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Recordar é viver

Jota Christianini enviou essa. Para quem é jovem talvez não se lembre das peripécias que se envolveu o goleiro Rogério Ceni no ano de 2001.
 
Como alguns têm memória curta, e como para outros é conveniente esquecer, não custa nada reproduzir o que o jornal na época dizia sobre o “ídolo” tricolor.

Saudações Alviverdes!



CONTEXTO

Em um
momento de crise do São Paulo, em 2001, Rogério Ceni foi acusado de usar um documento
falso para pressionar a Diretoria a lhe conceder um aumento salarial. A
situação ficou super-delicada, e foi se agravando com acusações dele
contra a Presidência e Diretoria do clube, advogados, ameaças, até que
a mascara caiu, e sob ameaça até mesmo de processo criminal, Rogério
Ceni aceitou a punição de 28 dias, suspenso do clube sem salários.

A nota do clube na época foi taxativa: “… em virtude de conduta indisciplinada e incompatível com as suas
obrigações legais e contratuais, ofensivas às tradições do São Paulo”
segundo documento oficial do clube. Reportagens abaixo para quem não se recorda.

 
 —

São Paulo, sexta-feira, 27 de abril de 2001

Matéria do UOL

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Rogério diz ter oferta do Arsenal

DA REPORTAGEM LOCAL

Uma
reunião entre o goleiro Rogério e a diretoria do São Paulo pode definir
hoje a saída do principal ídolo do clube. O atleta afirmou ter recebido
e encaminhado aos dirigentes uma proposta do Arsenal (Inglaterra).
A negociação acontece justamente no momento em que a equipe passa por uma crise, após quatro derrotas seguidas no Paulista e a eliminação na primeira fase do campeonato.
O diretor de futebol José Dias disse que não foi procurado por
representantes do clube inglês, mas confirmou ter sido avisado pelo
goleiro sobre a oferta.
“Ele
me entregou uma folha, que não tinha o timbre do Arsenal, com alguns
valores. Ficamos de conversar depois do jogo da seleção brasileira
contra o Peru [anteontem””, declarou o dirigente.
Segundo Dias, o clube não tem interesse em se desfazer do jogador.
“Mas, de acordo com o papel que o Rogério me mostrou, o salário
oferecido a ele é irrecusável”, disse, sem revelar os valores.
Depois do treino de ontem à tarde, Rogério declarou que a sua intenção é permanecer no time.
“Estou no meu país e atuo no clube que gosto, mas a proposta está nas mãos da diretoria do São Paulo”, afirmou Rogério.
Seu contrato vai até 2004. Ele renovou o compromisso no ano passado, quando o Corinthians estaria interessado nele.
O fato de o goleiro ter confirmado a proposta do Arsenal desagradou a
diretoria do São Paulo. “Combinamos que não falaríamos nada para
ninguém até nos reunirmos”, disse Dias.
Além de Rogério, França, que interessa ao Milan (Itália), pode ser negociado pelo clube.
Ontem, por falta de opções, os dirigentes decidiram recorrer ao
lateral-esquerdo Hilton, 21, que pertence ao clube do Morumbi e está
emprestado à Internacional de Limeira. Ele se apresenta na próxima
semana para ficar na reserva de Gustavo Nery durante a Copa do Brasil.
A intenção era contratar um atleta mais experiente, mas o prazo para
inscrições no torneio termina hoje, e nenhuma outra negociação foi
concretizada.
A
carência na lateral existe porque Alemão, 19, foi emprestado ao
Coritiba. O empréstimo serviu para quitar uma dívida com o time
paranaense. Ele ficará no Paraná durante seis meses.
Rubens Júnior, que assinou contrato esta semana com o Atlético Paranaense, era uma das opções para a posição.
A diretoria não desistiu de trazer outro lateral. A idéia é ter um atleta para disputar a posição com Gustavo Nery.
Também continua a procura por um jogador experiente para atuar no meio-campo, a partir do segundo semestre.

Painel FC da Folha
 
Desconfiança
No São Paulo, algo parecido estaria acontecendo com o goleiro Rogério.
Parte da diretoria acha que foi invenção interesse do Arsenal pelo
jogador. Só teria servido para ele pedir aumento. Recusado várias
vezes, diga-se de passagem.
 


