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Primeira vez da Isabella

Por Jota Christianini*

Alguém sempre pergunta: “Jota, como você faz para escrever essas páginas da história do Palmeiras?

A resposta está pronta: “Eu só passo para o papel. Quem fez essa história foi o Palestra-Palmeiras.”

Vejam esse causo: recebi em 2003 um e-mail de um amigo, mora em Santos, Luciano Albano, relatando a primeira vez que sua filha Isabella foi a um jogo do Verdão.

Dia desses reli e perguntei o que aconteceu depois, nesses quase seis anos.

Mas antes disso vamos seguir o curso da história. Esse é o e-mail que originou tudo.

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A Primeira Vez de Isabella
Por Luciano Albano e Jota Christianini

Jota:

Ser Palmeiras é ser diferenciado, único, especial. Lembro-me com orgulho e emoção da sensação mágica de ver o Palmeiras jogar. Ver os atletas palmeirenses pisando o gramado com o tradicional uniforme alvi-verde foi como ver o mar pela primeira vez. Pensando nisso alimentei o sonho de ver minha filha Isabella, de 4 anos, experimentar a alegria e felicidade de um encontro com toda essa paixão inexplicável. Pensei em tudo, menos no momento exato de realizar esse desejo.

Só não poderia imaginar que o momento “oportuno” fosse agora, 2003, o da mais triste página da história do clube: a queda e a disputa da Segunda Divisão. Todos sabemos os motivos que nos levaram a despencar nesse precipício. Vaidade. Politicagem nefasta. Jogo de interesses. Omissão. Ganância. Ânsia de poder. Ditadura. Enfim, tudo, menos Palmeiras.

Nos apedrejam, humilham, desrespeitam os quase 14 milhões de palmeirenses.

Somos sim uma torcida fantástica. Que esta substituindo a vergonha pelo apoio, a indiferença pela fé. Acreditei sim! que era hora de mostrar para a pequena Isabella o verdadeiro espírito palestrino.

Saímos de Santos tarde para o jogo em que o Palmeiras já estava classificado para as semifinais da Série B. Pouco importava o adversário (Santa Cruz-PE). Importava sim a intenção e a atitude. E lá fomos. Eu, Isa, o velho amigo Níveo e a esposa Marcia, grávida de 7 meses. Subimos a serra e no percurso Isa adormeceu. Chegando próximo ao Palestra Itália ela desperta e fica deslumbrada com aquele mar verde de bandeiras, camisas, e torcedores rumo ao estádio.

Os olhos dela brilham ao ver a atmosfera gostosa que só quem vai ao estádio pode falar. O som dos batuques, as bandeiras enormes da torcida, na Turiassú, o cheiro do sanduíche de pernil, famílias inteiras unidas…

Óbvio! Isa estava em traje de gala. Uniforme completo e oficial. O detalhe ficou por conta de uma fantasia que a mãe confeccionou para uma peça teatral na escolinha (Os 3 porquinhos). Estava com orelhas, focinho de porquinho, chamando a atenção de todos pela originalidade.

Isa sorria, maravilhada com a imponência do velho, e sempre novo, Palestra Itália.

Chegando ali veio a idéia de colocá-la no gramado, junto com os jogadores. Faltavam apenas 20 minutos para o começo do jogo e avistamos a fila com a criançada, a coordenadora levou-a para aquele túnel junto com os demais. Temi que ela fosse se assustar. Ledo engano.

Fomos para a arquibancada, lá onde fica a Mancha Verde. Câmera nas mãos, coração a mil por hora.

Ansioso, observei que um jovem torcedor me olhava com curiosidade. Disse que meu sonho estava se realizando, pois “minha princesinha” iria subir ao gramado.

Entram as crianças e não vejo Isabella, comento que ela deve estar no bolo dos mascotes. Marcia refuta:

“Minha filha eu conheço, oras! Ela não está naquela monte de crianças”.

Não deu tempo de preocupar, o susto, que acelera o coração, veio na hora.

Isa esta de mãos dadas com o Periquito, nosso mascote oficial. Em seguida, ambos correram até a torcida. Bem ali, onde estava. Ela acenou, mandou beijos e foi ovacionada. “É minha garota!”, eu berrava ao jovem torcedor que estava ao meu lado, esforçando-me para registrar aquele momento, com os olhos marejados.

O time entra em campo. Isa corre ainda em tempo de ficar ao lado do Marcão na hora de saudar o público.

Fui apressado ao encontro dela, e no portão ela me deu um abraço dizendo que queria ficar mais “lá encima”. A mãe não se contém, chora de alegria.

O jogo começa. Isabella me pergunta porque só aquele cara embaixo das traves usava luvas. Queria saber também porque aquele outro, vestido de preto, corria que nem louco pra lá e pra cá soprando apito.

Queria gritar gol logo…

Intervalo. Sol forte. Calor. Ela pedia pra pular naquela piscinona atrás do gol. Ou andar naquele trenzinho do Parque de diversões ao lado. Pediu um sorvete. E começou o segundo tempo.

