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Tupãzinho liquidou Barbosinha; foi no Pacaembú

Por Jota Christianini*
 
Barbosinha era um sujeito humilde, bom goleiro nada excepcional, mas era bom!
Jogava no leal adversário, que naquele ano, 1967, já contava 13 anos sem o gosto de gritar campeão – ficaria mais 10 anos e o Palmeiras contribuiria muito para isso – mas esse não e centro desse causo.
 

A diretoria do time corintiano, ajudados por parte da imprensa, achava um grande ídolo a cada semestre e naquela época o eleito era Barbosinha, apelidado de Negro Gato pela elasticidade, parodiando um sucesso do então novato, Roberto Carlos.

No lado verde os títulos vinham seguidamente, era o único time brasileiro que enfrentava e levava vantagem contra Pelé, aliás o Santos de Pelé.

Tupãzinho era o ídolo do Palmeiras, um dos ídolos, já que o time sobrava nos campeonatos pela alta qualidade de todo seu elenco, mas o craque gaúcho não vinha em boa fase, não só ele como time todo. Aymore Moreira havia caído num domingo de manhã diante do Guarani e Mário Travaglini, como era praxe, assumira o comando do time e naquele momento o que mais precisava era ganhar um clássico.

Defendendo o titulo de campeão paulista o time de Palestra Itália enfrentaria o Corinthians, justamente dirigido por Zeze Moreira, irmão de Aymore, no domingo seguinte, dia da bandeira, 19 de novembro.

Um jornalista muito popular na época que escrevia no Diário da Noite, fustigou Tupã, dizendo que o decadente jogador do Palmeiras não conseguiria vencer a perícia de Barbosinha.

Tupã era questionado pelos colegas e pela torcida.

— Como é, vai marcar ou vai medrar?

No domingo
Domingo de sol, Pacaembu lotado, o jogo seguia equilibrado e o primeiro tempo terminou 0x0.

Barbosinha jogava muito bem, defendia todas, até exagerava nos saltos para delírio da torcida e da parte da imprensa que o idolatrara, cedo demais, como se veria depois.

Tupã tinha atuação regular, parecia tomado pelo calor, apenas caminhava no campo.

O segundo tempo começou igual ao primeiro, até que aos 23 minutos atirando para o gol da concha acústica – maravilhosa arquitetura que existia no Pacaembu, que esse malfadado tobogã escondeu – o folclórico apitador Olten Ayres de Abreu apitou falta, mais ou menos uns 20 passos antes da grande área. A voz de Pedro Luis soa até hoje nos ouvidos palestrinos.

— Correu Tupãzinho, fuzila para o arco e gooooooolllllllllll.

O chute foi no ângulo.

Delirio na torcida palmeirense, tristeza sem fim na do rival.
Nao era tudo, apenas 3 minutos depois , outra falta no mesmo lugar, o meio da rua. Disse Pedro Luis:

— Ciorreu Tupãzinho, fuzila para o arco e gooooooolllllllllllll. De novo, no mesmo ângulo. Nem Gilmar, Castilho, Waldir, Oberdan ou Veludo pegariam aquele chute.

Tentantdo justificando mais uma derrota diante do Palmeiras, o presidente corintiano declarou à TV Tupi:

— Culpa do Barbosa.
 

Era o decreto do fim, Barbosinha nunca mais foi o mesmo, pagou pelos elogios precoce, não jogou mais, e até há alguns anos exercia com toda dignidade cargo burocrático na faculdade de Direito das Arcadas.

E Tupã?

Saiu do campo aclamado, não sem antes mandar brasa – como se dizia na época.

— Nao estou decadente, ainda hoje ganhei o Derby, mas tem um jornalista por ai, que deveria aposentar-se.

*Jota Christianini escreve todas as terças-feiras um causo no
3VV; crédito para as imagens: palestrinos.sites.uol.com.br e site
de Milton Neves (miltonneves.com.br). Qualquer reprodução deve citar
o autor do texto e dar os créditos das imagens e do 3VV
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6 respostas em “Tupãzinho liquidou Barbosinha; foi no Pacaembú”

Belos tempos de um futebol que não volta mais, o grande Campeonato Paulista, com os times do interior , vendendo caro suas derrotas. Grande Tupãnzinho , que se fosse hoje estaria jogando na Europa, ganhando muito dinheiro. Parabéns pela reportagem.

Jota, nunca trabalhei na FSP, apenas na Rádio e TV Bandeirantes e BandNews.

uma pergunta;
voce é o Nivaldo que trabalhou na Agencia Folhas ?………………….JOTA

Parabéns, Jota, O Tupã jogava muito, deixou muitas saudades pelo que fez. Sempre merece ser lembrado.

Sensacional como sempre, a narração ainda está ecoando na minha cabeça

Que beleza de causo, Jota! Não consegui segurar o sorriso ao ler a última frase: “— Nao estou decadente, ainda hoje ganhei o Derby, mas tem um jornalista por ai, que deveria aposentar-se.”
Hoje em dia ainda é assim, não é? Tem alguns “profissionais” da imprensinha que já deveriam ter caído fora. Aliás, dá pra contar nos dedos aqueles que merecem alguma credibilidade. O que não podemos deixar é falarem o que bem quiserem do nosso Palmeiras. Não sei por que se acham nesse direito, por isso temos que fortalecer cada dia mais a mídia palestrina.
Grande abraço, Jota!!! =*

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