São Paulo, sexta-feira, 06 de julho de 2001

Matéria do UOL

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FUTEBOL


Suposta promessa do São Paulo de aumento salarial iniciou desavença


Rogério contrata advogada e rompe com a diretoria

RICARDO PERRONE
ENVIADO ESPECIAL A MACEIÓ

A história de 11 anos do goleiro Rogério no São Paulo está prestes a terminar de maneira litigiosa.
O jogador contratou ontem a advogada Gislaine Nunes, especialista em
liberar atletas em conflito com seus times, para cuidar de sua
situação. Ele anunciou ainda que pode processar o presidente do clube,
Paulo Amaral.
Segundo
o principal ídolo são-paulino, a divergência que deve provocar a sua
saída surgiu em razão de um aumento de R$ 50 mil, que a diretoria teria
prometido a ele. Porém, diz Rogério, o clube não cumpriu o combinado.
O acordo teria sido feito em abril, após o goleiro apresentar uma
proposta de empresários que, segundo ele, o repassariam ao Arsenal
(Inglaterra).
“A
partir de agora, não falo mais com a diretoria. Eles terão de falar com
a minha advogada. Ela vai decidir se tenho clima para ficar ou não no
São Paulo”, disse.
A crise entre o atleta e a diretoria se agravou após a vitória por 4 a
1 sobre o Coritiba, anteontem, em Maceió, que colocou o time paulista
nas finais da Copa dos Campeões, diante do Flamengo.
No vestiário, Rogério anunciou seu rompimento com Amaral.
Ele participará das duas partidas decisivas contra o Flamengo, domingo, em João Pessoa, e quarta-feira, em Maceió.
“Não
sei se vamos ganhar o título, mas vou dar a minha cara para bater,
jogar como sempre joguei. Agora, se não cumprirem o que foi combinado,
pego minha mala e vou embora, nem que tenha de pagar a multa do meu
bolso. Ela é menor do que muitos pensam.”
Rogério tem contrato até 2004 e sua multa é de aproximadamente R$ 1,3
milhão. Segundo sua advogada, a multa está estipulada no contrato e
diminui a cada mês.
Para
o São Paulo, como o contrato foi assinado no ano passado, antes do fim
do passe, o clube ainda tem o direito de vender o atleta.
“Só que o São Paulo colocou a multa no contrato. Agora o que vale é
essa cláusula”, declarou Gislaine. O Corinthians, que já teria tentado
tirar Rogério do Morumbi no ano passado, está interessado em contar com
o atleta.
Ontem, em São Paulo, Amaral rebateu as declarações dadas pelo goleiro
no vestiário. A atitude foi o estopim para Rogério anunciar a
contratação de Gislaine, com quem já mantinha contatos.
Segundo
Amaral, a proposta apresentada num papel, sem timbre do Arsenal, era de
US$ 4 milhões para o São Paulo e de US$ 1,5 milhão à vista para o
goleiro, que receberia mais US$ 1,5 milhão por ano, durante três
temporadas.
O dirigente afirmou que, depois da primeira conversa com o atleta, os
dois voltaram a se reunir. Na ocasião, o goleiro teria pedido o dobro
do que recebe atualmente para permanecer na equipe.
“Falei que não poderia pagar e que
ele poderia chamar o Arsenal para negociar, mas o Rogério se irritou e
afirmou que não jogaria contra o Grêmio, pela Copa do Brasil, alegando
uma contusão no ombro”, disse Amaral.
Essa declaração foi a que mais irritou o jogador. “Não pedi o dobro.
Ficou acertado que receberia R$ 180 mil por mês, o que representava um
acréscimo de R$ 50 mil no meu salário. Nunca tive contusão no ombro.
Ele terá de provar isso”, afirmou.
De acordo com a versão do presidente, o jogador teria concordado em
atuar diante do Grêmio, pela Copa do Brasil, após Amaral prometer ao
goleiro um contrato de patrocínio com a LG, patrocinadora do clube, o
que acabou não acontecendo.

