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A cada passo, Adeus Palestra!

Por Jota Christianini*

Há personagens que passam pela história do Palmeiras e não são suficientemente lembradas.

Nesse caso ele não passou simplesmente; construiu uma parte importante da história palestrina e palmeirense.

É o caso de Leonardo Lotufo.

Lembremos, só para começar. Em 1949, a reunião nas dependências do Palestra estava acirrada. Jair Rosa Pinto estava disponível, mas o preço era demasiado.

— Os flamenguistas queimaram a camisa dele, mas querem muito dinheiro para ceder o passe.

— E nós temos quanto? perguntou Lotufo.

— A metade! respondeu Ferrucio Sandoli, presidente na época.

— Pois então manda trazer o homem que eu “intéro” o preço.

Jair Rosa Pinto veio, viu e venceu. Leonardo Lotufo ajudou a trazê-lo.

Lotufo começou em 1938 como diretor do tênis e exerceu inúmeros cargos. Procurando dar ao clube sem nada pedir em troca, foi diretor de futebol, membro do Conselho Deliberativo, do COF e exerceu interinamente a Presidência. Foi também politico participante.

Na celebre reunião de 42, no impedimento de Italo Adame e Hygino Pelegrini, presidente e vice, coube a Lotufo, ao lado de Adalberto Mendes, Mario Minervino, Artur Amato, Paschoal Guliano e outros, assumir a presidência dos trabalhos e conduzir a tensa e densa reunião da mudança de nome.

O tempo passou, é inexorável… aquele homem atlético, disposto, com o inseparável terno de linho, sucumbiu à idade e à doença.

Não podia mais locomover-se, via a vida terminar, mas nunca deixou de sonhar o seu querido Palmeiras.

Desenganado pelos médicos, restavam poucos dias de vida, chamou o filho Ednir e fez o último pedido.

— Leve-me ao Palestra Itália!

Pedido feito, pedido aceito.

A família o vestiu na forma elegante com que sempre se apresentava, terno e chapéu. O carro seguiu para a Avenida Francisco Matarazzo.

Não foi preciso identificar-se, o funcionário o reconheceu e imediatamente abriu-lhe as portas.

Alquebrado, sem forças, pediu que seu filho o colocasse na cadeira de rodas e ordenou que fosse levado a todos os recantos do Palestra.

Empurrado pelo filho e alguns amigos que aproximaram-se, foram da entrada às piscinas, das piscinas ao tênis, à sede, ao ginásio e obviamente ao final marcharam para o campo de futebol.

A cada lugar uma despedida, a cada lugar uma lágrima de Adeus.

Relembrava os momentos que passou por ali, todas as glórias que ajudou a conquistar. Despedia-se do seu grande amor, despedia-se da vida.

Por isso quando alguém tiver a petulância de não entender porque toda essa nossa paixão palestrina, não explique, diga apenas:

Aqui é Palmeiras!

*Jota Christianini escreve todas as terças-feiras no 3VV,
sempre um causo que ele conta como o causo foi.

Crédito para a imagem: palestrinos.sites.uol.com.br

Abaixo a imagem da assinatura do contrato para perfuração
de poços artesianos para abastecer as piscinas
(que só seriam inauguradas 14 anos depois) e o clube.

9 respostas em “A cada passo, Adeus Palestra!”

Jota, não canso de elogiar seus causos. Parabéns mais uma vez!
E aqui é Palmeiras cazzo!!!!

Boa Jota! Realmente, a nossa história é gigante! E de tão gigante, fatos grandiosos, como esse do Lotuffo, passam despercebidos. Obrigado mais uma vez por nos contar o causo como o causo foi!

Valeu Jota. Belo causo.
Tenho orgulho de sempre dizer AQUI É PALMEIRAS!!

Grande Jota, o contador de histórias do Palestra!

Este ‘causo’ relata com precisão que o Palestra Palmeiras não é só futebol, temos que valorizar o social e os outros esportes. No percurso derradeiro, Lotuffo com certeza, lembrou de grandes companheiros que ajudaram a escrever nossa gloriosa história como: Cervo, Menotti Falchi, Francesco De Vivo, Dante Delmanto, Delfino Facchina e tantos outros que fizeram o velho Palestra este gigante Palmeiras.

Parabéns.

Ah, Jota! Vc bem que avisou que era um causo para emocionar e de fato foi! Não consegui me conter. Belíssima história de uma pessoa tão importante e que, até então, era desconhecida pra mim. Mas a cada causo, surge um respeito profundo por cada personagem de nossa história. Alguns marcaram época dentro das quatro linhas, outros foram imprescindíveis fora delas. Agradeço imensamente a todos esses que fizeram do Palmeiras o Campeão do Século, que deram o que tinham e o que naõ tinham em prol dessa paixão sem limites. Obrigada por nos brindar com mais essa história maravilhosa! Um beijo!

Tem algumas coisas que ficar falando é chover no molhado, não perco um causo, são excelentes. Parabéns Jota! Meu pai também adora, mas como tem aversão a novas tecnologias (não gosta de internet, email, etc), sou eu que tento reproduzir com minhas próprias palavras o que leio aqui, os olhos dele se enchem de lágrimas com alguns dos causos. Aliás meu pai é um capítulo a parte na minha história de amor com o Palmeiras, quem sabe um dia não mereça até um causo. Aqui é Palmeiras!

Estou emocionadíssima 🙂 mto obrigada por compartilhar com a gente essa história, Jota. Melhor eu começar a ler essa seção previnida com a porta fechada,rs, para evitar perguntas sobre o pq das lágrimas,rs. Abraços.

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