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Deixa que eu chuto

Por Jota Christianini*

Richard Petrocelli, lenda e glória de toda S. José do Rio Pardo, hoje aposentado, mas já foi fazendeiro e dono de uma concessionária Ford, nos anos 50 jogava no Palmeiras. Era o maior ídolo da cidade por isso, participou do Mundial de Clubes de 51.

Nesse mesmo ano o campeonato paulista corria solto; o jogo era em Piracicaba, distante duas horas de carro de S.José.

A partida muito difícil. O bom time do XV, anos antes, bi campeão do interior, virou o primeiro tempo vencendo 2×1.

Logo no inicio do segundo tempo Rodrigues empatou e o jogo seguia equilibrado até aos 44 minutos.

Liminha dribla o zagueiro vai marcar e é empurrado. Cai e o juiz marca pênalti.

Marcar pênalti contra o XV nos tempos do campo velho da Rua Regente Feijó, no minuto final, era ato de coragem do árbitro. Por isso quase inédito.

O árbitro Zé de Moura, marcou.

Confusão generalizada, ameaça de invasão, bate, não bate, discussão em toda parte.
O tempo passava, o jogo que começara às 15 horas, no sol forte de dezembro, já estava paralisado há mais de 10 e prometia ficar mais tempo já que ninguém se entendia. Juvenal, Canhotinho, Rodrigues pelo lado palmeirense; De Sordi, Gatão e Moreno pelos quinzistas eram os mais exaltados.

Richard, aparentemente fora da discussão, aproximou-se do goleiro piracicabano Alfredo e levou para conversar longe do barulho.

— Alfredo, vou ser sincero, não foi pênalti! O Liminha se jogou. Tem um carro esperando-me aí fora. Tenho um compromisso importante em S. Jose às 20 horas, por isso acalma seus companheiros que vou pedir para cobrar o pênalti. Chuto para fora e não se fala mais no assunto.

Alfredo gostou da ideia acalmou seus colegas, usando o argumento que o juiz não ia voltar a atrás, mandou todo mundo sair da área e deixar bater o pênalti.

Richard correu para a bola, Alfredo nem se mexeu, ficou olhando.

O chute foi daqueles de catálogo, rasteirinho, no canto baixo do goleiro.

Golaço!

Na hora ninguém entendeu porque, mal a bola tinha tocado a rede, Alfredo saiu correndo atrás de Richard que, sorrindo, desapareceu vestiários adentro.

nr/ esse causo já ouvi como ocorrido em tudo quanto foi estádio do Brasil. Como o causo eu conto como o causo foi, e quem me contou estava perto do lance, fica valendo essa história.

*Crédito para as fotos: palestrinos.sites.uol.com.br; Milton Neves.

5 respostas em “Deixa que eu chuto”

Jota esse foi sem duvida um dos causos mais hilarios de todos ein…….
Mas pelo menos o Richard não se atrasou……..
Hehehehehehehehehehehehehehe.
Abraços

Jota, quase me molhei de tanto rir!!!!!!Muito hilário…………kkkkkkkkk, como eram igenuos…..
vlw abçs…………………….
saudações alviverdes!!!!!!

Sacanagem, hein? hahaahahahahaha Beleza de causo, Jota!!! Futebol é assim, tem que ter malícia. Mas confesso que fiquei com dó do goleiro hehehehe. Bjo grande!

putz.. (nao da pra deletar)..

JOTA… nao sai um livro dos causos não?

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