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Partidas em condições extremas

Por Emerson Prebianchi*

Segundo documento emitido pela FIFA em dezembro de 2007 com base em estudos médicos, a adaptação do atleta para participar de uma partida de futebol em localidades acima de 2.500 metros do nível do mar varia de três dias a duas semanas (para partidas acima de 3.000 metros).

Ainda segundo o documento existe o risco de morte aos atletas que participam de uma partida em localidades acima de 2.750 metros do nível do mar e por isso limitou nesse patamar de altitude as partidas oficiais entre seleções e clubes, exceto quando cumprido o prazo de adaptação.

No caso da SE Palmeiras que jogará em Potosí, conhecida como a cidade mais alta do mundo, a mais de 4.100 metros do nível do mar, o período mínimo de adaptação seria de duas semanas, ou seja, para a partida dessa semana, o time deveria estar em adaptação desde o dia 21/01.

Dessa forma, para que cumpríssemos tal determinação, a FPF teria que remarcar não só a partida realizada nesse ultimo domingo contra a Ponte Preta onde atuamos com o time reserva, como também os últimos dois jogos pelo paulista e ainda a primeira partida da Copa Libertadores realizada na última quinta feira, o que nos parece absolutamente inviável.

Dessa forma o torcedor palmeirense poderia se perguntar: então porque aceitamos jogar na altitude de Potosí nessas condições?

A Confederação Sulamericana de Futebol – Conmebol, defende a manutenção das partidas acima dos 2.500 metros do nível do mar. Seguramente essa defesa está fundamentada não por aspectos técnicos mas por questões políticas: países que poderiam ser prejudicados com essa resolução da FIFA – como é o caso da Bolívia, mas não apenas ela – têm votos na Conmebol.

Mas a determinação da FIFA encontra opositores até mesmo em países que não têm a altitude como aliada. É o caso da CBF. O presidente Ricardo Teixeira já se pronunciou de forma favorável ao parecer da Conmebol que defende a manutenção de partidas acima dos 2.500 metros do nível do mar sem as exigências da FIFA. É por esse motivo que fica muito difícil para que algum clube brasileiro consiga inviabilizar a realização de uma partida nessas condições, a não ser que estes busquem amparo diretamente na FIFA ou na Corte Arbitral do Esporte – CAS. Mas aí vai arrumar um problema político na Conmebol e na própria CBF.

O assunto é complexo e existem fortes argumentos de todos os lados para justificar a manutenção das partidas e garantir o direito de uma equipe jogar em seu estádio bem como para impedir a realização de partidas em altitudes elevadas com base nos riscos à saúde. Mas o que nos importa é saber de você leitor o que lhe parece correto: jogar e não se indispor com a Conmebol ou brigar para fazer valer a determinação da FIFA?

Saudações Alviverdes! E Forza Belluzo!


*Emerson Prebianchi escreve todas as 2as feiras aqui
no 3VV falando sobre as questões jurídicas do futebol

3 respostas em “Partidas em condições extremas”

Eu acho que se o Palmeiras tivesse que jogar na lua, onde a gravidade é 1/6 da Terra, nós iríamos estar lá e o Palmeiras IRIA GANHAR. Não sou atleta e meu condicionamento físico é péssimo, mas já joguei futebol na Cidade do México sem problemas. O que é altitude para atletas? Basta cadenciar o jogo e bola na rede!

Infelizmente vai ser preciso acontecer alguma coisa tragica pra CONMEBOL abrir o olho, alias essa CONMEBOL é pessima em todos os sentidos.

O certo é jogar lá porque é a casa dos caras. Simples assim. Nós jogamos no nosso estádio, e eles jogam no deles. Mais absurdo que a altitude, é proibir alguém de jogar fora do lugar onde se sente em casa, onde sua torcida está. E a culpa disso tudo é dos dirigentes, que inflam o calendário com diversos jogos. Aí quando surge uma necessidade dessas, não há como se preparar adequadamente.

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