A experiência indo ao jogo Brasil e Itália, no Emirates Stadium

Nesta semana que passou a seleção brasileira jogou contra a seleção italiana. O jogo foi no Emirates Stadium, em Londres.
 
O palmeirense, leitor e colaborador do 3VV, Newton Trigo, mais conhecido como Tito, que está morando em Londres foi ao jogo e escreveu a respeito da experiência de ir a um estádio londrino.

As fotos são todas do Tito.

A experiência de um jogo Brasil e Itália
no Emirates Stadium

Por Newton “Tito” Trigo

Seis horas da tarde, uma hora e quarenta e cinco minutos antes do apito inicial, peguei minha mochila com o kit estádio; camisa, cachecol e bandeirão do Palmeiras e parti para a estação de Notting Hill Gate, com destino a Holborn, onde teria que trocar a linha do metro para chegar em Arsenal e no Emirates Stadium. Tudo estava preparado, ingressos checados, cartão do metro, enfim, check list completo.

Peguei o trem e nem parecia que haveria um jogo do quilate de Brasil e Itália, até que vi um garoto com um mapa da região do estádio. Perguntei se ele estava indo para o jogo e a resposta foi positiva. Ele perguntou se eu era brasileiro e com a minha afirmação, logo perguntou se meu cachecol era do Palmeiras, já abrindo a jaqueta e mostrando sua camisa “marca texto”.

Duas estações adiante, os tifosi começaram a invadir o metrô. Chegando em Holborn foi preciso caminhar um tanto para chegar à plataforma da linha azul para Arsenal. Caminhar é bondade minha, na verdade o que havia era uma enorme “muvuca” e só era possível andar quando partia um trem lotado.

E assim foram uns bons 40 minutos. O relógio marcava 6h58, quando consegui pegar o metro. No vagão não cabia nem um pensamento de tão cheio. Pudera, estávamos no horário de rush e seria muita ingenuidade acreditar que é possível locomover 50 mil pessoas a mais do que o habitual em um dia de trabalho, sem causar transtornos. Não dá em Londres, em São Paulo ou em qualquer parte do mundo!

Para dar uma idéia, na estação seguinte, o auto falante avisou para as pessoas que não iriam para o jogo que seria necessário descer, pois o trem só pararia novamente em Arsenal Station. Não vi ninguém sair.

Chegamos e a plataforma parou. Muita gente e uma só passagem, mas, pouco a pouco, italianos e brasileiros conseguiam chegar até a rua. O estádio fica a uns 100 metros da estação. Entre os dois existe uma ampla passarela e o acesso é muito bom.
A essa altura, já dava para perceber a grande quantidade de camisas e bandeiras das três maiores torcidas do Brasil; Flamengo, Corinthians e Palmeiras. E muitas do time da casa, o Atlético Mineiro, afinal Belzonte é aqui !

Do time da moda?
Acho que só vi uma !

A entrada foi muito simples e sem filas, apesar de estar com uma mochila nas costas, não fui parado, muito menos revistado. Dentro do Emirates, os corredores são amplos, bem sinalizados e iluminados. É impossível se perder.

Eu tinha ingresso para o pior setor do estádio, o laranja, que é divido e tem oito portas de acesso. Na entrada dos acessos, dezenas de funcionários do Arsenal, com vistosos coletes laranja, ficavam esperando e perguntando se a pessoa sabia chegar em seu lugar, em caso negativo, acompanhavam.

Depois de acomodado pude melhor observar o Emirates Stadium. É uma arena belíssima, sem dúvida. Porém não tão fantástica quanto falaram, mas é imponente.
Minha cadeira era praticamente no nível do campo e em frente a bandeira de escanteio, contudo, devido a tal inclinação perfeita, eu conseguia ver todas as linhas do gramado, isso é realmente impressionante. Quase igual a um estádio paulistano que tem pretensões de sediar jogos de Copa do Mundo.

Dois placares eletrônicos, de alta definição e enormes, passavam propaganda do time da casa. Isso foi o pouco que pude ver, pois, logo os times entraram e campo e foram tocados os hinos nacionais. Aí deu para perceber que os fratelli estavam na proporção de três para um.

O estádio estava lotado, uma festa, adversários pacificamente sentados lado a lado. Pude ver muito mais camisas alviverdes. A “marca texto” se mostrava a opção preferida. Fiquei espantado com a quantidade de camisas do Coritiba. Tinha até uma faixa. Alguns bichinhos delicados da floresta apareceram com suas camisas de três cores.

Logo percebi o que é a marca Seleção Brasileira: colombianos, africanos, árabes, que não falavam uma palavra de português, vestindo a camisa amarela e tentando cantar “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor …”

O jogo começou e todos sentaram tranquilamente em seus confortáveis assentos. Não vou entrar no mérito do movimentado jogo, pois, acredito que outras pessoas fazem bem melhor que eu.

Depois do primeiro gol do Brasil, começou uma “ola”. A primeira tentativa falhou, compreensível, afinal os italianos não estavam muito felizes pra fazer festa com a Azurra perdendo. Logo em seguida, todos entraram no clima e a brincadeira deu quatro voltas no estádio.

Intervalo, fui ao bar buscar algo para comer. No setor que eu estava não havia restaurante, apenas bares, um bar para cada três acessos, mais que suficiente. Suficiente não foi a comida, uma falha gritante na espectativa de consumo. Bebida, claro, não faltou. As opção de alcoólicos eram: cerveja, vinho branco e espumante.

Depois do intervalo o frio começou a ficar insuportável. Faltando 15 minutos para o final, desisti. Peguei meu bandeirão, coloquei de volta na mochila e corri para a estação, pois assim, escaparia da saída no meio da multidão.

Eu imaginava meu batismo em estádios britânicos mais tranquilo, uma coisa lúdica, por assim dizer. Só que futebol é futebol. Ou seja, futebol tem muvuca, tem palavrão, transporte lotado e é de longe o melhor estímulo para sair de casa com 3ºC de temperatura.

Se bem que, devo confessar, preferiria que fosse um jogo do Verdão.

Crédito para as fotos: Newton “Tito” Trigo


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