Desci com ela, pertinho do campo.

Falta próxima a área. O lateral Baiano bate e faz um belo gol, comemorando ali, do nosso lado. Pulamos, abraçados. Comemorei como se fosse título. Ela olhou pra trás e quando viu a torcida fazendo o mesmo entrou no clima, passou a dançar e gritar no ritmo dos torcedores.

Já no finzinho Pedrinho faz 2×0.

Festa! Fim de jogo!

Hora de voltar pra casa. Descendo as arquibancadas um rapaz pediu pra tirar uma foto com ela.

Perguntei de onde ele era. Rondônia! Isso é Palmeiras, paixão sem limites…

Ela cansou e eu levei-a nas costas. “Quanta gente, pai!”.

Perto da porta encontro-me com o lendário Oberdan Cattani, tiramos fotos!

Ela fica encantada com tudo, em especial com aquele distintivo confeccionado em ferro, na saída do Estádio.

“Gostou filha?”, perguntei. A resposta veio de bate-pronto. Prá que eu nunca mais pudesse me esquecer:

“Gostei muito pai. Quero voltar com esse time na Primeira Divisão…”

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Passa o tempo… e agora, como esta a Isabella?

Continua morando em Santos, está com 11 anos, freqüenta o colégio Novo Tempo e comparece a todas as festas, passeios e quando possível, à escola vestindo o glorioso uniforme do campeão do século: SE Palmeiras.

Como está em outra cidade é minoria o que não a intimida, ao contrário, é veemente ao defender as coisas do verdão, o que tem rendido a adesão de outras crianças à causa palestrina.

Quando da conquista do título paulista, ano passado, começou a cantar o hino do Palmeiras, antes do início da aula.

De repente várias outras crianças a acompanhavam.

Isso é Palmeiras!

11 respostas em “Primeira vez da Isabella”

Linda a histroria!! de emocionar!!

Jota, pode guardar um espacinho nos seus causos..meu priminho de 2 anos e meio já pediu uma bicicleta verde de natal e nao desgruda das camisas do verdão que dei pra ele!! Mais um palestrino chegando!!

Leio todos os causos do Jota e me emociono com todos, mas confesso que o seu relato, Luciano, fez verter lágrimas destes olhos que há dezessete anos não vê o Palestra Itália! Me deu mais saudade ainda porque viajei no seu relato, imaginando todas as cenas descritas e sentindo no coração toda emoção que o momento propiciou a você como pai e a nós, como Palestrinos! Obrigado por me proporcionar estes minutos de alegria! Eu realmente fiquei emocionado! Abraços nipônicos!

Agradeço ao Jota, ao Vicente e a todos que puderam se sensibilizar com meu simples relato. Ser palmeirense é um grande orgulho e transmitir isso para a nova geração é natural. Somos de fato, diferenciados. Não existe nada que se compare com a grandeza do Palmeiras fazendo parte de nossas vidas.

O que um pai de uma menininha de 5 meses pode fazer senão chorar ao ler esse conto!!!!!!!
Fala aí Luis!?!?!?! Voce passa pelo mesmo assim como muitos outros palestrinos.
Parabens Jota e Luciano e obrigado por sempre revigorar a chama verde que alimenta meu coração!

SENSACIONAL!
Imagino a emoção do Luciano… Parabéns pelo causo, Jota.

Estou com lágrimas nos olhos! Que relato lindo! É incrível o que o Palmeiras faz com a gente! E dá muito orgulho saber como algumas crianças palmeirenses são! Queria que meu pai também fosse verdão pra ter me levado ao estádio quando era criança hehehe. Mas farei isso com meus filhos e eles aprederam a respeitar e a amar esse clube tão glorioso! Não me canso de dizer: CADA DIA QUE PASSA SINTO MAIS ORGULHO DE SER PALMEIRENSE! Esse amor jamais terá fim! Obrigada por compartilhar isso conosco, Jota! E um grande beijo pra Isa! Muito fofa a foto dela com nariz de porquinho 🙂

Meu Deus…emocionante essa história…que Time!!que Torcida!!!….minha esposa está grávida e vamos ter uma menininha…”Camila”…não vejo a hora de faze-la seguir os passos da Isabella…
Não pude evitar as lagrimas…parabens Jota e parabens Luciano.
abração!

De emocionar a história de Isabella. Ainda mais no final quando leio que o rapaz que pediu pra tirar foto com ela era de Rondônia, mesmo estado onde resido. Palmeiras sem fronteiras, amor sem igual!!!! Esse é o grande orgulho de ser Palmeirense!!!

Mais uma historia linda. Parabens Jota pelo causo;

Parabens Luciano pelo momento de orgulho que deve ter sentido naquele dia e por ter criado mais uma Fanatica Verde;

e Parabens a Isa que realizou o sonho d poucos e continua apaixonada pelo nosso PALESTRA

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