São Paulo, quinta-feira, 19 de julho de 2001

Matéria do UOL

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FUTEBOL


Diretoria do clube, apoiada em declarações do goleiro, pode multá-lo, suspendê-lo, negociá-lo e processá-lo


São Paulo aponta arsenal jurídico contra Rogério

EDUARDO ARRUDA
RODRIGO BUENO

DA REPORTAGEM LOCAL

Rogério Ceni deve receber nos próximos dias o maior bombardeio de sua carreira como goleiro. O São Paulo tem um arsenal jurídico pronto para atacar o jogador, que pode não atuar mais no clube.
O time do Morumbi tem engatilhados processos administrativo, trabalhista, cível e criminal contra Rogério.
O goleiro anunciou anteontem que permaneceria no São Paulo, mas queria
retratação do presidente do clube, Paulo Amaral. Não haverá retratação,
mas a retaliação está pronta.
O dirigente são-paulino, tratado como mentiroso por Rogério em
entrevista à rádio Jovem Pan, estuda processar o goleiro pessoalmente
por calúnia e difamação.
O
São Paulo, cuja diretoria foi chamada de inerte pelo goleiro, pode
processar, multar, suspender o contrato ou negociar o atleta, que, tentando explicar suposto interesse do Arsenal em seu futebol, entrou em contradição.
A diretoria está de posse de fitas e textos com declarações de Rogério ofensivas ao clube e a Amaral.
Após a partida em que o São Paulo goleou o Coritiba por 4 a 1, o goleiro teve discussão ríspida com José Dias, diretor de futebol, no ônibus do time e esteve a ponto de agredi-lo fisicamente.
A disputa entre Rogério e São Paulo revoltou grande parte da torcida
são-paulina, mas uniu forças políticas em torno de Paulo Amaral. Mesmo
líderes da oposição concordam que o goleiro teria exagerado na
insubordinação.
Sem proposta para sair do São Paulo, Rogério, na entrevista que deu anteontem para anunciar seu futuro, não conseguiu provar que o Arsenal lhe fez uma oferta em abril, como havia alardeado para ter aumento de salário.
O goleiro disse que cumprirá seu contrato com o São Paulo, até 2004, pela torcida. Mas a diretoria pode abortar esse plano.
Segundo a Folha
apurou, já na quinta-feira passada Rogério estava decidido a permanecer
no clube, pois percebeu que o clima estava desfavorável a ele -o São Paulo tem fax em que o Arsenal nega o interesse por Rogério.
A diretoria não aumentou o salário de Rogério, de R$ 130 mil, porque
não teve proposta oficial pelo atleta -o jogador queria R$ 600 mil a
mais por ano.
Segundo
Rogério, o conselheiro Pérsio Rainho, que não aparecia em sua primeira
versão para o caso, foi quem o procurou para falar do interesse do
Arsenal. Rainho diz que nunca viu a suposta proposta dos ingleses, pois
essa teria sido apenas uma sondagem.
A diretoria teria preferência em negociar Rogério para lucrar R$ 13
milhões -na coletiva, o goleiro disse que, “se o São Paulo não quiser o
Rogério, o São Paulo é que tem que resolver a questão”.
O
goleiro disse ontem, no CT, que não falaria mais no assunto. Paulo
Amaral era esperado ontem na apresentação do ex-goleiro Zetti, novo
técnico do time júnior, mas não compareceu.
Gislaine Nunes, advogada de Rogério que calcula em R$ 1,48 milhão a
multa rescisória do goleiro com o clube, também poderia ser processada
pelo São Paulo.
“Vão nos processar? Que bom. Mas eles [dirigentes são-paulinos] não demonstraram nada ainda”, disse a advogada ontem à Folha.
Gislaine não disse se irá em frente com a ameaça de acionar Paulo
Amaral judicialmente, uma vez que o dirigente não se retratará
publicamente. “Estou aguardando um pronunciamento oficial do
presidente. Quero ver também como o Rogério será tratado no clube daqui
para a frente.”

