhor para o parceiro.

Se o interesse do parceiro é ganhar com a exploração comercial de uma
arena esportiva
, esse parceiro quererá ter a melhor arena esportiva
para rentabilizar o ativo colocado. Bingo! O clube tem interesse
convergente. Sua arena deve servir para acomodar bem seus torcedores
(clientes), monetizar sobre eles e naturalmente ter a casa cheia para
favorecer o objetvo principal: ganhar títulos.

Mas e quando o interesse do parceiro é a valorização dos jogadores?

Bom aí vamos precisar de mais um post. Daqui a duas semanas terminaremos esse longo ensaio. Vamos falar sobre a Traffic.

Saudações Alviverdes!

4 respostas em “A importância das parcerias: visão geral”

Bom texto , será que parcerias igual a parmalat voltaram a aparecer no Brasil?

Excelente texto e explicações. Depois dos Drops, essa é a minha seção favorita do 3VV.

A linha entre Palmeiras-Traffic tá muito tênue. Mesmo com quase um ano de casório, ainda não dá pra saber oq realmente o Hawilla busca no clube, num geral. Por enquanto sabemos do evidente interesse em investir apenas em jogadores com potencial e da formação da trindade Palmeiras-WTorre-Traffic para negociar os camarotes e naming rights da Arena. Tenho algumas opiniões sobre, mas prefiro esperar até o próximo post para incluir ou modificar o conteúdo dessas opiniões.
Abraços

Pois é Bruno, acho que o problema aqui com a Traffic é que o interesse não parece ser tão convergente. É isso que queremos explorar no próximo post.

Abs,

Muito bom o texto Vicente. A pergunta sobre a Traffic foi a que fiquei me fazendo enquanto lia o texto…

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