Encrenca dos ingressos: olhando além da superficialidade. E um comentário: ah se fosse em nosso estádio…

Por Vicente Criscio
 
O debate que se travou na última semana com o episódio dos ingressos entre a diretoria do São Paulo e do Corinthians teve uma análise prá lá de superficial por parte da imprensa especializada.
 
É natural: uma vez que boa parte da imprensa que cobre o futebol paulista tem um certo “rabo preso” com a turma do Jardim Leonor, e outra parte não teve lições de marketing nas aulas de jornalismo, não poderia se esperar algo diferente.

Por outro lado uma parcela considerável dessa dessa mesma imprensa analisava com o coração – e não com a razão – e afirmava que “algo está errado”. No final o que se viu foi um conjunto de análises sem objetividade.
 
Cheguei a ouvir – pasmem – que o São Paulo estava copiando uma tendência do futebol europeu [ desculpem a interrupção mas é incrível a que ponto chega o cinismo de uns e a estupidez de outros ] como se isso fosse uma novidade no Brasil.

Ouvi várias frases. Logo cedo Ricardo Boechat chamava a diretoria sãopaulina de “bandidos” por criarem um clima hostil com o Corinthians e culminando em violência na saída do estádio, onde 20 pessoas – eu disse VINTE – tiveram lesões sérias por terem sido pisoteadas.

Mas a melhor frase do fim de semana veio do presidente eleito Andres Sanches. Antes do jogo, em uma conversa “ríspida” entre ele e o Vereador Marco Aurélio Cunha – o que faz um vereador defendendo um time de futebol? – o Presidente do Corinthians respondeu ao politico-dirigente:

“O Corinthians vai jogar em Presidente Prudente ou no Maracanã, não importa, mas na minha gestão não vai mais mandar jogos no Morumbi”.

OLHANDO ALÉM

A ira de Sanches era pelo seu colega do São Paulo, Juvenal Juvêncio, não ter atendido as suas ligações durante a semana para discutir o caso. O dirigente “leonor” teria agido com certa arrogância [ ah vá… ].

Enquanto isso o dirigente-vereador argumentava que “do ponto de vista do espetáculo era importante o Morumbi e blá blá blá”.

Bobagem!

Tanto Sanches quanto Cunha sabem que o Corinthians traz enorme receita aos cofres sãopaulinos. E não estou falando somente do ponto de vista de aluguel, que já seria uma boa soma se somássemos os potenciais clássicos no Brasileirão 2009 que o recém promovido à primeira divisão trará.

Mas tem muito mais coisa em jogo.

Imaginem o seguinte:

Corinthians x Palmeiras;
Corinthians x São Paulo;
Corinthians x Santos;
Corinthians x Flamengo;
Corinthians x Internacional;
Corinthians x Atlético MG;
Corinthians x Cruzeiro;
Corinthians numa eventual semi-final e final de Copa do Brasil;
Eventuais semi e finais do Paulista;

E por aí vai…

É claro que, para um clube que não consegue fazer mais de 30% de ocupação em 80% dos jogos que disputa em seu estádio, a receita extra de um “parceiro” como o Corinthians é prá lá de bem vinda.

Mas tem mais valor! O Corinthians sabidamente é um dos times com maior audiência nas transmissões. E o que os grandes clubes brasileiros – incluam aí o São Paulo FC – vendem aos seus patrocinadores?

Exposição!

  • Exposição de sua marca, naqueles símbolos estampados ao lado do gramado;
  • Exposição do fornecedor de material esportivo e patrocinadores em geral, não apenas o que aparece no peito mas o que aparece na publicidade estática;
  • Valorização dos seus camarotes;
  • Valorização do novo espaço Visa.

No caso das transmissões esportivas pela TV, tudo que é mensurado por exemplo para a marca LG dentro do
estádio do Morumbi é computado em um relatório final como mérito tricolor. E não importa se o jogo foi Palmeiras x
Corinthians, a marca LG estará lá, atrás do gol e em várias posições do
estádio.

Esse também é o nome do jogo! Exposição. Palavra importante para quem declaradamente teve que fechar um contrato tampão com a LG por R$ 15 milhões para buscar mais valor em 2010.

Sanches sabe disso. E quis sua contra-partida! Que nas partidas entre seu clube e o “dono” do Morumbi, sua torcida fosse respeitada com uma carga maior de ingressos, independentemente do que é certo ou do que é praticado em outros estádios. Até porque em jogos entre Corinthians e São Paulo, a reciprocidade seria verdadeira.

Na cabeça de Sanches deve ter passado: eu gero valor prá eles? então quero a devida contra-partida.

RESULTADO?

O pior de todos. A “Administração” de futebol “mais competente do Brasil”, com sua pouca inteligência conseguiu colocar em seu estádio ontem 33.991 pagantes.

Mais ainda: conseguiu criar um clima extremamente ruim com seu “parceiro” de negócios, que sempre ajudou a alavancar a exposição na mídia dos seus patrocinadores.

E pior de tudo: os dirigentes conseguiram exponenciar a rivalidade das torcidas, que no final do jogo se enfrentaram. Aliás, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo de hoje, uma bomba explodiu em área onde torcedores corintianos saíam, gerando grande tumulto, confronto com policiais e pessoas retornando ao estádio. Pessoas foram pisoteadas.


CONCLUSÃO: CONCLUSÃO??

Esse assunto pode não ter uma resposta exata. Mas cabe a análise dos prós e contras. Na minha opinião, a diretoria sãopaulina agiu de maneira burra, não pesando que do outro lado da mesa estava um parceiro de valor e que não é estúpido.

Também na minha opinião Sanches agiu como o Presidente de um clube do porte que ele dirige deve agir. Gritou na hora certa e avisou: vocês vão ter o troco, e vão sentir no bolso.

Espero que ele cumpra sua promessa.

Mas há também uma outra nota, que ninguém ainda comentou. Ah, se explode uma bomba de fabricação caseira na Padre Thomas em saída de clássico Palmeiras e São Paulo. Era capaz do Palestra Itália ser interditado por muito e muito tempo.

Saudações Alviverdes!

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