São Paulo, sábado, 21 de julho de 2001

Matéria do UOL

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FUTEBOL


Presidente do São Paulo rompe silêncio e suspende atleta, que receberá só ganhos de imagem


Rogério ficará 28 dias sem salário

RODRIGO PLANET
DA REPORTAGEM LOCAL

O silêncio acabou. Ontem, após mais de dez dias sem qualquer pronunciamento, o presidente do São Paulo, Paulo Amaral, anunciou, por meio de uma nota oficial, a suspensão do goleiro Rogério Ceni por 28 dias.
“A diretoria deliberou aplicar ao atleta a pena de suspensão (…), em
virtude de conduta indisciplinada e incompatível com as suas obrigações
legais e contratuais, ofensivas às tradições do São Paulo”, diz o
comunicado assinado pelo presidente são-paulino.
Anteontem, antes da decisão de Amaral, o goleiro havia recuado na
exigência de que o presidente do São Paulo se retratasse publicamente e
lhe pedisse desculpas. A advogada do jogador, Gislaine Nunes, que após
o recuo do goleiro fez elogios ao presidente do São Paulo, disse ontem
que não iria comentar a punição.
Rogério não se apresentou ontem para treinar com a equipe.
Segundo
o diretor jurídico do São Paulo, Francisco de Assis, a diretoria
decidiu, em consenso, substituir a pena de multa em até 40% do salário
do jogador pela suspensão. “Com a multa, ele continuaria trabalhando e
recebendo. Então, em consenso, decidimos pela suspensão”, afirmou.
Com a medida, o jogador não deve treinar no clube neste período nem receber o salário.
“Ele não vai receber o salário.
O valor pelo contrato de imagem, que não é regulamentado pela CLT
[Consolidação das Leis Trabalhistas”, o Rogério continuará recebendo”,
disse o diretor de comunicações, Eduardo Alfano.
“Pela CLT, a suspensão poderia ser por até 29 dias. Por um mês,
significaria um período de licença, e o jogador teria de ser
remunerado. O perídodo de 28 dias foi simplesmente uma questão de
escolha”, disse Francisco Assis.
A notícia da suspensão de Rogério foi recebida com surpresa pelo
técnico Nelsinho Baptista. “Não esperava. Mas é uma decisão
administrativa do clube, e nós temos que acatar”, disse.
Na Colômbia, o lateral Belletti
achou correta a punição ao goleiro. “O presidente é que estava certo.
Ele mostrou um fax do Arsenal em papel timbrado dizendo que o clube
inglês não tinha interesse pelo Rogério. Tomara que o Leonardo seja o
capitão”, disse.
O atacante França também ficou surpreso com a suspensão de Rogério.
“Não estou chateado, mas foi uma surpresa para todos nós. Apesar disso,
não podemos deixar a peteca cair”, afirmou.

o meia Leonardo, que com a punição a Rogério deve ser o novo capitão do
time contra o Peñarol, quarta-feira, pela Mercosul, estranhou a
situação. “Não é comum acontecer isso. O ideal era não ter o problema.
Mas, agora, é importante que tudo se resolva da melhor forma para nós,
jogadores, e para o clube”, afirmou.
Ontem, o meia retornou ao estádio do Morumbi para treinar, depois da
longa temporada no futebol italiano. “São quase sete anos sem vir aqui.
É muito bom voltar para cá, um lugar onde só tenho boas recordações”,
disse.
Mesmo com a suspensão, Nelsinho afirmou que Rogério foi inscrito na Copa Mercosul.
O
técnico confirmou que a vaga dele será ocupada por Roger. “O Roger é o
segundo goleiro do São Paulo. É um atleta que escalaremos com
tranquilidade, sem medo de errar”, disse Nelsinho.
Com dores lombares, Roger não treinou ontem com o time.

6 respostas em “Recordar é viver”

Boa, Jota!
Que tal mandar uma cópia das reportagens para a Milly Lacombe, “fã nr. 1” do goleiro de hóquei, he, he, he…

Só se tiver alguém insano dentro do Palmeiras pra permitir que haja essa troca de gentilezas para “promover a paz” como dizem os bambis. O rogéio sêmen não merece nem passar na porta da nossa Academia.

Um ídolo perfeito para uma torcida de alienados que acha o maior barato ganhar títulos na mão grande.

esse post tinha q ficar em evidencia na Home… tivemos muitos posts e esse ficou meio escondido…

MAS E EXCELENTE RSRS..

Nossa, dessa eu não sabia! Nessa época eu tinha 14 anos, me preocupava só com o que acontecia no Palmeiras mesmo. Que vergonha, depois chamam ele de ídolo, pqp, nem imagino o Marcos fazendo isso. Ele sim teve proposta do Arsenal, e preferiu ficar!

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